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No alto do Salgueiro-Morro

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Sinopse

No Alto do Salgueiro – Morro

Elisa nasceu e cresceu no Morro do Salgueiro. Dona de um coração sonhador e uma beleza que ainda começava a florescer, ela acabou de completar dezoito anos quando decidiu correr atrás do homem que ocupava todos os seus pensamentos: Binho, o subchefe do morro.

Temido, desejado e conhecido por nunca se prender a mulher nenhuma, Binho sequer a enxergava da forma que ela queria. Para ele, Elisa continuava sendo apenas a menina que cresceu pelas vielas do Salgueiro.

Mas Elisa não estava disposta a desistir.

Em uma tentativa impulsiva de chamar sua atenção, ela invade o camarote exclusivo do baile. O que deveria ser a chance de ficar mais perto do homem que ama se transforma em seu maior pesadelo. Diante de todos, Binho a humilha sem piedade, destruindo seu coração e seu orgulho em poucos segundos.

Devastada, Elisa foge do baile sem olhar para trás.

Só que o destino tinha outros planos.

No meio da fuga, ela esbarra em alguém que faz o mundo ao seu redor parar.

Nando.

O dono do Morro do Salgueiro.

O homem que todos respeitam... e muitos temem.

Antes que ela caia, ele a segura firme pela cintura. Por um instante, o tempo congela. Presa nos braços do criminoso mais poderoso do morro, Elisa se vê perdida no perfume marcante, no olhar intenso e na presença avassaladora daquele homem.

E, pela primeira vez, alguém a enxerga como mulher.

O que começa com um encontro inesperado logo se transforma em uma paixão proibida, capaz de abalar alianças, despertar invejas e colocar o morro inteiro em guerra.

Porque Nando nunca divide o que é seu.

E, sem perceber, Elisa acaba de se tornar a única coisa que o dono do Salgueiro está disposto a proteger... ou destruir.

Um romance intenso, perigoso e arrebatador, onde o amor nasce entre becos, poder e escolhas que podem mudar tudo.

