Pré-visualização gratuita O Flagra.
Kate resmungou contra o travesseiro, mas o entusiasmo estridente de Dora do outro lado do orixá-celular já havia afastado qualquer chance de voltar a dormir.
— Quinta-feira, Dora! Amanhã eu trabalho, sabia? — Kate protestou, sentando-se na cama e passando a mão pelos cabelos bagunçados.
— Trabalha nada, que eu sei que sua folga começa amanhã! Deixa de ser idosa e levanta. A Lumina abre hoje e a gente tá na lista VIP. Passo aí às vinte e três. Te quero impecável! — Dora nem esperou resposta e desligou.
Kate olhou para o celular com um suspiro derrotado, mas um sorriso fraco começou a surgir no canto dos lábios. Talvez uma noite fora não fosse uma ideia tão r**m para espairecer a mente da rotina cansativa dos últimos dias.
No quarto ao lado, o clima era completamente diferente. Mila, a irmã mais nova de Kate, estava sentada na ponta da cama com o telefone firme entre as mãos, os olhos fixos na tela enquanto a luz do aparelho iluminava seu rosto apreensivo.
Enzo: Já cheguei de viagem. Não vejo a hora de te ver hoje à noite na inauguração.
Mila: Você tem certeza que quer ir? Meu pai ainda tá furioso com o acordo da empresa... Se alguém da família te ver lá, vai ser um caos.
Enzo: Mila, eu sou o noivo da mulher mais linda dessa cidade. Não vou me esconder. Além disso, a casa é do meu grupo. Relaxa, nada vai estragar nossa noite.
Mila: Tudo bem... Só toma cuidado. A Kate também vai com a Dora. Não quero confusão.
Mila guardou o celular contra o peito, sentindo uma pontada de ansiedade. Ela amava o noivo, mas sabia perfeitamente o terreno minado que pisava reunindo a família e os negócios de Enzo no mesmo espaço.
À meia-noite, a fachada da Lumina refletia luzes neon azuis e roxas pela calçada, com uma fila imensa dobrando a esquina. Dora, fazendo valer seus contatos, puxou Kate pelo braço direto para a entrada VIP, passando sem sobressaltos pelos seguranças da porta.
O som grave do grave da música eletrônica batia no peito assim que cruzaram as portas de vidro. O lugar estava lotado, reluzente e com uma energia vibrante.
— Não te falei? — gritou Dora sobre a música, já puxando Kate em direção ao bar principal. — Hoje a noite promete!
— Vou pedir um drink primeiro! — respondeu Kate, rindo da empolgação da amiga.
Enquanto Dora se afastava para cumprimentar conhecidos na pista, Kate se encostou no balcão de mármore escuro da barra para fazer seu pedido. Foi quando uma voz firme e pausada soou ao seu lado:
— Deixa que eu pago esse.
Kate se virou devagar e deu de cara com um homem alto, de ombros largos, trajando uma jaqueta de couro escura sobre uma camisa preta alinhada. Ele tinha um sorriso de canto provocante e um olhar atento, fixo nela.
— E quem disse que eu preciso que paguem meu drink? — rebateu Kate, erguendo uma sobrancelha, sem se deixar intimidar.
O homem deu uma leve risada, visivelmente intrigado com a resposta.
— Ninguém. Mas seria um desperdício não ter a oportunidade de conversar com a mulher mais interessante deste camarote. Prazer, Léo.
— Kate — respondeu ela, permitindo-se aceitar a provocação e deixando um pequeno sorriso escapar.
A química entre os dois foi imediata. Léo tinha uma conversa fluida, inteligente e um charme perigoso que prendeu a atenção de Kate rapidamente. Entre goles de drink e risadas compartilhadas, eles pareciam isolados de todo o barulho e da multidão ao redor. Léo se aproximou um pouco mais, falando perto do seu ouvido por conta do som alto, e o toque sutil de sua mão na cintura de Kate fez sua respiração falhar por um segundo.
O que Kate nem imaginava — e Léo muito menos — era que, a poucos metros dali, no camarote superior da boate, Enzo acabara de chegar com seus sócios. E entre Enzo e Léo não existia apenas uma disputa de mercado, mas um histórico de rivalidade profunda e ressentimentos não resolvidos que tornavam aquele simples flerte um estopim prestes a explodir.
Kate ajustou a gola do vestido preto de couro sintético, que marcava perfeitamente suas curvas e combinava com as botas de cano alto e salto fino. O aroma marcante do seu perfume doce exalava a cada movimento.
Léo manteve os olhos fixos nela enquanto conversavam, mas, ao olhar por cima do ombro de Kate, seus olhos congelaram ao reconhecer Enzo entrando no camarote oposto. Em um movimento rápido e calculado, Léo puxou Kate pela cintura e a selou em um beijo profundo para esconder o rosto e se disfarçar na multidão. Kate, apanhada de surpresa por aquele homem sedutor, retribuiu o beijo com intensidade, sentindo o clima esquentar instantaneamente.
Enquanto isso, no outro lado da boate, Mila mantinha seu tom discreto e reservado ao lado de Enzo. De repente, o celular de Enzo vibrou com uma mensagem confidencial de seus seguranças:
Léo está na casa. E já está atacando uma nova vítima no bar.
Enzo respondeu com um frio "OK". Uma dúvida incômoda o atingiu, e ele se virou imediatamente para a noiva:
— Mila, como a sua irmã veio vestida hoje? Preciso tirar ela daqui agora!
No ambiente mais reservado da casa noturna, a visão de Kate já começava a embaçar. Sem que ela percebesse, Léo havia batizado seu drink minutos antes. A substância agia rápido, deixando sua mente entorpecida e seus sentidos confusos, enquanto ele a conduzia à força pelos corredores até uma das suítes privadas do andar superior.
Dora, que procurava a amiga pela boate, acabou cruzando com os dois na porta do quarto e tentou intervir imediatamente, assustada com o estado de Kate.
— Solta ela! O que você tá fazendo com ela?! — gritou Dora, tentando se aproximar.
Léo a empurrou com violência contra a parede, encarando-a com desprezo:
— Cala a boca, sua v***a! Você não é nada, só mais um caso aleatório. Vaza daqui se não quiser se machucar!
Ameaçada, Dora foi expulsa do corredor pelos seguranças do local. Intoxicanada e incapacitada de reagir fisicamente, Kate tentou resistir, mas a droga anulava suas forças enquanto Léo avançava sobre ela de forma vil e c***l.
Após a agressão, Léo a amarrou à cabeceira da cama, deixando a vítima vulnerável e traumatizada. Antes de fugir do local, ele deixou um bilhete provocativo sobre o criado-mudo:
"Sem a sua cunhadinha, você não conseguiu salvar nada."
Do lado de fora, ao reunir as peças e receber o alerta de Dora, Enzo descobriu o paradeiro exato de Léo. Ele ficou diante de um dilema c***l: perseguir seu arqui-inimigo e capturá-lo antes que fugisse, ou priorizar o resgate da irmã de Mila.
Sem hesitar sobre o que era correto, Enzo abandonou a perseguição e arrombou a porta do quarto.
O cenário era estarrecedor. Kate estava irreconhecível, apresentando marcas visíveis de tortura e maus-tratos deixados por Léo. Para piorar a situação e incriminá-la, Léo havia espalhado uma grande quantidade de pacotes de maconha ao redor da cama antes de escapar, montando uma cena para que ela fosse acusada de tráfico.
Ignorando o perigo da armadilha, Enzo cortou as amarras, cobriu Kate com seu paletó e a pegou no colo. Encontrando Mila na saída de emergência, os dois saíram às pressas pela porta dos fundos para levá-la em segurança para casa.