CAPITULO 6

1276 Palavras
LOUISE BIANCHI Depois da cerimônia, ficamos cumprimentando os convidados e, em seguida, sentamos para jantar. Eu estava exausta de ficar em pé naqueles saltos. BEATRICE: Louise, né? — perguntou uma moça muito bonita. — Sim — respondi, sem ânimo. BEATRICE: Eu sou Beatrice, irmã do Caio. Eu estava muito ansiosa para te conhecer! Você é ainda mais linda pessoalmente... como pode? Meu irmão deu muita sorte! Ah, desculpa, estou falando demais, né? — Não, sem problemas. Fico feliz que terei alguém para conversar na Itália, assim não me sentirei tão sozinha. Comecei a conversar com Beatrice, que é muito divertida. Confesso que senti uma ponta de inveja quando ela disse que o Don permitiu que ela concluísse a faculdade antes de se casar; nem todas tiveram a mesma sorte. — Vou ao banheiro e já volto. Saí dali um pouco para respirar. Parece que a ficha está caindo agora e estou começando a sentir o peso da mudança. Cheguei ao jardim e ouvi vozes. Escondi-me atrás de um arbusto para ouvir. — Maresa, pedi que esperasse. Quando eu chegasse na Itália, nós resolveríamos esse assunto. Você sabe que detesto que me desobedeçam. Parece que meu futuro marido estava tendo uma discussão acalorada com alguém do outro lado da linha. Decidi sair dali antes que ele me pegasse bisbilhotando. CAIO: Perdeu algo aqui fora, Louise? Droga, tarde demais. — Não sou desatenta, então raramente perco algo. CAIO: Então está me seguindo? Saiba que ouvir conversas alheias é falta de educação! Que cara de p*u, ele só pode estar brincando! — Não tive a intenção de ouvir a sua conversa acalorada com sua "amiga", senhor Santoro. Vim tomar um ar no meu jardim — dei ênfase no "meu" — mas já me arrependi. O jardim está mais poluído hoje. Tenha uma boa noite, senhor Santoro. Cretino, convencido. Não sei o que ele pensa da vida, babaca. Retornei para a sala e fiquei conversando com Dona Amélia, minha futura sogra. Ela é bem legal, o que facilita a convivência. Por um instante, olhei para o corredor que dá acesso aos quartos do andar de baixo e vi meu pai entrando com uma mulher loira. Pedi licença a Dona Amélia e fui em direção ao quarto. Diminuí os passos, esperei alguns minutos e girei a maçaneta. O quarto estava vazio, mas a porta do banheiro estava entreaberta. Empurrei-a e tive uma visão privilegiada dos dois transando na pia. Ela estava seminua e meu pai, com as calças abaixadas. Ela foi a primeira a me ver e mudou de cor. Quando meu pai me viu, pude notar, pela primeira vez, desespero e medo em seus olhos. Eu estava em choque. Se outra pessoa me contasse, eu jamais acreditaria. Sempre achei meu pai o melhor marido do mundo. Como ele pôde fazer isso com a mamãe? Como pôde fazer isso dentro da nossa casa? Saí do quarto em lágrimas, esbarrando no corredor com Helena, que me aparou e me levou para o banheiro. FREDERICO: Tempestadezinha, por favor, me escuta! Deixa eu explicar. Fingi que não estava ouvindo e continuei abraçada a Helena, mas ele insistiu. FREDERICO: Desculpa, tempestadezinha. Você não deveria descobrir assim, é complicado demais. Tive medo de que você não entendesse, medo de que perdesse a admiração que tem por mim. Me perdoa, meu amor. Não acredito. Como ele pôde fazer isso com a mamãe? Eu achei que ele a amasse... eu realmente achei. Eu precisava de ar. Saí do banheiro e corri para o jardim aos prantos. Eu não conseguia entender como aquilo estava acontecendo. Meus pais sempre foram o modelo de casamento que eu queria para mim. Eram eles uma mentira? O que esperar de um casamento dentro da máfia? Quer dizer que esse é o fim de todas as mulheres desse meio? Não é justo, eu não aceito isso. CECÍLIA: O que