Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Lá fora a noite já vinha se aproximando. O céu começava a escurecer e a chuva fina e constante caía no para brisas do carro. Meu pai dirigia com minha mãe ao seu lado; segurava a mão dela o tempo inteiro fazendo pequenos círculos na costa de sua mão com o polegar. Eu permanecia ali, distraída, olhando pela janela, absorta em meus pensamentos. Não me animava em nada a ideia de ter de voltar para a capital após o feriadão da semana da pátria.
Era normal naquela época do ano, minha família e a família de Lucas, meu melhor amigo, viajar para o interior do estado em busca de um pouco de paz e sossego; fugir da muvuca da capital era parte de nosso ritual anual.
Por isso, pegávamos o maior de nossos carros, com a capacidade para sete passageiros, embarcávamos nele rumo a uma cidade pequena e pacata, onde meus pais tinham uma charmosa casa de campo. Era fantástico passar os dias naquele lugar.
Retornar para casa era a parte difícil. Mesmo com as aulas da pós graduação suspensas, Lucas e eu ainda tínhamos que encarar o trabalho; a vida de adulto. Tudo voltaria ao normal no dia seguinte.
- Olha só, Nat! – Meu pai me despertou de meus pensamentos. Apontava lá para fora do carro, mostrando um de nossos lugares favoritos. Hípica onde costumávamos vir quando eu era criança. – Continua tudo igual quando você era criança.
Me estiquei em meu assento para enxergar melhor, enquanto ele desacelerava para apreciar melhor a vista.
Nem lembro quando foi a última vez que estivemos aqui.
- Verdade. Gostaria de voltar aí qualquer dia desses... dá saudade, sabe? Nem sei se ainda lembro como cavalga. – Falei me enfiando entre os bancos da frente, como fazia quando era criança.
- Podemos vir no ano que vem, o que acha? – Perguntou a mim, observando que eu estava perto demais.
- Acho uma ótima ideia, papai. – Respondi a ele com um sorriso no rosto.
– Agora, coloque o cinto, querida, estamos em uma rodovia perigosa.
- Vou colocar. – Voltei ao meu lugar e afivelei o sinto, mesmo contra a vontade. Eu estava entediada.
- Obrigado. – Ele falou, me olhando pelo retrovisor.
O largo sorriso de minha mãe sempre surgia em seu rosto quando nos via interagindo. Em apenas um sussurro percebi ela dizer:“eu te amo” para ele.
—Também, querida. – Levou a mão dela aos lábios e depositou um beijo leve.
Lucas estava ali ao meu lado, mas parecia muito absorvido pela leitura que fazia. Tinha em suas mãos o livro “O Senhor dos Anéis”; era bem o estilo de leitura dele mesmo. Desde criança Lucas gosta de livros de fantasia. Estava com os cabelos bagunçados e totalmente imerso no universo da Terra Média.
Seus pais estavam nos últimos assentos, atrás de nós. Ambos cochilavam tranquilamente.
De repente, um barulho de batida chamou a minha atenção:
O que foi isso, papai?
- Não foi nada, querida. – Respondeu com a voz preocupada.
Como assim, nada?
Neste momento o carro começou a perder o controle e um som muito alto, parecendo um pneu estourando assustou a todos nós.
Ouvi minha mãe gritando para meu pai.
- Freia!
- Estamos sem freio!
- Oh, meu Deus!
- Natasha!
- Mãe! Pai! O que tá acontecendo? – Minha voz era desesperada assim como a de meus pais.
Os pais de Lucas também começaram a gritar em desespero. Lucas e eu nos olhávamos sem saber exatamente o que fazer.
- Lucas – a mãe dele chamou, aflita.
O carro começou a capotar. Nossos corpos foram chacoalhados, presos apenas pelos cintos de segurança.
Não sei dizer exatamente quantas vezes o carro capotou, mas foram muitas vezes. Quando finalmente parou, senti um filete de sangue escorrer pelo meu rosto, toquei com as pontas dos dedos tentando avaliar o estrago. Tudo estava doendo. Lucas também estava machucado. Não consegui ver todos de onde eu estava; o carro estava virado, com as rodas para cima.
Meu ouvido zumbia com os gritos e não conseguia entender nada do que se passava ao meu redor. Tudo era um borrão. As vozes distantes...
- Lucas! Como você está?
- Tire a Natasha daqui, amor! – Ouvi minha mãe gritar.
Senti as mãos fortes de alguém tirarem o meu cinto e desabei no teto que agora era o chão do carro. Meu pai me puxou para fora me carregando no colo, como fazia quando eu era apenas uma garotinha.
De repente tudo começou a ficar acelerado demais. Em segundos eu estava fora do carro e olhava tudo de longe, mas não conseguia identificar ninguém, devido à escuridão da noite. As vozes em minha cabeça repetiam gritos de agonia e choro.
Me senti tonta e fechei os olhos tentando organizar meus pensamentos que, hora era acelerado, hora lento. Apalpei ao lado de onde estava sentada no chão para reconhecer o lugar e percebi que estava perto de uma árvore
Parei por alguns segundo e me concentrei em prestar atenção nas vozes de todos. Foi quando percebi um pequeno foco de princípio de incêndio; meu coração quase saiu pela boca. Tentei levantar para correr e ajudar, mas minha perna estava muito machucada.
Meu Deus! Fogo!
- Mãe! Pai! – Comecei a gritar desesperada. – Fogo!
Lágrimas escorriam em meu rosto e minha voz foi ficando cada vez mais abafada pelo som dos outros gritos. Tentei novamente levantar, em vão.
Meu pai conseguiu retirar Lucas, que estava em estado pior que o meu. Vi muito sangue em sua camisa e ele estava zonzo. Colocou ao meu lado e disse:
- Cuide dele, minha filha! Não esqueça que eu te amo demais!
- Pai! – Foi só o que consegui dizer em meio as lágrimas que insistiam em sair sem controle algum.
- Calma, querida! Vai ficar tudo bem. – Acariciou meu rosto e voltou para resgatar os demais. Ele entrou novamente no carro para tentar tirar minha mãe e os pais de Lucas. As chamas estavam aumentando. Olhei para ele em desespero, o carro estava sendo tomado pelas chamas.
- Papai! Mamãe! – Gritei quando meu pai sumiu ao entrar no carro. Não ouvi resposta. O cheiro forte de combustível me deu náuseas; era forte demais. Lucas e eu nos arrastamos para o mais distante do carro.
Assim que conseguimos distanciar um pouco, voltamos a atenção ao carro... nada do meu pai sair. De repente, uma explosão muito forte. O fogo se alastrou por todo o carro.
- Lucas! – Falei em um sussurro que não sei ao certo seu ele ouviu.
Nos abraçamos, chorando copiosamente. Nossos corpos sacudiam freneticamente. Não havia mais o que fazer. Não sei dizer quanto tempo ficamos ali, abraçados, chorando e tentado nos consolar, mas foi bastante tempo.
Por sorte, estávamos a uma distancia segura do carro e sem riscos de sermos afetados pelas chamas. Minha cabeça girava, meu corpo tremia e doía demais. Nós estávamos sujos de nosso próprio sangue e de repente tudo foi ficando distante e os sons foram diminuindo e eu entrei em um estado de torpor.
***
Quando abri os olhos, ouvi sirenes distantes. Não sabia ao certo quanto tempo havia se passado. Minha cabeça doía. Olhei para o lado e vi Lucas ali, deitado ao meu lado. Me arrastei para ficar mais perto dele e me apoiei no cotovelo para colocar meu ouvido em seu peito e ouvir seu coração bater.
O som das sirenes estava cada vez mais próximo a nós.
Fiz uma oração silenciosa:
“Deus, ajude eles a nos encontrar logo.”
Olhei para o carro que agora estava com chamas baixas, quase nada...
- Meus pais... – sussurrei voltando a chorar desesperadamente de novo. – Não sobrou ninguém.
NÃO PASSE PARA O PRÓXIMO EPISÓDIO - NÃO ESTÁ PRONTO E REVISADO.
A HISTORIA SERA MUDADA.
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Prezados Leitores,
Peço que leiam com atenção este pequeno texto.
Ninguém é obrigado a ler o que escrevo, mas se você decidiu ler, peço que atente às notas finais que serão deixadas no término dos episódios.
Faço um tratamento de saúde e por essa razão, demoro um pouco mais que o normal para revisar os livros. No entanto, sempre deixo uma mensagem no final do episódio indicando quando estará atualizado para que vocês não gastem moedas desbloqueando um episódio que não está pronto para ser lido.
Escrever me ajuda a esquecer um pouco todo o drama que estou vivendo, mas ultimamente, devido a esses comentários, estou repensando se vale mesmo a pena continuar. Não estou pedindo elogios; estou pedindo um pouco de empatia. Apenas isso.
Não vai doer nada em você se precisar esperar alguns dias até sair o próximo episódio revisado
Estou escrevendo essa mensagem a vocês porque estou cansada de receber tantos comentários tóxicos. Todos os dias tem alguém deixando um comentário grosseiro a fim de me ofender ou diminuir o meu trabalho.
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