CAPITULO 7

1150 Palavras
LOUISE BIANCHI Estamos em total silêncio. Papai não olha para mim e Lucca parece perdido, até que a mamãe finalmente quebra o silêncio constrangedor. CECÍLIA: Tudo ocorreu perfeitamente bem. Amélia é uma mulher incrível; você, minha querida, terá uma sogra maravilhosa, e isso é bem raro. Nem todas nós tivemos essa sorte. Mamãe deixa esse comentário no ar e eu me questiono se ela e a vovó se davam bem. Minha cabeça vai explodir; há tanta coisa que não sei sobre a minha própria família que nem sei mais o que é verdade ou mentira. Desejo boa noite a todos sem muita vontade. Ainda estou aérea; hoje, literalmente, foi um dia de muitas emoções. Tomo um banho bem demorado — meu corpo precisava relaxar — coloco um pijama confortável e me deito. Tudo o que ocorreu hoje me vem à mente como um filme acelerado, até que pego no sono. Acordo com tanta dor de cabeça que chego a ficar m*l-humorada. Faço minhas higienes e desço para tomar café. Preciso resolver as coisas da faculdade; não posso simplesmente abandonar o curso, então preciso trancar para reabrir na hora certa. Encontro apenas a mamãe na mesa, tomando chá como se nada tivesse acontecido. Ela tem uma paz estampada no rosto que chega a me dar inveja. Desejo bom dia, pego uma maçã e aviso que estou de saída. Ela concorda, desejando-me um ótimo dia. Vou direto para a faculdade e dou de cara com Helena, que já me espera na entrada com aquela cara de quem vai perguntar tudo e um pouco mais. HELENA: LOUISEEE! Tomo o maior susto com ela gritando. Que mulher maluca! — Bom dia para você também, Helena. HELENA: Bom dia, Lou! E aí, amiga, como você está? E, se me permite o comentário: que Deus grego é o seu futuro marido! Você estará muito bem servida. Aquela cara de mau... uau, adorei! Ela fala tudo tão rápido que demoro a assimilar. — Ai, Helena, minha vida deu uma reviravolta. Vivi uma mentira, e o pior é que só eu vivia nela. Isso me deixa tão magoada... sabe? Eles me trataram como se eu não tivesse maturidade para entender esse mundo. E, sobre o meu marido, pelo que vi ontem, vamos nos dar super bem — para não dizer o contrário. Ele gosta de controlar as coisas e as pessoas ao redor dele, e eu detesto ser controlada. Não sei como essa loucura vai ser... HELENA: Ai, Lou, eu imagino. Deve ser horrível se sentir enganada. Eu sinto muito, saiba que estou aqui para tudo o que precisar. — Obrigada, amiga. Estou tão confusa! Eu idealizei minha vida baseada na dos meus pais, que eu julgava serem o casal mais apaixonado, e descubro da pior forma possível que o meu pai tem uma amante há anos e, pior, que a minha mãe sempre soube. No final das contas, meus pais são como qualquer outro casal da máfia. Choro abraçada à minha amiga; ela não fala nada, apenas me abraça. HELENA: Vamos, Lou, a aula vai começar. E hoje é a aula do professor bonitão. Solto uma gargalhada sincera com o comentário. — Ai, Lena, só você mesmo. Te amo, amiga. Chegamos atrasadas e Helena reclama por ter perdido o início da explicação. Depois da aula, fomos almoçar no nosso restaurante favorito e passamos a tarde juntas. Eu nem sabia que estava precisando tanto disso. Agora estou me arrumando, pois deixei ser convencida pela Helena a ir a uma boate nova que inaugurou na cidade. — Ai, Helena, já estou me arrependendo de ter vindo. Olha como esse lugar está lotado! HELENA: Relaxa, Lou, a gente vai ficar no camarote. — Camarote de quem, Helena? Você não me disse nada de camarote! HELENA: Relaxa, gata, está tudo sob controle. Meu Deus, já vi que vou me arrepender, mas já que estou aqui, vou aproveitar. Depois de casada, não sei quando verei a Helena de novo. HELENA: Vem, Lou, vamos subir. Chegamos ao camarote e Helena me apresenta um amigo, Luigi. Ele é bem bonito, embora nada comparado ao Caio. LUIGI: Uau, gata, como você está linda! E quem é a gata com você? HELENA: Luigi, essa é a Louise. Ela vai se casar daqui a algumas semanas, e hoje é a despedida de solteira dela. LUIGI: Uhul! Deixa comigo, gata. Luigi chama o garçom e pede três doses de vodca. Viramos tudo de uma vez e Helena me puxa para a pista de dança lá embaixo. Passamos horas dançando e bebendo; minha cabeça estava girando, eu estava suada e meus pés doíam bastante. — Helena, vou ao bar pegar água. Você quer alguma coisa? HELENA: Sim, quero um Campari. — Tá bom, já volto. Chego ao bar, peço minha água e a bebida da Lena, quando ouço aquela voz maravilhosa. CAIO: Essa bebida é meio forte, não acha? Tomo um susto com a voz tão perto do meu ouvido, mas logo lembro a quem ela pertence. — Não sei, nunca bebi. Agora, se me der licença, minha amiga está me esperando. Saio dali sem olhar para trás. — Helena, temos que ir embora. HELENA: O quê? Por quê? Chegamos não tem nem quatro horas, Lou! Bebe mais um pouquinho que a vontade de ir embora passa. — Helena, o Caio está aqui. HELENA: Que Caio, Lou? — Caio Santoro, meu futuro marido. Agora finalmente consigo a atenção dela. HELENA: p**a merda, ele te viu? — Sim, e falou comigo com aquela voz maravilhosa, mas a cara dele não estava das melhores. HELENA: Vamos logo! Vamos pedir um táxi, amanhã peço para o Luigi buscar o meu carro. Deixamos a boate e o táxi estava parado na porta. Assim que vou entrar, alguém me puxa e me joga por cima do ombro. — Ei! Você está maluco? Eu estou de saia! Sou uma mulher comprometida, tira as suas mãos de mim! Ele me joga no banco de trás do carro, segura no meu queixo e fala: CAIO: Não parecia comprometida lá na pista de dança. Tenho certeza que, se eu me esforçasse só um pouquinho, daria para ver a p***a da sua calcinha. Será que é uma boa hora para dizer que não estou usando calcinha? Melhor não. Deixa para lá. Ele coloca o carro em movimento e não falamos mais nada até que durmo. Acordo com ele me tirando do carro e entrando comigo no elevador. Estou tão cansada que nem me dou ao trabalho de questionar onde estou. — Ai, que água fria! Está querendo me matar? CAIO: Vontade é o que não me falta. O seu pai deveria mantê-la controlada; bem que eu disse ao meu pai que você me traria problemas. — Não te trouxe problema nenhum, senhor "gostosão". Você que veio atrás de mim! Agora me tira daqui, estou morrendo de frio. CAIO: Isso só pode ser pagamento de dívida divina, não é possível...
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