CAPÍTULO 05 — ALLEGRA

1828 Palavras
Eu uso calça masculina frouxa, um camisão, estou enrolada em um pano vermelho. Pareço um menino de doze anos que voltou sujo e machucado do futebol, enquanto o tal Richelli parece ter saído de um concurso de beleza, vestido elegantemente em um terno todo preto. Seus olhos permanecem tão tenebrosos quanto eu lembrava e sua adaga que esteve em meu pescoço, está presa em sua cintura como se fosse um troféu. — Quem é você e o que quer comigo? — Meu nome é Allegra, fui enviada até aqui pelo meu pai. — Volte e diga a seu pai que você não faz o meu tipo. — Ele me dá um sorriso esnobe, encarando-me com desdém. — Onde está o Guerra? — Ignoro seu comentário, permanecendo séria e decidida. — Guerra é o sobrenome da minha mãe, eu não o uso mais por sinal. Sou um filho Richelli agora. — Apesar da negação, ele me encara surpreso em como eu sei desse nome. — Quem é seu pai? — Isso não importa, o que importa é porque estou aqui. — Falar de papai agora não é o meu assunto favorito, ele já está morto, não há mais o que fazer. Em silêncio, ele franze as sobrancelhas e fica visivelmente pensativo. Atlas não me reconheceu, isso é claro, eu também não o reconheceria fisicamente então não posso culpa-lo. Só o que faço é esperar sua resposta e ela não vem em forma audível, ele apenas sinaliza para mim com a cabeça para segui-lo, antes de jogar a chave para o vigia que provavelmente irá cuidar do carro dele. Atlas tem muita importância aqui, é poderoso, com certeza sua posição dentro de sei lá qual o nome dessa organização, é grande. Desde a dificuldade para contatá-lo a forma que olham para ele com temor, em como ele me guia pela casa que só fica maior e mais imponente, homens sobem e descem, mas não olham diretamente para ele, e no fim do corredor do segundo andar está o escritório dele. — Então me diga, Allegra... Por que você está aqui? — Depois de caminhar até sua cadeira de destaque atrás da mesa, ele senta e me encara. — Acho que você está interessado em uma coisa que eu tenho, e eu estou interessada em algo que você tem. — Ele franze o cenho, não sei se surpreso com minhas palavras ou pela minha coragem. — Quero que se case comigo. Quando ouve as minhas palavras, Atlas solta uma gargalhada tão grande que a casa inteira deve ouvir. Mas ao perceber que eu falo sério, ele vai perdendo o sorriso. — Acho que bateram forte demais na sua cabeça. — É claro que ele negaria. É possível perceber até mesmo o nojo no rosto dele enquanto olha para mim. — Eu não estou disponível para casamento, nem com uma mulher que... realmente me atrai. — Você nem mesmo quer saber o que eu tenho para barganhar? — Não me importa. Vá embora da minha casa, sua louca miserável! — Ordena. Mas eu não me movo, pelo contrário, sento na cadeira de visitante sem nem mesmo ser convidada. Ao perceber isso, ele liga para alguém, talvez um segurança. — Venha até meu escritório, agora. Tem uma... — Eu tenho o mapa de Kratos. — Não ligo que ele está em ligação, eu o interrompo. Nesse momento os olhos de Atlas voltam aos meus, ele desliga o celular sem nem dizer mais nada e me encara. Ele se transforma imediatamente, incrédulo sobre minhas palavras. — Case-se comigo e terá acesso ao mapa do maior tesouro da história, e metade do valor dividido igualmente entre nós. Não precisa se atrair por mim, até porque esse casamento não seria consumado, só quero seu sobrenome e sua proteção para mim e minha irmã mais nova. — Primeiro, eu preciso ter certeza de que você está falando a verdade. Segundo, não irei me casar com você. Terceiro, que irmã? — Ela está chegando, eu sei. — Meu coração não pode continuar se eu perder Alice também. — E você se casará comigo, vai me ajudar com o seu poder, e eu te darei o que quer. Não vou mostrar-lhe o mapa, eu não sou i****a para lhe entregar, mas pergunte algo que só quem teve acesso a ele saberia responder. — Só o mapa de Kratos marca o lugar do tesouro com uma letra diferente de um X. Qual a letra? — Um R. — Eu protejo você e sua irmã, mas não me casarei com você. Tem a minha ... — Não quero sua palavra, Sr. Richelli, quero sua assinatura em um papel. — Eu o interrompo. — Duvida de minha palavra? — Duvido de qualquer homem. — Não engano. — Case-se comigo no papel e terá o que quer. Além disso, você deve ao meu pai. — Eu devo? — Sorri ironicamente. — Eu sei quem você é, ou melhor, quem era. Nós éramos apenas crianças quando meu pai salvou sua vida, você teria sido morto por um dos traficantes da Spider por roubar comida e atrair a polícia, mas papai intercedeu por você. — Relembro, já que ele mesmo não o fez e o desespero me faz falar em algo que não me é legal. Atlas parece tentar visualizar as imagens de anos atrás, como se tentasse me reconhecer. — É hora de retribuir o favor. Tudo fica silencioso. Atlas se choca em saber de quem sou filha e agora provavelmente ele entende o que eu quis dizer quando falei que meu pai me mandou até aqui. Fui mandada em busca de proteção, porque ele foi protegido