CAPITULO 23

1263 Palavras
LOUISE SANTORO Passei o dia com Helena e Beatrice. Tenho a absoluta certeza de que algo está errado com a Lena; ela não me contou tudo só porque a Bia estava por perto. Conheço a Helena como a palma da minha mão e sei distinguir quando algo a consome por dentro. Desta vez, sinto que o assunto é sério; nada a animou hoje, e ela é, de longe, a pessoa mais radiante que conheço. BEATRICE: — Lou, você bem que poderia tentar se dar bem com meu irmão. Só para tentar arrancar dele quem é a pessoa com quem fui prometida. Ele não me fala nada e o Enzo, então... esse nem na minha cara olha. — Bea, eu te adoro, mas se você depender disso para não morrer de ansiedade, já pode encomendar seu caixão. Ela bufa e se afunda na cadeira. Tenho uma leve impressão de que ela foi prometida a alguém muito próximo da nossa família. BEATRICE: — Vou ao banheiro e já volto. Assim que ela se afasta, aproveito a brecha para confrontar a Helena. — Lena, o que está acontecendo? Você está triste e não é assim. Quer conversar? HELENA: — Vou me casar daqui a três semanas. Algo dentro de mim já suspeitava, mas não é apenas o casamento que a corrói. Ela sempre soube que isso era inevitável. — Então é só isso? HELENA: — Ele tem o triplo da minha idade, um velho nojento, Lou! Eu não acredito que meu pai fez isso comigo por causa de uma droga de uma dívida de jogo com esse homem asqueroso. Ele tentou passar a mão em mim no dia do noivado... eu senti tanto nojo que a única coisa que consegui fazer foi chorar. Agora, vou ter que ficar presa a esse velho até que a morte nos separe. Eu não sei o que pedir a Deus: que ele morra logo ou que eu morra antes de ser tocada por ele. Sinto um frio na espinha. Como o pai dela pôde destruir a vida da própria filha? — Não faz sentido, Helena. Nossas famílias possuem um patrimônio antigo e imenso na Rússia. Como seu pai conseguiu acabar com tudo isso? E o que o Klaus fez em relação a isso? HELENA: — Nada! — Nada? Como ele pôde deixar o pai fazer isso? Que espécie de irmão permite que algo assim aconteça com a irmã mais nova? HELENA: — Parece que minha família não dá a mínima para a minha vida. Meu pai só sabe me pedir desculpas. Já o Marco... tudo o que vejo quando olho para ele é satisfação; ele deve estar amando me ver nesse estado. E o Klaus? Ele nem tocou no assunto comigo, inclusive, tem me evitado. Paramos de falar quando a Bia volta, mas o desespero nos olhos da minha amiga é palpável. Eu jamais perdoaria meus pais se fizessem isso comigo. O restante do dia foi um borrão de compras e passeios. Ao chegar em casa, tomo um banho e desço para jantar com o Caio, mas meus pensamentos ainda estão em Helena. Sinto-me impotente por não poder ajudá-la. CAIO: — Está cansada? — Não! CAIO: — Vem assistir a um filme comigo. Sento-me ao lado dele e, claro, ele coloca um filme de terror. A cada susto, meu coração dispara até que o cansaço vence e adormeço no sofá. Tive um pesadelo horrível por causa do filme. Acordo de supetão quando uma trovoada rasga o céu. Meu coração martela contra o peito e sei que não vou conseguir dormir sozinha. Tomo coragem e vou até o quarto do Caio. Abro a porta lentamente e vejo-o se mexer. — Está acordado? CAIO: — Sim. O que houve? — Não consigo dormir. Se importa se eu ficar aqui esta noite? CAIO: — Não. A cama é grande, dá para nós dois sem problemas. Caminho devagar. Seus olhos me analisam com uma cautela que me deixa intrigada. Deito-me distante, virada de costas, mas, antes que eu possa fechar os olhos, sinto suas mãos me agarrando e puxando-me contra o peito dele. Não protesto; pelo contrário, aninho-me em seus braços e apago, sentindo-me protegida. Acordo bem cedo e Caio ainda dorme serenamente. Levanto-me sem fazer barulho. Hoje é aniversário de casamento dos meus sogros e eles darão uma festa. Marquei um salão cedo para ir com a Helena, já que ela e o Klaus também irão. — Bom dia, Marina. Hoje não vou almoçar em casa. O Caio ainda está dormindo, então não sei se ele irá. Beijos, tenha um bom dia. Dou um beijo na testa dela e saio. Encontro Helena no salão. HELENA: — Achei que o gostosão tinha acabado com você ontem à noite e, por isso, você não tinha acordado ainda! — Bom dia para você também, Helena! (Risos). Saímos do spa renovadas. Fizemos de tudo, desde massagens relaxantes até uma maquiagem impecável. Só faltava colocar o vestido. Quando chego em casa, encontro um silêncio absoluto. Subo e escolho um vestido de cetim azul-celeste, com alças finas e costas abertas. Ele é bem rente ao corpo, modelando cada uma das minhas curvas. Prendi o cabelo em um r**o de cavalo elegante. Quando chego na sala, vejo o Caio parado perto do bar com um copo de whisky. CAIO: — Está linda, Lou. — Como você sabe, se nem me viu ainda? Ele se vira, olha-me dos pés à cabeça e se aproxima. Sinto sua respiração quente contra minha pele, fazendo cada pelo do meu corpo se arrepiar. CAIO: — Como eu disse: linda. Vamos. Pela primeira vez, saímos sem motorista. Chegamos à casa dos pais dele e a residência está um espetáculo, parecendo um verdadeiro salão de baile. AMÉLIA: — Louise, é tão bom te ver! Você está divina, querida. — Obrigada, Amélia. Você, como sempre, está perfeita. Fico conversando com meus sogros até que vejo a Helena chegar com o Klaus. Ela está radiante. HELENA: — Boa noite, obrigada pelo convite, dona Amélia. E feliz bodas de ouro. AMÉLIA: — Que nada, minha querida. É uma pena que o pai da Helena não tenha podido vir. Ué, por que o pai da Helena não veio? BEATRICE: — Boa noite, família! A noite corre perfeitamente. Tiramos fotos, dancei com todos e bebi um pouco demais, embora esteja longe de estar bêbada. CAIO: — Será que a última dança pode ser comigo? Tomo um susto com a voz dele tão perto do meu ouvido. — Achei que não fosse me convidar. Vamos para a pista e sinto todos os olhares sobre nós. Estou morrendo de vergonha. CAIO: — Você está incrivelmente linda hoje. — Quer dizer que nos outros dias eu estou feia? CAIO: — Acho que isso é impossível. Você sempre está linda. Como está indo na faculdade? Tem gostado? — Demais! Foi estranho no começo, mas já me adaptei. Por que está me olhando assim? CAIO: — Não sei por que, sempre que estou perto de você, tenho uma vontade absurda de te beijar. Provavelmente estou no último tom de vermelho, sem contar que minha i********e já respondeu ao toque invisível das suas palavras, ficando encharcada. — Você não deveria ficar me dizendo essas coisas. CAIO: — Verdade. Então, vou fazer. Ele me beija com vontade, mas sem pressa. É um beijo faminto, como se ele quisesse provar cada canto da minha boca. Eu já não me importo com quem está à nossa volta; só quero aproveitar o momento. CAIO: — Vamos para casa. Estou ofegante e tão excitada que m*l consigo articular uma palavra. — ... Vamos.
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