CAPÍTULO 04 — ALLEGRA

818 Palavras
As ondas me trouxeram até o outro lado com a correnteza, me fazendo descobrir que na verdade eu estava em uma ilha dentro da Noruega, e agora estou perto do meu destino. Com frio, machucada e ensopada, eu caminho até onde minha memória me leva – o endereço de Guerra. Ando até o lugar que meu pai me indicou, faminta, exausta, e sem dinheiro para comida e água, ou transporte. Ao menos, pelo nome das ruas, estou perto. — Eu não vou pagar por uma mulher como você, é sua obrigação abrir as pernas para qualquer um! Passando pela frente de um beco, ouço uma voz masculina proferindo uma das frases mais terríveis que já ouvi, e olhando para dentro, eu o encontro segurando uma mulher vestida em roupas provocantes. Ela tenta se desvencilhar dele, mas é inútil. Tudo bem, eu já tenho muitos problemas, mas sou mulher e sei como é ser tocada por alguém que você não deseja, então não posso ignorar. — Procure uma égua para fazer isso por você! — Eu o surpreendo, usando de meu tamanho para caminhar silenciosamente até atrás dele e quando vira para mim, o recebo com um chute entre as pernas. Surpresa, me encarando com os olhos enormes, ela mesma acerta um pedaço de madeira contra a cabeça do homem que eu fiz cair de joelhos. Quando o abusador desmaia, ela agarra minha mão e me puxa para fora do beco, gargalhando. — Mulher, você é uma verdadeira leoa! — Eu não diria isso, olhe para mim... — Eu estou um caco e sei disso. — Uma leoa ferida ainda é uma leoa. — Ela sorri para mim, caminhando ao meu lado como se nos conhecêssemos. — Obrigada por distrai-lo, você se arriscou por uma desconhecida. — Tenho certeza que você faria o mesmo se visse uma mulher numa situação daquela. — Sim, eu faria. — Percebe-se que ela é prostituta, suas roupas, maquiagem. Mas como qualquer mulher merece respeito. Ela para de andar, me chamando a atenção por estender a mão para mim. — Eu sou Jane. — Allegra! — Aperto sua mão e voltamos a andar. Permaneço atenta aonde tenho que ir. — Você não é daqui, não é, Allegra? — Está tão na cara assim? — Bom... Devo avisá-la que está entrando em terrenos perigosos. — Aconselha. É exatamente isso que eu preciso, alguém perigoso. Logo a frente, no fim da rua, está uma construção monstruosamente grande. Portões grandes a guardam e um homem proporcional a estrutura está parado frente ao portão, como um soldado. Deixo Jane falando sozinha, caminhando até ele como que hipnotizada. Seu olhar para mim é de nojo, não sei se por ser mulher, minhas roupas, ou qual outro motivo. — Eu vim procurar pelo Guerra. — Espero que seu nome me dê passagem. — Não há ninguém com esse nome aqui, afaste-se. — O dono dessa casa, qual o nome dele? — Vá embora. — Sou avisada. — Allegra, ouça o que ele diz. — Jane segura meus ombros e tenta me afastar, mas eu reluto. — Perdoe-nos, ela está um pouco confusa. — Diga a Atlas que há uma mulher aqui implorando para vê-lo. — Quando houve a nome Atlas, ganho sua atenção. — Ele não está na casa, teve assuntos a tratar. — Abaixa a cabeça em minha direção. — Venha, Allegra, pelo amor de Deus! Ele não está, eu corri tudo isso, para não o encontrar. Saio junto com Jane que está em choque pelo que acabei de fazer, ela visivelmente os teme – isso é bom. Claro que não vou desistir, mas até lá, Jane me acolhe. Ela me mostra seu quartinho e me dá um pano vermelho que me enrolo para me esquentar, e ainda procuramos juntas minha irmã. Alice deveria estar aqui, procuro nas redondezas, pergunto, mas ninguém viu uma garotinha com as suas características. Ela ainda deve estar no caminho. Jane quer que eu volte com ela, mas eu não desisto, esperando na frente da mansão grandiosa por minha irmã. Mas na verdade, quando um carro se aproxima do portão, o mesmo segurança que ainda estava de pé abaixa a cabeça até o vidro e comenta algo, apontando em minha direção com a cabeça. É ele, só pode ser o Guerra. Sem pensar, eu caminho até lá corajosamente. O segurança nota minha aproximação e com certeza o avisa, pois a porta se abre. Dos pés a cabeça, eu analiso o homem que sai do carro e quando o vejo, paralisou ainda a alguns metros de distância. Eu nunca serei capaz de esquecer o seu rosto. — Essa é a mulher, Sr. Richelli. Richelli! O homem que tentou me matar, o homem que fez perguntas sobre o mapa, o homem que não erra. Para onde papai me mandou? Os olhos demoníacos param nos meus e nesse exato momento, minhas pernas parecem desaparecer embaixo de mim.
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