por papai um dia. — Mostre-me o mapa e conversaremos sobre o assunto. — Eu não... — Vai aprender que eu sou um homem de palavra. — Me interrompe. Seus olhos se tornam firmes, demonstrando que ele não está para brincadeira nem tem tempo a perder. — Mostre! — Nós dividiremos, pode até incluir isso no nosso contrato de casamento. — Tento controlar o desespero, porque apesar de eu parecer calma, sou eu quem está em desvantagem aqui. — Não tenha dúvidas que eu incluirei. — Ele analisa detalhadamente o mapa em sua frente, como se visse o próprio Kratos, sem acreditar que tem em suas mãos o caminho para o maior tesouro da história. — Isso quer dizer que... — Nem consigo completar a frase, engolindo seco. — Eu aceito seu pedido de casamento. ••• Fui instalada em um dos quartos da mansão gigantesca, só o quarto é do tamanho da minha antiga casa inteira. Os últimos dias foram parados para mim, até porque eu não saí do quarto nem para comer enquanto o contrato foi preparado detalhadamente pelo advogado de Atlas. Nós conversamos alguns detalhes, negociamos, e firmamos nosso compromisso – que hoje está sendo frisado com nossa assinatura. Sinto como se Atlas estivesse me escondendo, com vergonha, não sei se do casamento em si ou apenas de mim. Mas não importa, o que importa é conseguir seu apoio. Meu coração só piora ultimamente, pois não encontrei minha irmã não importa o quanto eu tenha esperado. Procurei quando cheguei e ela não veio ao destino marcado, e embora eu tente não perder as esperanças, meu coração piora a cada segundo que passo longe dela. Porém, ao mesmo tempo, sinto que ela está em algum lugar e encontrará seu caminho de volta para mim. Até lá, preciso preparar o terreno para ela. Esse casamento nos dará a proteção que precisamos, e a possibilidade de vingança pelo nosso pai. — Sua vez. — Atlas me passa o contrato de casamento. O contrato deixa claro que não haverá i********e entre nós, ele mesmo colocou a cláusula como se eu quisesse. Não me importo que ele seja realmente belíssimo, com olhos que fazem minhas pernas bambearem e meu estômago borbulhar, ainda assim um toque masculino é o oposto do que eu quero. A questão principal, que é a do mapa, recebeu sua atenção também. Quando encontrado, o tesouro será repartido igualmente entre os dois e para completar, nosso acordo por contrato será válido por três anos. Assino logo após o meu marido, nos tornando oficialmente casados no escritório dele. Fazemos tudo o mais breve possível, por isso tomamos todas as medidas legais aqui mesmo. Foi me dado documentos novos também, e agora, me torno a esposa de Atlas Richelli. Recebi roupas diferentes das que estou acostumada, Atlas mandou um shopping para o quarto e eu escolhi um dos vestidos para o nosso casamento – na cor preta, que até o fez rir. Agora, a sós depois de termos sido deixados sozinhos na sala dele, sou praticamente ignorada por ele que faz uma ligação. — Você o encontrou? — Os olhos de Atlas me encontram enquanto ele fala ao telefone, me deixando intrigada. O que esse homem está planejando? Ele está sorrindo e não sei se seu sorriso quer dizer algo de bom para falar a verdade. — Mate-o. — Não ouso perguntar nada, não tenho direito de saber nada sobre a vida de Atlas, muito menos quem ele manda matar. Mas a forma que ele me encara é no mínimo curiosa. — Que Simon seja seu presente de casamento, esposa. — O que? Você... — Não consigo completar a frase. Nós m*l casamos e Atlas parece querer resolver tudo, impulsivo, arrogante, e crendo que está acima de qualquer outro. Simon não é tão fácil de matar assim e para falar a verdade, eu gostaria que fosse eu. Porém, se ele realmente conseguir, eu serei eternamente grata. — Que nos tragam a cabeça dele então. — Isso me parece o início de uma bela parceria. — Atlas sorri, aprovando a minha resposta. Cuidar das coisas do jeito certo me trouxe até aqui, até no meio das coisas erradas, fui arremessada no mundo no qual sempre fugi e por isso, não há mais nada a se fazer a não ser aceitar o meu destino.   *Pov. Simon* — Com o que está mexendo agora, Simon! Olhe que diabos aconteceu com você, droga? — Baruel entra no quarto, furioso. Meu corpo inteiro dói, parece ter sido atropelado por um trator, mas foram apenas três homens que me emboscaram essa noite. Fui surrado na tentativa de me matar, mas não tiveram sucesso. Antes de finalizarem, meus homens me encontraram e impediram a minha morte. Me pergunto se foi aquela miserável filha de Mazzini, mas ela não teria tanta capacidade assim. — Fui emboscado, irmão. — Informo a meu cunhado. — Isso não vai ficar assim, vai? — Vamos decidir se você vale o sacrifício. Quem você estressou agora? — O líder da Spider me questiona, e apesar de muito machucado, eu sorrio. — Eu não sei quem foi, mas sei o porque. Estava esperando para entregar-lhe em mãos, mas devido aos riscos, e melhor que esteja ciente logo. — Vá direto ao ponto, Simon. — Eu encontrei o mapa de Kratos.
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