CAPITULO 8

1217 Palavras
CAIO SANTORO Saímos da casa dos pais de Louise e pretendíamos ir embora todos hoje, mas surgiu um problema na filial da empresa de fachada que temos aqui na Rússia, e eu precisei ficar. Acordei cedo e fui direto resolver a situação. Parece que há pessoas que nunca aprendem e, vez ou outra, surge um corajoso que ousa me desafiar. Um dos contadores estava desviando dinheiro para a conta pessoal, jurando que eu não descobriria. i*****l. Mandei-o desta para pior e, quando vi, já passava da meia-noite. Recebi uma mensagem de um conhecido me convidando para a inauguração de uma boate e, como não poderia viajar hoje mesmo, decidi me distrair um pouco. CLAUS: Olha só, achei que não viria. — Tudo na sua conta hoje, Claus. Não mandei me tirarem de casa. CLAUS: Isso nunca foi problema. Agora, me conta: quando vai ser o casamento? — Vejo que está muito bem informado, né? CLAUS: Ah, não fique estressado, Caio! Grandes responsabilidades vêm com grandes sacrifícios. Se bem que casar com a Louise não será sacrifício nenhum; a garota é linda. Olho para ele com um olhar mortal e ele percebe que não gostou do comentário. — De onde conhece a Louise? CLAUS: Ela é melhor amiga da minha irmã desde sempre. Como não sou o primogênito, eventos como esse não requerem a minha presença. Graças a Deus. — Ser o terceiro filho não te impede de ter um casamento arranjado. O seu irmão é o futuro consigliere da máfia russa; a sua família é tão importante quanto a minha. CLAUS: Só que eu possuo algo que você não tem, Santoro: um irmão homem. Desgraçado. O pior de tudo é que ele tem razão. Ficamos bebendo no camarote até que avisto uma loira muito bonita que me chama a atenção. Eu a conheço. Ela rebola ao som da música usando uma minissaia preta, botas altas e uma blusa de um ombro só que deixa parte da sua barriga exposta. Suas costas estão cobertas pelos longos cabelos loiros, e, quando ela vira de frente para mim, não acredito no que meus olhos estão vendo. Uma raiva descomunal me consome. Claus segue o meu olhar e a cara dele fecha. CLAUS: Helena. — Quem? CLAUS: Minha irmã, acompanhada da sua... no... — Noiva. CLAUS: Helena não para de aprontar. Se o papai descobre que ela está aqui, vai matá-la. — Isso é obra da sua irmã, né? Já vi que ela é uma péssima influência. CLAUS: Ah, para, Caio! Louise não é nenhuma criança. Acredito que Helena tenha a chamado, mas ir foi uma escolha dela. Vejo Louise dizer algo no ouvido de Helena e sair em direção ao bar; ela estava visivelmente bêbada. Desci até o bar e, quando ela já ia saindo, resolvi deixá-la saber da minha presença. — Essa bebida é meio forte, não acha? Ela toma um susto com a minha voz tão perto do seu ouvido, mas responde, atrevida como sempre. LOUISE: Não sei, nunca bebi. Agora, se me dá licença, minha amiga está me esperando na pista de dança. Ela volta para a pista, fala alguma coisa no ouvido de Helena que, pela expressão, já sei o que foi. Subo novamente para o camarote e observo o momento em que saem pela porta. As duas estão bem bêbadas, então decidi levar Louise para a minha casa; no estado em que está, não vou arriscar que aconteça algo com ela. — Claus, vou levar a Louise para casa. Aconselho que leve a Helena. As duas não estão em condições de dirigir ou de pegar um táxi. Despeço-me de Claus e vou atrás do meu estresse momentâneo. Agarro Louise e a jogo por cima do ombro bem no momento em que ia entrar no táxi. LOUISE: Eu estou de saia e sou uma mulher comprometida! Me solta! A jogo no banco de trás do carro e seguro o seu queixo. — Não parecia comprometida lá na pista de dança. Tenho certeza de que, se eu me esforçasse só um pouquinho mais, daria para ver a p***a da sua calcinha. Deixo-a lá, pensativa, e coloco o carro em movimento rumo ao meu apartamento. Estaciono na garagem e a pego no colo, já que acabou pegando no sono. Ela acorda brevemente, mas logo volta a dormir, aconchegando-se em meus braços. Quando chego ao quarto, resolvo dar um banho frio nela para passar um pouco dessa bebedeira. Coloco-a na água fria, de roupa e tudo, e ela começa a reclamar enquanto deixo claras as minhas frustrações. Ajudo-a a sair do chuveiro, busco uma camisa minha para ela e saio do banheiro para que se troque. Entro no closet, pego um moletom e vou tomar banho em outro banheiro. Passo um tempo ali, deixando a água fria levar a minha tensão. Visto-me e volto para o quarto e, quando chego, não acredito no que vejo: a diaba está dormindo bem no meio da minha cama. E, para piorar, é nítido que a desgraçada está sem calcinha... Não é possível, ela quer me matar mesmo. Saio do quarto e vou dormir na sala, ou pelo menos tentar; ela vai me pagar por esse tormento. Acordo cedo, corro para me manter em forma e, quando volto, ela está na mesma posição. Vou para a cozinha e, quando estou terminando o café, sinto alguém me observando. — Bom dia, Louise. Espero que tenha dormido bem — uso bastante sarcasmo. LOUISE: Bom dia, senhor Santoro. Sim, dormi maravilhosamente bem, a sua cama é superconfortável. Agora, posso saber que diabos deu na sua cabeça para me trazer para cá? Se o meu pai descobre que dormi com você, ele vai enlouquecer! Já não estamos muito bem para o senhor vir aqui e me arrumar mais problemas. É sério que ela está me dando um esporro por eu não deixá-la ir embora com um desconhecido que poderia se aproveitar dela e daquela amiga irresponsável? — Você não sabe nem como chegou aqui. Imagine se o motorista do táxi tivesse a mesma ideia que eu? Talvez você e a louca da sua amiga nem estivessem vivas para contar a história. Ela se cala por um segundo, talvez refletindo que tenho razão. — Olha, Louise, vamos deixar uma coisa bem clara: você não quer esse casamento e nem eu, mas, assim como você, também não tive escolha. Somos prometidos mutuamente desde o dia em que você nasceu. Podemos fazer um acordo: eu não interfiro na sua vida e nem você na minha. Se quiser se envolver com outras pessoas, não vou me opor, mas saiba fazer direito. Se alguém descobrir, você sabe qual será o seu fim. Além da mudança de país, não precisará mudar quase nada: faculdade, trabalho, festas... não te impedirei de nada. Mas lembre-se: não posso te ajudar se te pegarem. Ela fica estática, sentada na bancada, olhando-me com um olhar distante. Não posso deixar que ela crie qualquer expectativa sobre nós. Aceitei esse casamento porque meu pai exigiu para me passar o título de Don, mas não pretendo parar a minha vida por causa dessa regra. O meu pai acha que pode controlar tudo, mas não darei a ele o prazer de controlar a minha. Vou, sim, me casar com Louise, mas seremos um casal apenas em público; continuarei vivendo como sempre vivi.
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