Capítulo 1

987 Palavras
Em frente a uma casa de luxo, dentro de um condomínio de alto padrão em Ulares. Helena estava sentada no banco de trás de um carro , observando em silêncio o marido — que estava se encontrando com outra mulher. A moça era bem jovem, vestia um vestido branco ,pura e encantadora. Eles andavam de mãos dadas, como se fossem um casal apaixonado. O rosto de Marcos estava cheio de ternura. A garota, com voz manhosa, disse enquanto balançava a bolsa: — “Meus pés estão doloridos, Marcos, me carrega!” Helena achava que Marcos nunca faria isso. Ele sempre foi um homem orgulhoso, conhecido por ser reservado e de temperamento difícil. Mesmo que tivesse uma nova paixão, ela acreditava que ele jamais se rebaixaria a esse tipo de coisa. Mas, no segundo seguinte, Helena levou um duro golpe de realidade. Seu marido se abaixou e carregou a jovem em seus braços com delicadeza. Segurava a moça nos braços com cuidado, o olhar cheio de carinho. A jovem se apoiava nele, o rosto colado ao peito de Marcos, com um sorriso satisfeito — como se fosse a dona do mundo. Helena observava tudo de dentro do carro, o coração apertado e os olhos marejados. Ela nunca imaginou que o homem com quem dormia todas as noites teria outra mulher — e ainda a trataria com tanta ternura. Naquele momento, ela percebeu que o amor deles já não existia mais. O que restava era apenas aparência, uma vida de fachada. Helena respirou fundo, tentando conter a dor que subia pelo peito. Mas por dentro, ela sentia como se tudo estivesse desmoronando. O toque do homem era cheio de desejo, mas também de ternura. Logo, ele envolveu a cintura da moça e a puxou para si. A jovem, com as mãos delicadas e brancas, colocou-as naturalmente no pescoço forte do homem, encostando o rosto contra ele. Seus cabelos negros escorriam, e ela o acariciava suavemente. No pescoço de Marcos havia uma pequena marca vermelha. Ao vê-la, Helena lembrou-se daquelas vezes em que estavam juntos... quando sem querer tocou essa marca ,ele a segurou com força, o olhar intenso, quase selvagem.... Mas agora, marcos estava ali, abraçando outra mulher com a mesma paixão. Helena fechou os olhos, incapaz de continuar olhando. Ela nunca o tinha visto agir assim — tão louco de amor — e doía perceber que não era mais por ela. Quando abriu os olhos novamente, o olhar de Helena já estava vazio, sem amor, sem ódio. Helena para se casar com Marcos, abandonou a arte o que tanto amava para se tornar uma CEO do grupo Duarte. Quando o amor acaba, só resta falar de dinheiro. Marcos e a amante se encontravam às escondidas, em uma mansão de luxo. Que era o patrimônio comum do casal. Helena não queria deixar a traição de Marcos impune , então perguntou à secretária sentada no banco da frente, Neia: — “Nesses três meses, Marcos esteve sempre com ela?” Neia respondeu rapidamente: — “A moça se chama Beatriz Baldi , é como uma amiga de infância do senhor Marcos vem de uma familia infliênte . Há três meses, o senhor Marcos a colocou como estagiaria na empresa , e tem cuidado muito bem dela.” Um dossiê foi entregue a Helena . Ela folheou calmamente e sentiu que poderia, enfim, se libertar. A condição era que Marcos aceitasse dividir o patrimônio do casal. Helena pegaria o dinheiro e as ações, e sairia da vida dele de uma vez por todas. Lá fora, o outono tingia tudo de dourado. O pôr do sol espalhava um brilho quente e ofuscante. Helena respirou fundo, acalmou-se e ligou para Marcos. Ele provavelmente estava ocupado com sua amante. Depois de alguns toques, ele finalmente atendeu. A voz dele soou fria, distante: — O que foi? Helena piscou os olhos, tentando soar leve: — Hoje é meu aniversário. Você vai voltar pra jantar comigo? Do outro lado, Marcos ficou em silêncio por um instante. Um homem que não quer voltar pra casa sempre encontra uma desculpa — e o silêncio dele foi a mais clara de todas. Mas Helena pôde ouvir, ao fundo, a voz suave de uma mulher chamando-o: — Marcos, está tudo bem?... Marcos hesitou por um momento. Depois, com o mesmo tom calmo e firme de sempre, respondeu: — Se não for importante, vou desligar. E a ligação caiu. Era o jeito dele — direto, sem explicações, sem espaço para discussões. Neia , ao ver Helena parada ali, indignou-se: — Ele passou dos limites, Sra. Helena! Se esqueceu completamente da senhora! Helena ficou imóvel por um segundo, sem dizer nada. Mas dentro dela, o silêncio pesava mais que qualquer palavra. Helena chegou a pensar: sinto muito atrapalhar o encontro de amor de Marcos com sua amante. Mas logo afastou o pensamento com um leve sorriso irônico. — Ele não esqueceu — ele simplesmente não se importa. — Neia , entre em contato com a empresa de água e luz e peça para suspender os serviços desse imovel . Assim ele logo vai se lembrar de voltar para casa. Neia suspirou, balançando a cabeça: — A Sra. Helena é mesmo muito esperta. Helena não respondeu. Apenas virou o rosto para a janela, observando em silêncio o brilho do entardecer que tingia o céu de dourado. O reflexo do pôr do sol se espalhava pela parede, como uma ferida antiga que nunca cicatrizava. Ela se lembrou de anos atrás — de uma noite parecida com aquela. O céu também estava dourado, recém-casada seu marido , prometeu que nada nem ninguém os separaria. “Você é o mais importante pra mim, Helena”, ele dissera. Mas agora… agora ele a fazia sentir que, para ele, o amor só valia enquanto fosse conveniente. Que bastava ter dinheiro — e o resto, não importava mais. Uma lágrima escorreu lentamente pelo canto dos olhos de Helena.
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