No Morro do Salgueiro, o coração pode ser a arma mais perigosa de todas. ❤️🔥

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Capítulo 1 – A Menina do Salgueiro
O Morro do Salgueiro nunca dormia. Mesmo quando o relógio marcava cinco da manhã, sempre havia alguém caminhando pelas vielas, um som distante ecoando de alguma caixa de som esquecida ligada ou o cheiro de café fresco escapando pelas janelas das casas simples. Elisa conhecia cada canto daquele lugar. Conhecia os degraus tortos das escadarias, os becos estreitos, as lajes onde as crianças empinavam pipas e até os segredos que os moradores tentavam esconder. Afinal, ela tinha nascido ali. E apesar das dificuldades, amava aquele lugar com todas as suas forças. — Elisa! — a voz da mãe ecoou da cozinha. — Vai levantar ou pretende dormir até amanhã? Ela abriu os olhos lentamente. O ventilador velho girava acima de sua cabeça enquanto os primeiros raios de sol atravessavam a cortina fina do quarto. Um sorriso involuntário surgiu em seus lábios. Dezoito anos. Ela finalmente tinha dezoito anos. Passou as mãos pelo rosto e sentou na cama. Naquela idade, muita coisa parecia possível. Ou pelo menos era o que ela queria acreditar. Levantou-se rapidamente e correu até o pequeno espelho preso na parede. Observou seu reflexo. Os cabelos longos e escuros caíam pelas costas. Os olhos castanhos brilhavam de uma forma diferente naquela manhã. Ela já não era uma menina. Ou pelo menos não queria mais ser vista como uma. Principalmente por ele. Binho. Só de pensar naquele nome, seu coração acelerou. O sub do Salgueiro. O braço direito do dono do morro. O homem que ocupava seus pensamentos há meses. Talvez até mais que isso. Elisa suspirou. Era impossível não reparar nele. Binho era bonito. Perigosamente bonito. Alto, tatuado, sorriso provocador e uma fama que fazia qualquer mulher do morro suspirar. E ela não era diferente. A diferença era que Elisa estava apaixonada. Perdidamente apaixonada. Enquanto todas queriam uma noite com ele, ela sonhava com muito mais. Sonhava em ser a mulher dele. O problema? Binho m*l olhava para sua cara. Quando olhava, era sempre da mesma forma. Como se estivesse vendo uma criança. Uma menina. E aquilo a irritava profundamente. — Elisa! Ela ouviu a mãe gritar novamente. — Já vou! Correu para o banheiro, tomou um banho rápido e vestiu um short jeans e uma blusa simples. Quando chegou à cozinha, encontrou a mãe colocando café nas xícaras. — Feliz aniversário, minha filha. Elisa sorriu. — Obrigada, mãe. A mulher se aproximou e beijou sua testa. — Dezoito anos. Parece que foi ontem que eu te carregava no colo. — E agora estou velha. — Velha nada. Continua sendo minha bebê. Elisa revirou os olhos. — Tá vendo? É exatamente isso que eu não quero ouvir. A mãe riu. — Ah, então a senhorita quer ser tratada como adulta? — Quero. — Tem certeza? — Tenho. A mulher apenas balançou a cabeça. Como mãe, conhecia a filha melhor do que ninguém. Sabia exatamente o motivo daquela mudança. Sabia que tinha nome. E sobrenome. Binho. Mas preferiu não comentar. Depois do café, Elisa saiu para a rua. O morro já estava movimentado. Cumprimentou vizinhos, atravessou vielas e subiu algumas escadarias. Mas seus olhos procuravam apenas uma pessoa. E então encontrou. O coração falhou uma batida. Lá estava ele. Encostado em uma moto preta. Conversando com alguns homens. Binho. O boné para trás. Os braços cobertos por tatuagens. O cordão de ouro brilhando contra a luz do sol. E aquele jeito confiante que fazia qualquer mulher perder o juízo. Incluindo ela. Elisa respirou fundo. Talvez hoje fosse diferente. Talvez hoje ele finalmente a enxergasse. Tomando coragem, caminhou em sua direção. Quando estava perto o suficiente, sorriu. — Oi, Binho. Ele virou o rosto. Por alguns segundos a observou. Depois sorriu de lado. — E aí, baixinha. Baixinha. De novo. Ela odiava aquele apelido. — Eu tenho nome. — Eu sei. — Então usa. Binho riu. Os amigos dele também. E aquilo fez Elisa corar. — Tá nervosinha hoje? — Não. — Tá sim. Ela cruzou os braços. — Hoje é meu aniversário. — É? — É. — Quantos anos? — Dezoito. Binho assobiou. — Então parabéns. O sorriso dele fez seu coração disparar. — Obrigada. — Agora vê se não arruma problema por aí. E lá estava. De novo. A forma protetora. Quase paternal. Como se ela fosse uma criança. Elisa fechou a cara. — Eu não sou mais menina. — Claro que não. O tom divertido dele a irritou. — Estou falando sério. — E eu também. Mas o sorriso entregava que ele não acreditava em uma palavra. Antes que pudesse responder, um dos homens chamou Binho. — Temos que ir. — Já tô indo. Ele voltou a olhar para Elisa. — Vai pra casa cedo hoje. — Eu não sou criança. — Tá bom, baixinha. E saiu. Simples assim. Como se ela não tivesse acabado de reunir toda sua coragem para falar com ele. Elisa ficou parada observando a moto desaparecer. Sentindo uma mistura estranha de raiva e tristeza. Ela queria ser vista. Queria que ele a desejasse. Queria que ele olhasse para ela da mesma forma que olhava para aquelas mulheres que viviam ao seu redor. Mas parecia impossível. — Um dia você vai me enxergar. Murmurou para si mesma. Sem perceber que o destino já tinha outros planos. Muito maiores do que ela poderia imaginar. Porque naquela mesma manhã, em uma cobertura luxuosa no alto do morro, um homem observava a movimentação através de uma janela. Um homem acostumado a mandar. A ser obedecido. A nunca ouvir um não. Nando. O dono do Salgueiro. Temido por todos. Respeitado por muitos. E completamente alheio ao fato de que uma garota chamada Elisa estava prestes a virar seu mundo de cabeça para baixo. O que nenhum dos dois sabia era que o destino já havia começado a escrever uma história impossível. Uma história que nasceria entre o poder e o perigo. Entre a inocência e a obsessão. E que começaria em uma noite de baile. Na noite em que o coração de Elisa seria partido... Para ser entregue ao homem mais perigoso do morro. Continua... 🔥❤️

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