houve, minha querida? O que aconteceu com você? Ouvir a voz da minha mãe me fez chorar ainda mais. — Mamãe, eu não sei como te dizer isso, mas preciso... CECÍLIA: Louise, do que você está falando, meu bem? — O papai trai a senhora, mamãe. Desculpa a forma indelicada, mas eu não vi outra forma. CECÍLIA: Quem te contou? Foi aquela vagabunda? Foi, Louise? — A senhora já sabia? Mamãe, mas eu... CECÍLIA: Eu sei, meu amor. Seu pai e eu já devíamos ter te contado, mas eu temia que isso fizesse você perder a esperança de ter um casamento diferente. Mamãe soltou uma respiração cansada. CECÍLIA: Eu e Frederico já fomos felizes. Casei apaixonada e engravidei no quinto mês. Mas, quando entrei na vida dele, ele era libertino e estava se casando por obrigação. Sofri demais no início, mas consegui que ele me amasse tanto quanto eu o amava. Acontece que o amor é como uma flor: se não for regada, ela morre. Frederico estava tão focado em ser o Capo perfeito que esqueceu de ser marido. Eu passava tanto tempo sozinha que, com o tempo, o amor foi sumindo. Ele tentou recuperar nosso casamento quando o Lucca completou cinco anos. Tiramos férias no Brasil, foi incrível. Voltei grávida de você. Quando descobri que seria uma menina, senti-me completa. Decidi contratar uma babá, a sobrinha da Maria, uma excelente funcionária. No seu aniversário de dois anos, eu queria tirar uma foto com a família toda para o quadro que ele tem no escritório até hoje. Seu pai havia sumido, então fui procurá-lo no nosso quarto. Quando cheguei à porta, ouvi gemidos. Entrei e me deparei com a cena que nunca mais esqueci: seu pai transando com a Sofia na nossa cama. Tive uma vontade imensa de chorar, mas não derramei uma lágrima. Mandei ele se vestir e descer para tirar a foto. Ele chegou lá embaixo nervoso, e eu sorri para todos como se nada tivesse acontecido. Quando a festa acabou, ele tentou se explicar, mas eu disse que não havia justificativa. Naquela noite, ele matou a Laura que sonhava com um casamento perfeito. Eu prometi que, após você e seu irmão se casarem, viveria viajando. Eu sempre soube que ele não a havia largado; ele a sustenta e a leva a festas onde me recuso a ir. Tive medo de que ela te contasse algo. Desculpa, minha princesa, por ter escondido isso. Talvez eu tenha errado, mas não me arrependo. Ouvi tudo em silêncio. Para mim, ela sempre fora a pessoa mais feliz do mundo. Isso só prova que os melhores sorrisos, às vezes, escondem as maiores dores. Dei um abraço nela, mas acho que eu era quem mais precisava daquele acolhimento. — Vamos entrar, meu bem. Temos que finalizar esse jantar para que essas pessoas vão embora logo da minha casa. Eles fazem bagunça demais. Abri um sorriso sincero e voltamos para a sala. Minha maquiagem já estava arruinada, então lavei o rosto e retornei a tempo de me despedir da família de Helena. HELENA: Fica bem, amiga. Qualquer coisa, me liga. Te amo, tá? — Também te amo, Lena. Obrigada por tudo e desculpe não ter te dado atenção; hoje o dia foi pura emoção. HELENA: Sem problemas, gata. Amanhã, na faculdade, conversamos melhor. AMÉLIA: Estava tudo perfeito, Cecília! E você, Louise, está linda. m*l posso esperar pelos preparativos do casamento. Te vejo na Itália, querida. — Obrigada, senhora Santoro. Até a Itália. BEATRICE: Tchau, Louise! Foi um prazer te conhecer pessoalmente. — Igualmente, Beatrice. CAIO: Até mais, futura senhora Santoro. Por que sempre tem um tom de sarcasmo na voz desse cretino irritantemente gostoso? Droga, eu já tinha até esquecido da existência dele. — Até mais, futuro Don. Devolvi com o mesmo sarcasmo. Nem morta que eu deixaria barato.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR