07

2240 Palavras
Dulce Eu nunca havia sentido isso antes. Era tudo muito novo e muito especial. Eu sempre sonhei em encontrar o grande amor da minha vida, ter filhos e ficar com ele para sempre. Agora essa realidade parecia estar cada vez mais perto e Daniel superava todas as minhas expectativas, por ser bem melhor do que o amor que eu desejei em meus sonhos.  Depois de darmos o nosso primeiro beijo, eu tive a certeza de que o destino havia nos preparado um para o outro e que eu não deveria me preocupar. Se ele veio à mim através do destino, certamente eu não o perderia. Era como se tivéssemos um laço de alma. — Não estou vendo a minha irmã, eu vou procurá-la. Você me espera aqui? — ele perguntou.  — Claro! — antes de ir, Daniel segurou meu rosto e me deu um beijo carinhoso.  — Eu vou adorar poder fazer isso sempre que eu quiser. — sorriu.  — Nós dois vamos. — eu sorri também.  Ele se afastou e eu fiquei observando as pessoas dançarem na roda. Minha última caneca de cerveja acabou e eu resolvi parar por ali. Não queria correr o risco de acordar passando m*l na manhã seguinte.  Fui até os barris devolver a caneca e quando me virei para voltar ao lugar onde estava, dei de cara com Ronald.  — Dulce! — me deu um abraço desconfortavelmente apertado.  — Olá, Ron. — falei depois que ele me soltou. — Não tinha te visto por aqui. Chegou mais tarde?  — Não. — ele ficou sério. — Não deve ter notado a minha presença já que estava muito ocupada dançando e bebendo com aquele homem. — pelo seu tom, ele estava chateado.  — É o Daniel, nós nos conhecemos a alguns dias.  — É? E vocês estão juntos? — coçou a nuca.  — Estamos nos conhecendo.  — Gosta dele?  — Sim, Ron, eu gosto. — eu estava louca para sair de perto dele antes que começasse com as lamentações.  — O conhece a alguns dias e já se sente assim? Nossa! Ele deve ser muito legal, porque eu tento te conquistar faz anos e você nem ao menos aceita passear comigo. — começou a se irritar.  — Ronald, eu vou voltar para onde eu estava. — passei por ele, mas ele segurou o meu braço.  — Por que? Ele está te esperando?  — Sim! — puxei meu braço com força. — O que você quer que eu fale? Não pode se irritar comigo porque eu não devo nada a você!  — Gostaria que seu pai ainda estivesse vivo. É uma pena que ele tenha falecido antes de cumprir a promessa de me dar a sua mão.  — Meu pai nunca me obrigaria a casar com alguém que não amo. — ele ficou em silêncio. — Ronald, o que você sente por mim é responsabilidade sua. Eu não tenho nenhuma obrigação de suprir os seus desejos.  — O que ele tem de tão especial?  — Daniel nunca me cobrou nada e nunca exigiu que eu fosse dele. Olha, eu gosto muito de você, mas já faz anos que me corteja e não consegue nada. Sua insistência é bem irritante! — ele mirou o chão. — Para o seu bem... — me aproximei e segurei o rosto dele entre minhas mãos. — Tente encontrar outra mulher para cortejar. Eu serei somente a sua amiga e isso nunca mudará.  — Acho que eu preciso começar a me convencer disso. — suspirou. — Vamos esquecer tudo isso. Pode me abraçar?  — Claro que eu posso! — sorri.  Nós nos abraçamos bem apertado por um longo tempo. Eu podia ouvir Ronald respirando fundo em meu pescoço, como se quisesse sentir o meu cheiro o máximo possível.  — Dulce? — ouvi a voz de Daniel atrás de mim e me afastei daquele abraço.  — Daniel! Eu já estava voltando para lá. — em sua face, um olhar de confusão, enquanto olhava diretamente para Ronald. — Esse é o Ronald, ele é meu amigo. E Ronald, esse é o... — Daniel! — Ronald terminou a frase antes de mim. — É um prazer conhecer o homem que me passou para trás. — ele ergueu a mão para Daniel, que ainda um pouco desconfiado, aceitou aquele aperto de mãos.  — Te deixei para trás? — franziu a testa.  — A gente pode ir dançar agora? — me coloquei entre os dois.  — Pra que a pressa, Dulce? Eu só estava querendo conhecer o homem que conseguiu conquistar o seu complicado coração. Me diz, qual o seu segredo? — tudo o que Ronald dizia parecia ter uma pontada de provocação.  — Qual o problema dele? — Daniel perguntou olhando para mim.  — Talvez o meu problema seja a rejeição. — chegou mais perto, ficando cara a cara com Daniel. — Mas eu prometi que iria esquecer tudo isso.  — Então, eu não entendi o que você ainda está fazendo aqui. — Daniel falou despreocupado.  — Eu espero que voce estrague tudo. — Ronald deu um tapinha no ombro de Daniel e depois, se retirou.  — Tem certeza que ele é seu amigo?  — Ele só está passando por uma fase complicada.  — E desejar que eu estrague as coisas com você vai ajudar ele?  — Não dê ouvidos à isso. — apoiei minhas mãos em seus ombros. — Ele só está com ciúmes. Nada do que ele disser vai influenciar no que nós estamos construindo. — ele sorriu para mim.  — Eu queria que ninguém pudesse interferir.  — É só a gente não deixar que interfiram. — ele me deu um beijo leve e depois me abraçou. — Encontrou a sua irmã? — perguntei quando começamos a caminhar pelo festival.  — Sim, ela parece bem feliz. E pensar que ficou relutante com a ideia de vir até aqui. — riu.  Depois de algumas horas, o fim do festival havia chegado e já era hora de nos despedirmos. Com nossas mãos entrelaçadas, eu o acompanhei até onde havia deixado o seu cavalo.  — Nos vemos amanhã? — perguntei.  — Com toda certeza. — ele segurou o meu rosto e me deu um beijo de despedida, depois nós nos abraçamos.  — Irmão? — ouvimos Anabel chamar e nos afastamos. — Tudo certo? — ela perguntou olhando para mim de forma peculiar.  — Tudo muito certo. — Daniel me abraçou de lado e sorriu. Eu vi sua irmã ficar levemente boquiaberta, mas logo conteve sua expressão.  — Está tudo bem, Anabel? — fiquei curiosa.  — Está! — sorriu. — A noite foi magnífica, eu adorei ter vindo e ter conhecido pessoas tão gentis. Nunca imaginei que me sentiria tão bem em um lugar assim.  — Fico muito feliz que tenha gostado e vou adorar vê-la outras vezes. — eu disse.  — Quem sabe... — deu de ombros. — A noite foi ótima! — Edgar declarou caminhando em nossa direção, acompanhado de Angelique. — E a companhia melhor ainda. — ele beijou as duas mãos dela. — Vejo você quando for buscar a minha roupa na venda.  — Te esperarei ansiosamente. — Angelique se esquivou e deu um pequeno beijo sobre os lábios de Edgar.  — Muito bem... — ele olhou para nós. — Podemos ir?  — Claro! — Daniel disse. — Até amanhã, Dulce.  — Até.  Os três se foram e eu comecei a caminhar para casa ao lado de Angelique, que não parou de dizer como Edgar era divertido e como Anabel se parecia muito com ela. Eu gostava de ver a minha amiga tão animada assim.  Christopher  — Você é um i****a! — Anahi berrou quando entramos em seus aposentos. — Era para ter deixado claro que não voltaria a ver a Dulce!  — Christopher, o que aconteceu? Você disse que acabaria com tudo esta noite. — Edgar disse.  — Eu sei, mas eu não consegui. Eu não posso simplesmente desistir da Dulce.  — Sim, você pode! — minha irmã estava bem irritada. — Você está sendo extremamente egoísta. Sabe que não pode ficar com ela e está alimentando as esperanças de uma moça que não merece nenhuma ilusão como essa. Você vai se casar, Christopher. Se tornará rei e eu tenho certeza que a Dulce não vai aceitar ser a sua amante.  — Nesse ponto, princesa, talvez até dê certo. — Edgar falou. — Muitas mulheres matariam para serem amantes do rei. Talvez Dulce tenha seu preço.  — Como se atreve a falar assim dela? — levantei o tom de voz. — Quer que eu mande cortar a sua língua?  — E com isso provamos que não vai dar certo. — ele completou. — Se sabe que ela não é disso, sabe que não haverá um futuro. Esse romance já tem o seu ponto final mesmo antes de começar.  — Eu não quero pensar nesses detalhes agora. Por hora, eu vou continuar vendo a Dulce, continuarei seguindo o meu coração e depois eu penso como conciliar o Daniel com o Christopher.  — A única coisa que você vai conseguir é juntar os cacos do coração da Dulce depois que você quebrá-lo. — Anahi me olhou séria. — Eu nem quero mais me envolver nessa história.  — Ótimo! — declarei. — Tenha uma boa noite, irmã. — saí do quarto dela sendo seguido por Edgar.  — Acha que está certo? — perguntou.  — Eu não quero mais ouvir as críticas de ninguém. Maldita hora que vocês foram envolvidos nisso.  — Talvez você precise de uma voz consciente para alerta-lo sobre as besteiras que faz.  — Boa noite, Edgar. — entrei em meus aposentos e fechei as portas sem esperar resposta da parte dele.  Seria difícil, eu sabia disso, mas quando eu me tornasse rei, teria controle sobre tudo em Seráfia e daria um jeito de esconder a minha identidade. O que eu estava começando a sentir pela Dulce era forte demais para ser jogado fora. E eu a vi no dia seguinte e no dia depois desse também. Já era rotina acordar e ansiar para que o fim de tarde chegasse e eu pudesse vê-la, beija-la e dizer o quanto era linda, por dentro e por fora. Era inegável o fato de eu estar totalmente aos pés dela.  ••• Meu pai saiu para sua viagem e eu finalmente pude respirar um pouco sem ele aqui para me pressionar sobre os treinamentos para o trono. Sem a sua presença, eu assumiria a liderança do reino por alguns dias até o seu retorno.  Substituir o meu pai por alguns dias era algo fácil, que eu já havia feito outras vezes. Nada comparado a ter que lidar com tudo pelo resto da minha vida.  Sentado no trono, eu ouvia os contadores relatarem sobre a coleta dos impostos daquele mês.  — Alguns aldeãos não tinham moedas o suficiente, alteza. — um deles disse.  — E o que fizeram? — perguntei.  — Pegamos todas que encontramos nas casas.  — O que? Não... não... — balancei a cabeça negativamente. — Essas pessoas precisam se alimentar, como ousaram tirar o pouco que tinham? — aquela falta de empatia me deixava irritado. — Quero que mandem o dobro do que tiraram deles de volta, com um pedido oficial de desculpas da parte da realeza. Preparem as cartas de desculpas e eu assinarei.  — Mas alteza, os impostos... — o interrompi.  — Os cofres reais estão cheios. Nada vai faltar, nem para nós, nem para o resto do reino. E acho bom acostumarem-se com os meus métodos, já que em breve assumirei como rei. — eles apenas assentiram.  Aquela manhã foi estressante e cansativa e quando tudo acabou, eu suspirei em alívio por poder pegar o meu cavalo e sair por aí.  Antes que eu pudesse levantar do trono, as portas principais foram abertas e Faustus entrou, acompanhado de dois guardas que não eram do reino.  — Alteza?  — Sim, Faustus? — O senhor tem visitas! Tenho a honra de apresentar a princesa Eliza, de Atenas. — declarou e logo eles abriram espaço.  — Porra... — resmunguei para mim mesmo.  Eliza entrou, mais elegante do que nunca, mantendo uma pose ereta e um sorriso satisfeito em seu rosto. Atrás dela, serviçais carregavam as suas coisas. Roupas demais para uma simples visita.  — Como vai, meu noivo? — ela chegou mais perto de mim e eu fiquei de pé.  — Muito bem. — curvei-me diante dela. — E vossa alteza, como está? — eu me recusava a chamá-la de "noiva".  — Ótima! — sorriu. — Meu pai fez uma viagem para um reino vizinho, creio que o mesmo local onde seu pai encontra-se. Eu detestei a ideia de ficar naquele enorme castelo sozinha e imaginei que estivesse sozinho também. — ela tocou o meu peito sutilmente. — Podemos fazer companhia um para o outro. — ela sabia que eu tinha a minha irmã, certamente estava aqui para conhecer sua futura moradia e certificar-se de que era tão boa quanto a atual.  — Que... ideia incrível. — sorri forçadamente. — Trouxe muitas roupas. — apontei para os serviçais.  — Sim, eu preciso estar sempre impecável para o meu futuro marido. Espero que me coloque em aposentos bem próximos aos seus. — sussurrou.  — Faustus, leve os serviçais até os aposentos ao lado dos meus. A princesa ficará lá. — péssima ideia, eu sabia. Mas se eu desagradasse aquela moça, meu pai ficaria furioso.  Infelizmente, teria que aguentar a presença de Eliza sem protestar contra aquilo.
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