CAPÍTULO 06 — ALLEGRA

1565 Palavras
Nosso casamento pode ser de mentira, temos um contrato e nós dois estamos focados nas responsabilidades que essas assinaturas representam. Porém, aos olhos de todos, eu sou a Sra. Richelli agora, a senhora dessa casa. É estranho, muito estranho. Os empregados me olham de maneira estranha, talvez se perguntando de onde exatamente eu saí. As roupas que recebi pelo menos me deram um ar diferente, me deixando digna de ser esposa do todo o poderoso. Depois de me arrumar para o café da manhã, eu desço para a sala de jantar que já conheci no tour de quando me foi apresentada a casa. Meu apetite costuma ser ótimo e hoje não é diferente, mas na hora, meu estômago deixa de ser onde está minha atenção, pois a mesa bem posta do café da manhã não tem apenas Atlas. Há uma mulher sentada ao lado dele, morena, bonita, com uma postura impecável, de cabelos longos, vestida como se fosse um ícone da moda. Ela tem lábios cheios, nariz, afilado, olhos grandes e azuis, um nariz perfeito. Ela é simplesmente perfeita e isso me deixa estranhamente preocupada, não porque sinto nada, mas porque ter a fama de corna mansa logo após o casamento quando deveríamos estar em lua de mel não é interessante. — Bom dia! — Chamo a atenção educadamente, mas não demonstrando muita empolgação. Tanto a mulher que parece de plástico quanto Atlas me encaram. Ela parece querer fazer uma análise de mim porque me encara dos pés a cabeça até chegar a alguma conclusão que a faz sorrir, meu marido falso apenas acena com a cabeça e acredita que isso seja um cumprimento o suficiente. — As empregadas falam com você como se fosse um colega? — A voz nojenta e cheia de sarcasmo se dirige a Atlas, ela vira o rosto para ele e estica sua mão com total i********e a ponto de brincar com as unhas nos cabelos de sua nuca. — Volte para a cozinha, ou não percebeu que está interrompendo? Pode brincar com as suas amigas salsichas. — Não que eu saiba. — Retruco, sorrindo com desdém enquanto tomo o lugar de frente a ela e do outro lado de Atlas, erguendo minha cabeça. — Eu sou a Sra. Richelli, esposa de Atlas. — Esposa? — Ela parece ter ouvido uma piada, gargalhando. — Atlas nunca se casaria, muito menos com uma cabeça de fósforo sem graça. O homem parecia nem estar na sala, sua alma pelo menos não estava porque ele dava atenção apenas ao seu café da manhã como se não tivesse visto a disputa por espaço aqui. Porém, nesse momento ele parece relembrar que está acompanhado, levantando o rosto, mas sem encarar nenhuma de nós duas – não por vergonha, mas por falta de vontade. — Não tenha tanta certeza, Patrícia. Está falando com a minha esposa. — Ele esclarece o assunto, o que me faz olhar para a tal Patrícia vitoriosa e com um sorrisinho nos lábios. — Além disso, eu gosto muito dos cabelos dela. — Perdoe-me por destruir os seus sonhos, querida. — Eu quase solto um beijinho para ela. Não sou ciumenta, até porque nunca tive a oportunidade de ser. Com meu ex-namorado as coisas foram bem complicadas, devido a ele pertencer a Spider e isso ter sido a pior coisa da minha vida. Quando eu o conheci não fazia ideia que tudo aquilo ia acontecer, mas aconteceu, e nosso relacionamento não pode nem ser considerado um relacionamento. Isso que estou fazendo não é ciúme, é me defender. Aprendi a lutar por mim, e agora que meu pai não está mais vivo e que eu sofro a perda de minha irmã, eu sou a única que lutará por mim. Desde que olhei para ela eu percebi que a tal Patrícia tinha algo de errado. Ela não apenas está aqui se jogando em cima do homem, está propositalmente tentando humilhar outra mulher que simplesmente a cumprimentou – por causa desse homem. E além disso, ela o fez mesmo depois de saber que eu sou a esposa dele – apesar de eu desconfiar que ela já soubesse do casamento e tenha vindo apenas para confirmar. Como se não bastasse, ela está usando a minha aparência para tentar me diminuir. Coitada, depois de tudo que passei em especial nos últimos dias, para me derrubar é preciso bem mais que uma mulher de ego ferido. — Você está brincando comigo, não está, Atlas? — Ela fala sério, o encarando e esperando que ele faça o mesmo. — Oh, que saia justa. — Comento baixinho como se fosse apenas para mim mesma, mas na intenção de ser ouvida. Atlas percebe e me dá uma olhada disfarçada de canto, me fazendo levantar os braços em rendição. — Olhe para mim, Atlas! Depois de tudo... Tanto tempo... Você disse para mim que nunca se casaria, que compromisso não estava nos seus planos e agora eu venho aqui como uma i****a, em um dos dias que tínhamos encontro marcado, e você está com uma esposa? — Sorri incrédula de suas próprias palavras. — Eu deveria estar em um ensaio, mas saí do meu trabalho por você e você nem mesmo olha para mim? Ataques de estrelismo. Pelo que entendi a celebridade aí é uma modelo e acha que é o centro do mundo e que merece toda a atenção de Altas. Patrícia não sabe que nosso casamento é de mentira, mas não se importa em cobrar a atenção de um homem casado na frente de sua esposa, descaradamente. Acabo sorrindo, sem conseguir me controlar. — Acalme-se, Patrícia. — É tudo que Atlas diz, mantendo-se frio como um iceberg. — Do que você está rindo, cabeça de lava? — Emburrada e com o rosto vermelho de raiva, a mulher insiste em ser i****a. — Da sua humilhação. — Devolvo. — Eu iria embora ao perceber que o homem nem mesmo se dá ao trabalho de me dar atenção. Mas realmente sinto muito, você quer que eu saia para te dar um pouco mais de vantagem? — Acha que eu preciso que você saia para ter a atenção de Atlas? — Gargalha como se fosse outra piada. — Percebe-se que é nova por aqui. Sorrio, evitando responder qualquer coisa audivelmente. Mantenho um sorrisinho nos lábios e quando torno minha atenção para Atlas, ele está mordendo um pedaço de torrada com geleia e para minha satisfação, ele deixa um pouco da geleia melar os lábios que admito, são os lábios mais lindos que já vi. Atlas é o tipo mais perigoso de pessoa, sua aparência é perfeita, como de um verdadeiro anjo que teve muita atenção do criador. O homem é simplesmente perfeito nos cabelos, na barba, na mandíbula, nos lábios, nos olhos demoníacos e firmes que fazem as minhas pernas bambearem. Mas por trás dessa aparência ele carrega uma personalidade sombria, que só me permite fazer tudo isso por estar calado – e não quero imaginar a tempestade que seria se ele começasse a falar. Nosso contrato impede i********e, eu sei, mas não o toque. Mas sendo inteligente eu posso responder a Patrícia sem precisar entrar em uma disputa verbal, eu sou esposa de Atlas. Por isso, aproveito o momento em que ele não percebe que sua boca está suja de geleia e pego um guardanapo. — Com licença, querido. — Quando Atlas me encara surpreso pela forma que me dirijo a ele, eu passo o guardanapo pelo lábio inferior dele até ver que está totalmente limpo. Nossos olhares não desgrudam por momento nenhum. Não sei o que acontece comigo sempre que Atlas prende esses olhos assim nos meus, não sei se é temor, admiração por sua beleza ou tudo junto, mas eu sei que é hipnotizante a ponto de demorarmos tempo demais assim. — Pronto. — Você pede licença para tocar os lábios do seu marido? — Logo percebe-se que Patrícia não suportou ver o meu toque nele, e principalmente os nossos olhares um para o outro. — Acho que Atlas não te contou, mas nós estávamos juntos. Toda terça e sexta feira temos um encontro marcado e devo avisa-la, eu não preciso pedir licença para tocar seu corpo inteiro. Nós dois temos uma relação um pouco mais aberta, livre, se é que me entende. Não é, Atlas? — Ela sorri, me provocando de propósito. Por menos sentimento que tenha nessa relação é revoltante ver uma mulher falando assim do seu marido, te humilhando dessa maneira. Patrícia encara Atlas, esticando a mão por baixo da mesa até um lugar que eu sou obrigada a me esticar para ver onde. Vejo os dedos finos sobre a coxa dele, deslizando lentamente. — Se lembra como você me colocou de joelhos na última vez que nos encontramos? Lembra quantas vezes você diz como adora os meus gemidos? Por sinal, estou usando a calcinha que você adora. O que acha de irmos comemorar a sua lua de mel juntos? Suas palavras são para me fazer explodir, eu sei que essa é sua intenção e eu devo me controlar para não dar a ela esse gostinho. Mas droga, eu estou prestes a estourar realmente! Engulo seco sem conseguir esconder o desgosto em meu rosto vermelho como os meus cabelos – pior, como um pano vermelho chamando o touro para a guerra. Aperto os dedos em minhas coxas por baixo na mesa, e me preparo para a guerra.
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