Ela retornou para casa..
Neia trouxe o acordo de divórcio.
Helena olhou o envelope por um momento, sentindo o frio se espalhar pelo corpo.
Ela queria se separar.
E queria dividir os bens — pela metade.
Sem dizer nada, ela se levantou e foi tomar banho.
No espelho, viu seu próprio reflexo pálido, cansado, mas ainda com frescor.
Vestiu um robe branco de seda, e sob a luz suave do banheiro, a mulher que via diante de si parecia outra — calma, fria, quase intocável.
Seu corpo, antes marcado pelo cansaço e pelas noites m*l dormidas, ainda conservava uma elegância natural.
Não era exuberante, mas havia nela uma pureza distante, uma beleza que o tempo não conseguira apagar.
Mas, ao mesmo tempo, uma pergunta doía como uma faca:
para Marcos ela não era mais atraente… então por isso buscava outra mulher?
A imagem da jovem amante dele veio à mente — e com ela, uma dor quase física.
Helena podia até imaginar a cena: o riso leve, o toque rápido, a pressa juvenil que um dia também tiveram.
Por um instante, sentiu o sangue ferver.
Não de ciúmes — mas pela humilhação.
Helena respirou fundo,entrou no banho , sentindo a água quente escorrer pelos ombros.
Deixou que o vapor envolvesse o corpo, levando embora as últimas lembranças de um amor que já não existia.
Quando saiu do banho, estava diferente — o olhar calmo e sereno .
E então aporta se abriu , Marcos voltou.
Ele parou na entrada, impecável como sempre.
Um terno preto sob medida, os ombros largos e firmes, o olhar frio e calculado.
Sob a luz amarelada, seus traços pareciam ainda mais definidos — o retrato perfeito de um homem maduro, poderoso, e consciente do próprio encanto.
Helena não pôde evitar um pensamento amargo:
Mesmo que Marcos não tivesse fortuna alguma, só aquele rosto seria suficiente para que qualquer mulher caísse aos seus pés.
Quatro longos anos ao lado dele não poderia ser considerado desperdício.
Se olharam por alguns minutos...
Marcos deu alguns passos, aproximando-se dela.
Ficando de pé atrás de Helena ,olhou seu corpo diante do espelho.
Helena já estava vestida com um robe branco, o cabelo caindo pelos ombros como seda escura.
Mesmo sem maquiagem, havia nela uma beleza serena — o tipo de presença que o tempo não apaga, mas refina.
Por um instante, ele hesitou.
Talvez se lembrando da noite do casamento.
Na noite de núpcias, nada aconteceu entre eles.
Um mês depois, por acaso, aconteceu inesperadamente.
Naquela noite, Helena, encostada no peito dele, chamou baixinho o nome de Marcos.
Ele a segurou firme e, naquela noite, finalmente se tornaram um casal de verdade.
Foi a primeira vez de ambos.
Depois disso, a vida de marido e mulher entre os dois era... fria é distante.
Em casa, Helena era a respeitável senhora Duarte.
No grupo da Familia Duarte , ela era a presidente Helena, a mulher poderosa que controlava tudo.
Ela sempre mantinha uma aparência fria e inatingível, como se nada pudesse abalá-la.
Mesmo na cama, Marcos não ousava dizer que ela realmente se entregava.
Ela nunca havia se aberto de verdade, quanto mais mencionado o nome dele de forma carinhosa.
Helena olhou para ele através do espelho, o olhar silencioso, mas profundo.
Nos últimos dias, Marcos vinha tentando se aproximar dela, mesmo que de forma disfarçada
Ele se inclinou e sussurrou em seu ouvido, a voz rouca e baixa:
Foi você que pediu para cortarem a luz e a agua da casa do condominio não foi?— Ela e só uma amiga que estou ajudando,você está chateada?
Helena olhou para ele no espelho...
Marcos cheio de desejo, pensou bem percebeu que ela estava no seu período fértil.
Ele beijou seu pescoço sussurrando na sua orelha ,e mesmo seu aniversário... ou tem outro motivo, hein?
A Sra. Duarte , ainda sabe me provocar...
As palavras dele eram provocantes, cheias de segundas intenções, e Helena entendeu perfeitamente o que ele queria.
Ele queria fazer amor , desejava ter um filho.
O avô dele ainda era o chefe da família ainda detinha grande parte das ações do Grupo Duarte, e Marcos acreditava que ter um filho aumentaria sua influência dentro da empresa.
Mas ele não sabia que, para eles, ter um filho era quase impossível.
Naquela noite em que tudo aconteceu, Helena o empurrou, mas ele a chutou com força, e o impacto acabou atingindo seu abdômen — desde então, as chances de engravidar eram mínimas.
Helena fechou os olhos suavemente, escondendo a dor que sentia.
Marcos, raramente estava de bom humor.