Capítulo 3

874 Palavras
No quarto, a cama macia parecia engolir o silêncio ao redor. Marcos se aproximou rapidamente, o corpo dele cobrindo o dela, como se quisesse tomar cada pedaço dela para si,cheio de desejo. Mas Helena não reagiu como ele esperava. Ofegante, ela o empurrou contra o peito, tentando resistir. Seus cabelos negros caíam sobre o travesseiro branco como neve, e o robe de seda escorregava lentamente por seus ombros. — Marcos! — ela chamou, a voz tremendo entre susto e confusão. Ele, no entanto, manteve o olhar fixo no rosto dela, os olhos intensos, como se estivesse sendo guiado por algum feitiço irresistível. Abaixou o rosto, aproximando-se dela e a beijou como se tivesse possuído , dividido entre o desejo e a dúvida. Helena sentia apenas cansaço — nada além disso. Ela já não tinha raiva nem tristeza, apenas um vazio silencioso. Sua frieza fez Marcos sentir um desconforto inexplicável. Ele ficou irritado. Com o rosto suado e a respiração pesada, perguntou com a voz rouca: — Por que você não quer fazer amor com seu marido? Helena, deitada sobre o travesseiro branco, olhou para o homem que ela havia amado por quatro anos. Ela se sentia exausta. Tudo o que queria agora era viver por si mesma, e não mais por alguém. Marcos, no entanto, não entendia. Em vez de tentar compreender o que ela sentia, ele continuava questionando por que ela não queria mais ser sua esposa? ou fazer amor com ele?, por que não queria ter um filhos? por que não queria ajudá-lo a manter o casamento? o poder e a posição que tanto valorizava. Helena levantou a mão e, com um gesto suave, tocou o rosto do marido. Com a voz baixa e calma, ela disse: — Marcos, vamos nos divorciar. O rosto dele ficou tenso. Pela primeira vez, Marcos pareceu não saber o que dizer. Mas Marcos ainda tentou argumentar, segurando o tom de voz contido: — Tudo isso é por causa de Beatriz? Eu já disse que ela é apenas a uma amiga da familia, e nada mais. Se você não gosta dela morando lá, eu posso providenciar outro lugar para ela ficar. Helena soltou um leve riso, frio e sem emoção. “Beatriz precisa mesmo ficar trabalhando com ele? E por que Marcos parecia gostar de te-lá por perto?” Essas perguntas ficaram presas na garganta — ela achou que nem valia a pena dizer. Ela abriu a gaveta ao lado da cama, tirou de dentro os papéis do divórcio e colocou na mão de Marcos. Com a voz calma, porém firme, disse: — Além das economias e dos bens imóveis, quero também metade das ações da empresa. Marcos franziu as sobrancelhas. — Metade das ações do Grupo Duarte? — repetiu ele, com uma ironia amarga no tom. — você está sendo generosa comigo? As palavras dele soaram frias e cortantes, como se estivesse negociando um contrato, e não falando com a esposa. Helena sentiu o coração gelar. Mas não se arrependeu. O amor que ela um dia deu, agora estava aprendendo a deixar ir. Helena manteve a postura firme, olhando para Marcos com serenidade. — Mesmo com o divórcio, — ela disse com calma — . Eu ficarei em paz assim...entre nós dois tudo estará resolvido. Ela falava com seriedade, sem ironia nem raiva. Foi então que Marcos finalmente percebeu — Helena não estava fazendo uma cena. Ela estava decidida. Ele a observou atentamente, os olhos escuros e intensos como se quisessem penetrar sua alma. Por um instante, o silêncio entre os dois parecia pesado demais. Meio minuto depois, Marcos respondeu em tom frio: — Helena, volte a si. Nós não podemos nos divorciar. Você sabe tão bem quanto eu que estamos ligados por interesses. Sim, ela sabia. Ele não facilitaria sua vida. Helena permaneceu em silêncio, sem mudar a expressão. Ele levantou a mão, é jogou o acordo de divorcio no chão ......... Sentindo a raiva crescer, se levantou de repente, pegou uma muda de roupa e foi dormir no quarto de hóspedes. Ele acreditava que Helena apenas precisava esfriar a cabeça. Que, depois daquela noite, ela voltaria a ser a mesma de sempre — a mulher paciente e silenciosa que o aceitava em tudo. Mas Marcos estava enganado. ...... Na manhã seguinte, às oito horas em ponto, Marcos desceu as escadas vestindo um terno preto impecável. A roupa sob medida destacava sua postura elegante — fria, confiante, e impossível de decifrar. Por fora, ele parecia o mesmo homem de sempre: perfeito, sereno, implacável. Mas por dentro, algo começava a se mover — algo que ele ainda não conseguia compreender. Mesmo que o corpo estivesse descansado, o coração parecia pesado. Ao descer as escadas, o aroma do café recém-passado se espalhava pelo ar, mas ele sentia o estômago fechado — como se algo o impedisse de relaxar. Ele pegou a xícara e tomou um gole. Casualmente perguntou a empregada a Sra.Duarte aonde está? Eles tiveram uma briga tão barulhenta à noite que até os empregados da casa ouviram" A empregada respondeu: "A senhora foi para o escritório cedo esta manhã e dispensou o motorista." Marcos respondeu com frieza, sem tirar os olhos da xícara Ele assentiu, mas ficou em silêncio. De repente, perdi o apetite". ---
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