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1860 Palavras
Ella A porta bateu atrás de Pierre, deixando-me sozinha no quarto. Mais uma vez. Meu coração batia forte, como se meu corpo ainda estivesse lutando contra a presença dele. Não que isso fosse novidade. Desde o momento em que fui trazida para esta mansão, cada encontro com Pierre era um embate entre meu medo e a raiva que crescia dentro de mim. Eu odiava ele. Odiava sua arrogância, sua frieza, e principalmente o controle que ele tinha sobre minha vida. E, no entanto, por mais que eu tentasse negar, havia algo em seus olhos... uma sombra de algo que me fazia hesitar. "Não," pensei, balançando a cabeça. "Não posso me deixar enganar." Meus olhos percorreram o quarto luxuoso em que eu estava confinada. Era grande, muito maior do que qualquer espaço em que já vivi. O teto era alto, com lustres de cristal que refletiam a luz suave do sol que entrava pelas janelas imensas. As cortinas eram de um tecido pesado, caro demais para meu toque. A cama, com seus lençóis de seda, parecia um convite ao conforto, mas tudo aqui era uma prisão, por mais bonita que fosse. Suspirei, sentando-me na borda da cama. — O que eu faço agora? — sussurrei para mim mesma. Ninguém respondeu, obviamente. Desde que Pierre me trouxe para cá, minha vida tinha virado de cabeça para baixo. Eu m*l tinha tempo de processar a notícia de que estava grávida, e agora estava presa com um homem que, embora parecesse feito de pedra, emanava uma energia perigosa. Ele era o tipo de homem que fazia as pessoas tremerem apenas com sua presença. E, infelizmente, eu já sabia o suficiente sobre ele para saber que isso não era só uma impressão. — Pierre Tavares... — murmurei o nome dele, o som me trazendo arrepios. A verdade é que ele me assustava. Mas, ao mesmo tempo, minha raiva por ele superava qualquer medo que eu pudesse sentir. Ele me sequestrou, me tirou da minha vida, me colocou aqui como se eu fosse uma posse, não uma pessoa. E agora, ele achava que podia ditar minha vida só porque eu carregava o filho dele? — Ele está enganado se acha que vou aceitar isso — declarei, como se falar em voz alta pudesse fortalecer minha determinação. Eu precisava encontrar uma saída. Não sabia como ou quando, mas sabia que não podia continuar assim. Horas se passaram, ou pelo menos parecia. Eu perdi a noção do tempo aqui dentro. Meu único contato com o mundo exterior eram os empregados que me traziam comida ou perguntavam se eu precisava de algo. Eles eram educados, mas distantes, como se tivessem medo de se aproximar muito de mim. Estava perdida em meus pensamentos quando ouvi uma batida na porta. — Entre — disse, embora minha voz estivesse hesitante. Uma mulher entrou, alta e esguia, com um vestido elegante que parecia ter sido feito sob medida. Seu cabelo estava impecavelmente arrumado, e ela carregava um sorriso que parecia mais um desafio do que uma saudação. — Olá — ela disse, fechando a porta atrás de si. — Você deve ser Ella. — Sim... e você é? Ela deu alguns passos na minha direção, seus saltos fazendo ecoar um som firme no chão de mármore. — Sou Renata Monteiro. O nome não significava nada para mim, mas a maneira como ela me olhava me deixou desconfortável. — O que você quer? — perguntei, tentando manter a voz firme. Renata inclinou a cabeça, como se me analisasse. — Só queria ver com meus próprios olhos quem é a mulher que conseguiu prender a atenção de Pierre. Meu coração deu um salto. O que ela queria dizer com isso? — Não sei do que você está falando. Ela sorriu, mas não era um sorriso amigável. — Ah, por favor. Você acha que Pierre é o tipo de homem que se importa com... sentimentos? Ele é calculista, Ella. Sempre foi. — E o que isso tem a ver comigo? Renata deu de ombros, como se a resposta fosse óbvia. — Você está aqui porque está carregando o filho dele. Nada mais. As palavras dela foram como um soco no estômago. Eu sabia que havia verdade nelas, mas ouvir aquilo de outra pessoa tornava tudo mais real. — Eu não pedi por isso — retruquei, minha voz tremendo de emoção. — Eu sei. — Renata riu, um som frio e vazio. — Mas você está aqui, e isso significa que está no centro de algo muito maior do que pode imaginar. Ela deu mais um passo em minha direção, e instintivamente recuei. — Um conselho, Ella: não confie em Pierre. Ele não é o herói dessa história. Com isso, ela virou-se e saiu, deixando-me sozinha novamente, com seus avisos ecoando na minha mente. Depois que Renata saiu, minha cabeça estava uma bagunça. Parte de mim queria acreditar que ela estava apenas tentando me intimidar, mas outra parte sabia que ela estava certa. Pierre não era um homem bom. Eu sabia disso desde o começo. Mas, ao mesmo tempo, havia algo nele... Algo que me fazia questionar se era realmente tão simples assim. Ele era c***l, sim, mas havia momentos pequenos, quase imperceptíveis — em que parecia ser mais do que isso. Suspirei, sentindo o peso da situação cair sobre mim. Eu precisava pensar no bebê. Se eu não pudesse escapar agora, precisava pelo menos garantir que meu filho estivesse seguro. Pierre podia achar que tinha o controle, mas eu não ia me render. Não completamente. Eu era mais forte do que ele pensava. E, de um jeito ou de outro, ia encontrar uma maneira de recuperar minha liberdade. Pierre O som do motor da Maserati ressoava pela garagem enquanto eu estacionava, tentando controlar a irritação que havia se instalado em mim desde que saí do escritório. Reuniões intermináveis com homens que se achavam dignos de negociar comigo, mas que não passavam de covardes disfarçados. Minha paciência estava no limite, e quando saí do carro, senti o peso do dia me pressionar como uma âncora. Porém, havia algo mais. Algo que vinha me corroendo desde que deixei Ella sozinha naquele quarto. Subi as escadas da mansão, meu passo firme ecoando pelos corredores. Quando cheguei à porta do meu escritório, hesitei por um segundo antes de entrar. A sala estava mergulhada em silêncio, mas minha mente não estava. Mal tive tempo de sentar quando a porta se abriu sem aviso. Não precisei olhar para saber quem era. Apenas uma pessoa ousaria entrar assim: Renata — Pierre, querido, nem ao menos um "olá"? — sua voz suave tinha um tom provocativo que me irritava. Levantei o olhar lentamente, permitindo que ela visse minha impaciência. — Renata, o que você quer? E o que está fazendo aqui denovo? Ela caminhou até minha mesa, seus saltos marcando o piso com autoridade. Ela sabia como fazer uma entrada, isso era inegável. — Queria saber como você está lidando com sua nova... hóspede — ela disse, com um sorriso que era mais uma arma do que uma expressão amigável. Eu não respondi imediatamente. Renata era uma mulher perigosa, e saber jogar com as palavras era sua especialidade. Ela tinha sido uma aliada útil em alguns momentos, mas também era uma lembrança constante de escolhas que preferia esquecer. — Isso não é da sua conta — respondi finalmente, minha voz cortante. Ela arqueou uma sobrancelha, claramente não intimidada. — Ah, Pierre, tudo é da minha conta quando se trata de você. Aproximei-me dela, parando a poucos centímetros de distância. — Você está se aproximando de um limite que não quer cruzar, Renata. Ela riu, um som que ecoou pela sala como um desafio. — Sempre tão protetor. É isso que você sente por ela? Proteção? Ou é algo mais? Minhas mãos cerraram em punhos ao lado do corpo. Eu odiava a maneira como Renata sempre tentava arrancar algo de mim, como se estivesse testando meus limites. — Ella não é da sua conta — eu disse, cada palavra carregada de advertência. — Talvez não. Mas você sabe que, ao trazê-la para sua vida, está abrindo espaço para fraquezas, não é? Sua insinuação me irritou ainda mais. Renata sempre viu o mundo como um campo de batalha, onde sentimentos eram armas que podiam ser usadas contra você. E talvez ela estivesse certa. — Fraquezas não me preocupam. Traições, sim. Você veio aqui com algum propósito ou está apenas procurando uma maneira de me irritar? Ela sorriu, mas havia algo frio em seus olhos. — Eu só queria lembrar você de quem é, Pierre. Um Alpha como você, não pode se dar ao luxo de se distrair. Ela virou-se para sair, mas parou na porta, lançando-me um último olhar. — Boa sorte com sua nova família. Você vai precisar. Quando ela saiu, a sala pareceu ainda mais silenciosa, mas meus pensamentos eram tudo menos calmos. Renata sabia exatamente como plantar dúvidas, e eu odiava admitir que algumas das coisas que ela disse estavam ecoando na minha mente. Ella. Desde que a trouxe para cá, minha vida estava em um caos constante. Não porque ela fosse difícil, mas porque ela me fazia sentir coisas que eu achava que havia enterrado há muito tempo. Ela era teimosa, desafiadora, e, acima de tudo, corajosa. Mesmo com todo o medo que eu sabia que sentia, ela nunca baixava a cabeça para mim. Isso era irritante e fascinante ao mesmo tempo. E então havia o bebê. Meu filho. A ideia de ser pai era algo que nunca havia passado pela minha mente. Não porque eu não quisesse, mas porque não fazia parte do meu mundo. Minha vida era construída sobre poder, controle e sangue. Não havia espaço para vulnerabilidades como família. Mas agora, havia Ella. E o bebê. Eu me levantei e caminhei até a janela, olhando para os jardins perfeitamente cuidados. Minhas mãos estavam firmemente cruzadas atrás das costas, um reflexo do autocontrole que sempre mantive. Renata estava errada. Ella e o bebê não eram fraquezas. Eles eram algo diferente. Algo que ainda não entendia completamente. A porta do escritório foi aberta novamente, mas dessa vez foi Bryan, meu braço direito. Ele entrou silenciosamente, esperando minha permissão para falar. — O que é? — perguntei, sem me virar. — Apenas uma atualização sobre os negócios, senhor. Tudo está em ordem. Assenti, ainda olhando pela janela. — E Ella? — perguntei antes de me dar conta de que a pergunta havia escapado. Bryan hesitou, mas respondeu. — Ela está no quarto. Não saiu de lá desde que você foi embora. Eu sabia que ela estava se sentindo presa, sufocada. Parte de mim queria fazer algo para mudar isso, mas a outra parte sabia que precisava mantê-la aqui, onde poderia protegê-la. — Certifique-se de que ela tenha tudo o que precisa. Mas mantenha a vigilância. — Sim, senhor. Bryan saiu, e o silêncio retornou, mas minha mente estava longe de estar tranquila. Ella era uma tempestade que eu não sabia como controlar, e isso me deixava inquieto. Mas uma coisa era certa: agora que ela estava aqui, não havia como deixá-la ir. Eu não recuava. Nunca. E não seria diferente com ela.
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