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1158 Palavras
Depois que Mário saiu, o silêncio voltou a tomar conta do quarto de Bianca com ainda mais peso. Ela ficou sentada na cama por alguns minutos, imóvel, encarando um ponto qualquer da parede. As lágrimas tinham parado, mas o rosto ainda carregava o rastro do que ela tentou esconder. Ela respirou fundo. Levantou devagar. Foi até o banheiro, lavou o rosto com água fria mais uma vez, como se isso pudesse apagar o que sentiu minutos antes. Olhou o próprio reflexo no espelho. — Você vai aguentar… — ela sussurrou para si mesma, quase sem som. Não era coragem. Era sobrevivência. Ela voltou para o quarto, escolheu uma roupa simples e passou o resto da manhã em silêncio. Sem ler. Sem música. Só existindo dentro daquele espaço grande demais. Lá fora, a mansão continuava funcionando como se nada tivesse acontecido. Funcionários andando discretos pelos corredores. Mário em reuniões. O mundo dele girando normalmente. Mas dentro dela… tudo parecia mais lento. Mais pesado. --- No fim da tarde, Bianca desceu até o jardim. Dessa vez não levou livro. Sentou no mesmo banco de sempre, mas ficou só olhando as flores. O vento mexia levemente seu cabelo, e por alguns minutos ela apenas respirou, tentando se manter estável. Do escritório, Mário a observava pela janela. Parado. De mãos nos bolsos. Ele não descia. Só olhava. E isso já tinha virado um hábito estranho entre os dois — distância constante, presença silenciosa. Bianca não olhou para cima. Mas sentia. --- À noite, a mansão mudou de atmosfera. Tudo ficou mais organizado, mais formal. A chegada dos pais de Mário trouxe movimentação, vozes, passos. O tipo de evento que exigia aparência perfeita. Bianca se preparou no quarto com calma. Escolheu uma roupa elegante, simples, sem exagero. Quando desceu, já estava com o rosto neutro, controlado. Mário a esperava no hall. De terno. Impecável como sempre. Mas os olhos dele pararam nela por um segundo a mais do que o habitual. — Eles já chegaram — ele disse. — Tudo bem — Bianca respondeu. E juntos desceram para recebê-los. Lado a lado. Sem toque. Sem conversa desnecessária. Depois que Mário saiu, o silêncio voltou a tomar conta do quarto de Bianca com ainda mais peso. Ela ficou sentada na cama por alguns minutos, imóvel, encarando um ponto qualquer da parede. As lágrimas tinham parado, mas o rosto ainda carregava o rastro do que ela tentou esconder. Ela respirou fundo. Levantou devagar. Foi até o banheiro, lavou o rosto com água fria mais uma vez, como se isso pudesse apagar o que sentiu minutos antes. Olhou o próprio reflexo no espelho. — Você vai aguentar… — ela sussurrou para si mesma, quase sem som. Não era coragem. Era sobrevivência. Ela voltou para o quarto, escolheu uma roupa simples e passou o resto da manhã em silêncio. Sem ler. Sem música. Só existindo dentro daquele espaço grande demais. Lá fora, a mansão continuava funcionando como se nada tivesse acontecido. Funcionários andando discretos pelos corredores. Mário em reuniões. O mundo dele girando normalmente. Mas dentro dela… tudo parecia mais lento. Mais pesado. --- No fim da tarde, Bianca desceu até o jardim. Dessa vez não levou livro. Sentou no mesmo banco de sempre, mas ficou só olhando as flores. O vento mexia levemente seu cabelo, e por alguns minutos ela apenas respirou, tentando se manter estável. Do escritório, Mário a observava pela janela. Parado. De mãos nos bolsos. Ele não descia. Só olhava. E isso já tinha virado um hábito estranho entre os dois — distância constante, presença silenciosa. Bianca não olhou para cima. Mas sentia. --- À noite, a mansão mudou de atmosfera. Tudo ficou mais organizado, mais formal. A chegada dos pais de Mário trouxe movimentação, vozes, passos. O tipo de evento que exigia aparência perfeita. Bianca se preparou no quarto com calma. Escolheu uma roupa elegante, simples, sem exagero. Quando desceu, já estava com o rosto neutro, controlado. Mário a esperava no hall. De terno. Impecável como sempre. Mas os olhos dele pararam nela por um segundo a mais do que o habitual. — Eles já chegaram — ele disse. — Tudo bem — Bianca respondeu. E juntos desceram para recebê-los. Lado a lado. Sem toque. Sem conversa desnecessária. Mas com uma tensão silenciosa entre os dois que ninguém ali seria capaz de perceber de verdade. Porque, por fora, eles eram o casal perfeito. E por dentro… ainda estavam aprendendo a sobreviver no mesmo espaço sem se perder completamente. Bianca respirou fundo e manteve o sorriso leve no rosto, mesmo sentindo aquele peso habitual de estar sendo observada. — Boa noite, senhora Jéssica. Boa noite, senhor Mateus — ela disse com educação. — Boa noite, Bianca — Jéssica respondeu com um sorriso calmo. — Como está sendo a vida de casados de vocês? Por um segundo, o ambiente pareceu ficar mais atento. Mário, ao lado, ficou em silêncio. Bianca não hesitou. — Está sendo ótimo. Por favor, sentem-se. A resposta saiu firme, controlada, quase ensaiada — como se ela já soubesse exatamente o papel que precisava desempenhar ali. Jéssica sorriu satisfeita, enquanto Mateus apenas assentiu, observando o casal com aquela atenção típica de quem conhece demais o próprio filho para acreditar em qualquer coisa superficial. — Que bom ouvir isso — Jéssica comentou, sentando no sofá. — Casamento exige adaptação, mas vocês parecem bem. — Sim — Mário respondeu por fim, seco, mas educado. — Está tudo sob controle. Bianca manteve o olhar calmo, as mãos juntas no colo, enquanto o clima seguia com conversas leves. Falaram sobre negócios, viagens, algumas lembranças antigas de família. Tudo cuidadosamente distante de qualquer assunto pessoal demais. Bianca participava quando necessário, sorria quando era esperado, e permanecia presente sem chamar atenção — algo que já começava a se tornar um hábito para ela naquela casa. De tempos em tempos, Jéssica olhava para Bianca com curiosidade silenciosa, como se tentasse entender melhor aquela jovem tão polida, tão correta… e ao mesmo tempo tão difícil de ler. Mário, por outro lado, falava pouco. Mas observava tudo. Principalmente Bianca. Cada gesto contido. Cada resposta controlada. Cada vez que ela parecia “perfeita demais” para aquele ambiente. --- Quando os funcionários anunciaram que o jantar estava pronto, todos se levantaram. O grupo seguiu para a sala de jantar. A mesa já estava posta com perfeição: talheres alinhados, taças brilhando sob a luz suave do lustre, e um clima de formalidade que combinava com os quatro. Bianca se sentou ao lado de Mário, como esperado. Os pais dele em frente. E o jantar começou. Conversa leve, pratos sendo servidos, elogios discretos à organização da casa. Mas, sob toda aquela aparência de normalidade… havia algo invisível acontecendo entre Mário e Bianca. Não era conversa. Não era toque. Era apenas presença. Constante. Silenciosa. E cada um deles, do seu próprio jeito, tentando parecer que aquilo era apenas um casamento comum — enquanto lidavam com tudo o que não podia ser dito naquela mesa.
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