CAPITULO 5

1024 Palavras
CAIO SANTORO Confesso que, por alguns segundos inteiros, fiquei completamente sem ar diante de tamanha beleza deslumbrante. É verdade que o Enzo já havia me comentado vagamente que ela era bonita, mas vê-la descendo aquela escadaria pessoalmente me deixou temporariamente sem vocabulário para descrevê-la com precisão. Assim que os nossos olhares colidiram no ar, fui instantaneamente hipnotizado por aquelas esferas que brilhavam com a intensidade do céu limpo em um dia ensolarado de verão. Quando ela finalmente chegou ao final dos degraus, dei alguns passos firmes à frente para ir ao encontro dela e do Capo Frederico Bianchi. Ela parecia literalmente paralisada, com os olhos fixados nos meus como se estivesse vendo uma aparição. Cumprimentei os presentes com uma mesura polida e reparei, com um divertimento interno, o exato momento em que o pai dela teve que apertar com força o dorso da sua mão para arrancá-la daquele transe evidente. Segundos depois, ouvi um "boa noite" suave saindo daquela boca perfeitamente desenhada. Abri um sorriso de lado inevitável ao perceber que ela havia ficado literalmente "babando" em mim; e, pelo olhar mortal que ela me lançou logo em seguida, notei que ela mesma percebeu a gafe e fechou a cara com força. O silêncio foi quebrado quando ouvimos a voz grave do meu pai chamando a atenção de todos os convidados presentes para darmos início formal à cerimônia de noivado. Meu pai pigarreou, proferiu algumas palavras solenes sobre honra e aliança, e abençoou publicamente a nossa união comercial e de sangue. Logo em seguida, ele me estendeu um punhal ritualístico com empunhadura de prata para selarmos nosso compromisso da maneira tradicional da máfia. Fiz um corte rápido e preciso na palma da minha mão e passei o punhal polido para Louise, que aceitou o objeto e fez o mesmo corte sem sequer titubear ou demonstrar fraqueza. Unimos as mãos ensanguentadas e começamos a recitar o juramento solene, olhando profundamente um dentro dos olhos do outro. A intensidade magnética daquele contato visual era palpável, cortando o ar como uma lâmina; busquei o fundo daquelas írises azuis e percebi que ela não desviou o olhar nem por um segundo, sustentando a minha carga pesada de frente. Quase ninguém neste mundo tem a audácia ou a coragem de me encarar desse jeito, e ela parecia não se importar minimamente com o peso da minha autoridade, mantendo-se firme com um ar deliciosamente desaforado. Perdi completamente a noção do tempo; não sei dizer ao certo por quantos minutos ficamos presos naquele vórtice de desafio mútuo. Só despertei do transe quando o som estridente e coletivo de palmas e brindes ecoou pelo salão. Pouco depois, já estávamos sendo cercados por dezenas de capos, associados e figuras influentes da máfia russa e italiana que vieram nos cumprenciar e registrar a fusão de duas das maiores dinastias do crime. Depois de tanta bajulação vazia e tapinhas falsos nas costas, Louise se retirou discretamente para se sentar à mesa do jantar, onde passou um bom tempo conversando animadamente com a minha irmã mais nova. Minutos mais tarde, enquanto escaneava o salão com os olhos, vi de relance a silhueta dela adentrando um corredor lateral e decidi segui-la sem pressa. Quando ela empurrou a porta e entrou no recinto, notei imediatamente de que cômodo se tratava: era a imensa biblioteca particular da mansão dos Bianchi. — De quem exatamente a senhorita está tentando fugir correndo assim, senhora Santoro? — provoquei, encostando o ombro no batente da porta com um sorriso cínico. Ela levou a mão aberta ao peito, dando um pequeno salto de susto, antes de se virar para me encarar com fogo nos olhos. — De absolutamente ninguém, senhor — retrucou ela, erguendo o queixo com empáfia. — E para o seu próprio governo, meu sobrenome ainda é Bianchi. Essa garota é incrivelmente desaforada e tem uma língua afiada demais para o próprio bem. Já consigo prever muitas dores de cabeça no meu futuro próximo com ela debaixo do meu teto. — Por enquanto, ragazza, desfrute do seu sobrenome de solteira enquanto pode — respondi, destilando sarcasmo em cada sílaba. — Muito em breve será a senhora Santoro, e é bom que não se esqueça nunca disso. Deixei a frase suspensa no ar pesado e meretiro de costas, sem sequer esperar que ela formulasse uma resposta atravessada. Retorno ao salão principal, onde os convidados continuam conversando e bebendo animadamente entre risadas altas. Caminho até parar ao lado de Enzo, mas noto que ele está completamente distraído, com o olhar cravado em uma moça específica que está sentada em uma mesa não muito distante da nossa. É extremamente raro ver alguma mulher prender a atenção do meu consigliere desse jeito; achei essa repentina fixação dele bem interessante e digna de nota. — Diga aí, Enzo... Se estiver perdidamente apaixonado pela garota, posso aproveitar o clima festivo da noite e fazer mais um acordo comercial com os russos para juntar os trapos de vocês dois — comento em tom de puro sarcasmo, dando um leve empurrão em seu ombro. Enzo sobressalta, saindo de seu transe particular de imediato. — Não diga besteiras ridículas, Caio. Só achei a moça esteticamente bonita, nada além disso. Por acaso você sabe quem ela é? — disfarça ele, pigarreando. — Não tenho a menor ideia, mas para estar aqui hoje, deve ser de alguma família importante da cúpula. Quer que eu mande investigar a vida dela para você? — Não é necessário fazer escândalo, era só mera curiosidade de momento mesmo — resmunga Enzo, tentando manter a pose. Solto uma gargalhada genuína e alta. — Ah, meu amigo, você definitivamente não me convenceu. Nem um pouco, kkk. Mas quer saber de uma coisa? Falando em mulheres que tiram a gente do sério... Eu bem sabia pelos boatos que a sua noiva era uma mulher bonita, mas posso afirmar com todas as letras: pessoalmente, ela é um verdadeiro espetáculo da natureza. Viro-me para encará-lo com um olhar semicerrado e mortal após o elogio direcionado à minha noiva, e Enzo, percebendo o perigo, abre um sorriso amarelo e sai correndo de perto de mim, rindo abertamente da minha cara. o****o do c*****o.
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