Taehyung on
- Você precisa comer alguma coisa. - A mais velha fala com uma mão em meu ombro.
- Não estou com fome. - Sorrio fraco.
- Você precisa ir pra casa descansar... Dormir um pouco, tomar um banho. Não precisa ficar aqui.
- Não se preocupe. A Sook é minha amiga e eu quero ficar aqui por ela.
- Você não pode faltar as aulas.
- Não vou sair do lado dela.
— Os pais dela somos nós. - O homem fala. — Você não precisa e nem deve se preocupar tanto.
Eu ia abrir a boca para me defender, mas o que eu poderia dizer? Que desculpa eu poderia dar por insistir tanto em ficar aqui?
- Eu vou ficar.
Já era tarde da noite e o médico havia liberado a visita para os pais dela, segundo ele não era bom ter muitas pessoas no quarto e isso significa que eu ainda não consegui vê-la. Como eu posso ir embora ou ficar bem se eu ainda não consegui vê-la?
O homem se recosta na poltrona vencido por minha insistência.
- A Sun já sabe? - A mãe da Sook pergunta.
- Não, eu ainda não falei com ela. Ainda não falei com ninguém, na verdade.
- Ela precisa saber. Você poderia avisa-la para mim? Você aproveita e vai para casa descansar um pouco e volta depois. - Propõe num tom doce.
- Quer mesmo me tirar daqui, uhn? - Sorrio cansando.
- Só estou preocupada.
- Tudo bem, mas eu volto. - Me levanto.
- Não espero outra coisa.
[...]
Chegando em casa eu vou direto para o banheiro tomar um banho quente. Eu gasto bastante tempo ali esperando que a água arrancasse toda a tensão e preocupação do meu corpo. Quando saio do banho visto uma calsa moletom e a mesma blusa que a Sook usou quando veio aqui para casa. Sorrio com a lembrança, preciso confessar que minhas roupas ficam melhor nela que em mim.
A noite não foi nem um pouco agradável, eu não consegui dormir bem apenas cochilava e acordava a noite inteira. Olhando no relógio agora vejo que as aulas vão acabar em breve, por isso preciso me arrumar rápido e correr até escola, se eu tiver sorte conseguirei encontrar todos antes de irem embora.
Eu me arrumo rapidamente e corro até a escola e vejo Sun já indo embora.
- Sun! - Grito quando a vejo passar pelo portão.
A garota me encara confusa e faço sinal para que ela venha até mim. Ela parece perdida, porém, faz o que eu pedi.
- O que foi?
— A Sook sofreu um acidente. A mãe dela me pediu para te avisar, quer que você vá vê-la.
— E como ela está? - pergunta preocupada enquanto agarra as auças da mochila que estão em suas costas.
Essa pergunta fez meu coração apertar.
— Está em coma induzido. Eu não tenho certeza de até quando.
Ela pareceu ser abalada pela notícia, no entanto, logo se recompôs.
- Bom, espero que ela fique bem. Até. - Me dá as costas.
- Como assim? - Pergunto incrédulo e a viro para mim novamente.
- Como assim o que?
- Você não vai vê-la? Não está preocupada?
- Não. - Responde depois de hesitar um pouco.
- Qual o seu problema?
- O nosso laço acabou quando ela destruiu minha família.
Isso me tira completamente do sério.
- QUE FAMÍLIA? AQUELE MONSTRO QUE VOCÊ CHAMA DE PAI? AQUELE CARA QUE ESPANCAVA A VOCÊ E A SUA MÃE? VOCÊ VAI DEIXA - LA SOZINHA NESSE MOMENTO TÃO DIFÍCIL SÓ PORQUE ELA TENTOU TE AJUDAR?! QUE TIPO DE PESSOA VOCÊ É?
Ela parece espantada.
- Desde quando você se importa?
- Desde quando você não se importa?
Ela não me responde e apenas fica a me encarar e depois de sustentar seu olhar por um tempo eu decido voltar para o hospital.
[...]
— Qual o sentido de descanso para você? - A mãe de Sook pergunta.
— Eu fui para casa, tomei um banho, tentei dormir e estou aqui agora.
— Eu desisto.
Sorrio satisfeito até que percebo a presença de Sun.
— Decidiu vir? - Arqueio uma sombrancelha.
— Não enche. - Cruza os braços e desvia o olhar me fazendo sorrir.
— Posso ver a Sook? - Pergunto para a mãe da garota.
— Eu não quero a minha filha sozinha com você. - O pai disse.
— Mas ela está desacordada, o que eu poderia fazer?
— Quer dizer que se estivesse acordada você faria algo?
— Mas eu não disse nada!
— Quer dizer que Eu estou inventando coisas, unh?
— Não ponha palavras na minha boca.
— O que você é da minha filha?
— Colega.
— E porque um colega está tão preocupado?
— Porque eu sou uma boa pessoa.
Sun começa a rir.
— Sra. Yoon? - Apelo para a minha única esperança.
— Eu agradeceria, filho. Nós precisamos mesmo ir para casa.
— O que? Você quer ir embora e deixar nossa filha aqui sozinha com ele? - O homem pergunta ingnado.
— Menos, Jun-Seo. - Me encara. - Pode ir filho, voltaremos logo.
Eu apenas assinto e corro para o quarto de Sook antes que o pai dela me impedisse.
Ela estava deitada na cama com os olhos fechados e uma agulha espetada em seu braço. Havia alguns pequenos machucados em seu rosto e mãos e sua expressão estava serena.
— Ei, - me aproximo - você é mesmo fofa quando está dormindo, unh? Nem parece que já tentou me matar várias vezes. - Sorrio acariciando seu rosto. — Você está me fazendo perder meu tempo pabo. Eu estou tendo que ficar nessa cadeira desconfortável de hospital o tempo todo e isso é culpa sua. Tá vendo só? Até sem fazer nada você me atrapalha.
Começo a afagar os seus cabelos e a brincar com seus cachinhos bem apertados.
— Eu realmente gosto do seu cabelo. - Sorrio. - Ele é muito bonito e é legal de ficar brincando.
Fico esticando os fios e os vendo voltar para a mesma posição como uma mola. Isso me fez rir.
— Quando você vai acordar, uhn? