20

1976 Palavras
O lugar que ficaremos era lindo, eu olhava os carros passar ao lado, na rodovia ansiosa, Tonto e Dae vinham no carro atrás de nós, estavamos a trocar mensagem como um casal bobo de livros de romance. "Vai deixar eu te carregar pra água?" " É um passeio Taeyoun, não um casamento!" " Faria se fosse um casamento então..?" "....?" " ahahhaha não vou te pedir em casamento!" " Ah.." " ainda não poh" Senti minhas bochechas queimarem e desliguei o celular nos falaríamos só quando chegasse lá. Esse i****a fala cada coisa, as vezes penso que gosta de me deixar sem jeito. Uma hora depois, chegamos ao hotel que ficaríamos, era bem bonito e simples, a praia estava a vinte minutos de caminhada de nós, eu ja sentia meus pés afundados na areia. Depois do check in, marquei de ir caminhar na praia com Tom, e ele só concordou. Tinha algo errado com ele, parecia triste, desanimado. Tem algo que ele não ta me contando, eu só to que algo aconteceu mas ele não me falou. (....) — Você está tão estranho... - Segurei sua mão e ele sorriu fraco. — Eu também acho... Me desculpa — Você quer conversar? — Eu nem sei o que falar... — Tenta... eu vou te ouvir — Eu... Não sei bem... Como eu devo definir o que a gente tem... Em vez de fazer bem esta nos ferindo aos poucos mas nos dois negamos isso e fingimos não ver... Um sentimento de culpa e duvida... — É as vezes sinto o mesmo... Quero estar preto de você, fico segurando toda essa confusão dentro do peito pra não jogar toda a minha paz no lixo... Eu precisei de muito pra abrir mão do passo que eu amei... Pra amar você e só fingir que nada aconteceu... Ou que nunca aconteceu... — E ai... Eu fui e cravei uma faca no seu peito, fingindo ser outra pessoa esse tempo todo, tentando só estar preto de você e me lembrar de alguma coisa... Fazendo você voltar atrás e mexer nessa ferida...essa culpa... — Estamos arriscando tudo juntos dessa vez, não só você, nem só eu... — Isso ta acabando comigo... Você não me olha mais como estava me olhando... Você ta com aquele olhar de quando nos conhecemos, como se procurasse outra pessoa através dos meus olhos... — Sinto muito... Eu não queria que parece isso... — Não é culpa sua, é minha... Eu não quero ficar te machucando, se eu me lembrar de tudo vai ser ótimo... Mas se eu não lembrar por mais tempo ou nunca... Eu vou ter feito isso com você... E vou sempre receber esse olhar... Eu também estou me ferindo e eu achei que não ia me importar...eu não estava...até você começar a me olhar desse jeito de novo... essa confusão ta fudendo a minha cabeça. — Não precisamos fazer isso... — Mas eu não quero desistir... Por isso essa confusão... Eu to entre a cruz e a espada... O pouco que me lembrei... Aquele dia a forma que você me olhava... Eu quero sentir esse calor de novo... Esse carinho... Eu antes achava que bom, eu era uma pessoa e "ele" era outra mas sou eu, inteiramente eu... É só naquela lembrança, aquele pequeno flash que eu consigo me sentir completo... — Eu não quero desistir, sofreremos essa juntos também! Eu estou mais forte que antes eu sei disso e eu fraquejei ao deixar a saudade influenciar na forma que eu olho pra você... Mas eu precisa ser sincera com uma coisa... — Eu também via vocês como pessoas diferentes... Mas depois que resolvemos tentar, as poucas diferenças... Mínimas na verdade e a forma que você age... Fala e me olha... Que cômico, conversamos por olhares agora? - ele sorri, deixando uma pequena lágrima cair pela ponta de seu nariz. — Eu quero fazer isso, mas sem essa culpa de poder deixar você ferida pra sempre ou até onde a gente durar... — Eu não terminei de falar Jeon! - Ele sorri largo por chama-lo pelo sobrenome. — Uma parte sua ta perdida, é você, desde que acordou é você e eu me apaixonei por você mais uma vez... E eu não ligo de passar mais alguns meses tentando resgatar as nossas memórias juntos, se eu puder criar mais algumas com você, o você que eu posso sair e conversar... Que é real e de carne e osso... — Eu me lembro de momentos através de fragmentos... Mas não consigo lembrar da gente... Isso é tão injusto! - Ele funga. — Vai dar certo...- O abracei forte e deixei cair uma lágrima. Era como um sonho dentro de um pesadelo, de volta a dor, mas agora eu não estava sozinha, agora eu podia ter esperança e entendia que tom não se foi, ele ta aqui comigo, só precisa acordar. (...) ** 12 Chamada perdida Numero desconhecido** Ao ver aquilo retornei a ligação, uma voz nada famíliar atendeu. — Quem é? — Ah... É então... Como eu devo me apresentar afinal, Seu primo Jackson...A vovó pediu pra te ligar.... — Jackson? — É... Isso... Jackson seu primo... Tipo filho do filho dos nossos avós... — Jackson... É ok... Olha é que Eu estou meio ocupada aqui, pode me chamar por mensagem conversamos melhor depois tudo bem? — Sem problema, por favor... Se puder vir até a casa vovó, ou me passar seu endereço pra que possamos nos conhecer devidamente seria legal... — Sim, claro sem problemas, vamos combinar isso melhor, até mais. Desliguei e fiquei pensativa, e claro feliz, minha familia não é grande eu não conheci muitos deles, ou quase ninguém. Terminei de me vestir, e fui rumo ao restaurante do hotel, Tom já me esperava na porta e fomos juntos. Falei na mesa sobre a ligação de Jackson, minha mãe sugeriu que no próximo final dr semana fossemos, para lá. — Ah o seu primo faz tanto tempo que nai vejo ele... Da ultima vez que vi ele era bem pequeno... Você vai gostar dele, vocês dois, alias Guil come direito garoto só macarrão não sustenta! — Estou comendo a carne também! — Certo, estou de olho! - Rimos. — Ah... O Tomy pode ir com a gente? — O que eu? — Claro que pode! - minha mãe diz. — Calma, é um encontro familiar... Eu não quero ficar sobrando... — Não vai ficar sobrando... Não fala besteira. - Disse a ele segurando sua mão por baixo da mesa. — Você pode ir também se quiser! - Minha mãe diz a Denn. — Não... Obrigado mas eu raramente tenho tempo, e eu sacrifiquei o próximo final de semana pra estar livre agora... (...) Na manhã seguinte, tomamos café, e fomos para praia aproveitar a água e o sol. — Passa protetor aqui por favor? - Pedi a Tomy uma ajuda, por não alcançar as costas. — Oh que engraçado... — O que? — Você tem uma manchinha nas costas que parece um coraçãozinho bem pequeno... Rainha de copas... — O que disse? — Droga... Minha cabeça... Bell — Calma respira... Não segura respira fundo, e repete o que você disse... — Rainha de copas... — É... Isso você ja tinha dito isso um vez! — Eu vou desmaiar de novo? — Já ta pálido como uma vela talvez sim... Tenta segurar...sei lá respira fundo consegue lembrar de mais alguma coisa? — Você gritando comigo... Ele diz baixinho e vejo que ele vai desmaiar, o coloquei deitado no meu colo, os óculos escuros que ele ja usava disfarçou seus olhos fechados. Senti um frio na barriga, esse dia eu briguei com ele a primeira vez que ele escreveu no box de vidro, e me viu nua de costas mas em vez de reparar no meu traseiro ele viu essa mancha nas minhas costas e disse " Você é a rainha de copas", me assustou e levou uma bronca logo depois. (...) O final de semana acabou com um churrasco na praia a noite, estava tão quente e confortável bebemos todos juntos e cantamos por horas até todos estarem exaustos. E na manhã seguinte estávamos voltando pra casa, nem percebi o caminho, acordei na minha cama e ainda era manhã. Procurei meu irmão e minha mãe pela casa e aquele silencio estranho foi quebrado por um ronco alto, e era do meu irmão estavam dormindo ainda. Fiquei com fome fiz um sanduíche simples, só tinha queijo e tão torrei na frigideira e depois coloquei o queijo, como queria ele derretido deixei tampão um tempo começou a cheirar a pão queimado, e na tentativa de fazer silêncio e algo pra comer alguma coisa tinha que dar errado, desliguei o fogo e na hora de tirar a tampa queimei a mão com o vapor e derrubei a tampa. Peguei meu pão com queijo em um prato que estava por ali, aparentemente limpo e Fui pro quarto segurando riso. — Caraca... Meu celular notificou mensagem e notei ser de numero desconhecido, provavelmente o meu primo, e realmente era. Falei com ele em relação a visita e estava tudo combinado, entre alguns assuntos aleatórios ele comenta que estava estressado, por que nem fora de casa tem paz a sua irmã adotiva mais nova, fora junto to com ele para casa da vovó, e ela é muito chata, e pelo que ele me contou sobre ela eu não duvidava que seja de toda sinceridade que por um fio ele não arrancava os cabelos. Claro que eu fiquei bem curiosa, ele tem uma irmã mais nova adotiva, e provavelmente minha mãe não sabe ja que ela não falou nada sobre. E ele disse que ela foi adotada com seis anos, e hoje ja tinha dezoito e ele tem vinte e dois, não é uma idade distante mas mesmo assim eles não se dão muito bem. Me bateu uma certa preocupação em como eu iria me dar com essa "prima". — Acho que se ela for insuportável assim comigo eu vou acabar partindo pra agressão... - Bloqueei a tela do celular e me levantei, olhava pela janela minhas mudas de flores dando seus pequenos sinais de vida, ainda eram tão pequenas. Escuto o celular vibrar era Tom me ligando. — Oi, como você esta? - atendi de imediato e perguntei. — Ah... Então é o Denn, Bell meu irmão não ta nada bem... Eu to no hospital ele ta internado de novo... Eu sei que iria querer saber... - A voz de Denn estava chorosa e baixa. — O-o que aconteceu? — Ele só não acordou mais depois que chegamos, fomos descansar da viagem ele subiu pro quarto... Deitou e não acordou mais... Parecia que não estava respirando... Eu vim direto pra cá... Bell? Bell diz alguma coisa... — E-Eu to indo... Eu vou praí! (...) Horas se passaram e ele ainda dormia, o medico explicou que esses desmaios são como pequenas convulsões muito sutis nas causam lesões no cérebro que pode acabar deixando danos permanentes, um efeito colateral da cirurgia que ele teve que fazer na época do acidente. — Mas não da pra controlar desmaios... — Não se preocupem, tem tratamento, estamos cuidando disso, mas poderia ter sido evitado lesões ja causadas se tivessem vindo no primeiro desmaio... - Dae e eu nos olhamos, culpados, ambos ignoramos isso, e não trouxemos ele pra saber o problema por medo de ele ficar internado de novo e foi exatamente isso que causamos. — Eu quero ver ele... — Ele ainda esta desacordado... — Não tem problema... Só quero ver ele... (...) Fiquei encarando o rosto pálido de Tom, me sentindo culpada, isso ia ficar acontecendo mesmo sem ele estar se lembrando de alguma coisa, e podíamos ter evitado tantos desmaios, e lesões. — Que d***a Tonto... Sempre acabo estragando tudo... Fiquei acariciando seus cabelos, ele parecia bem, mas estava tão pálido.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR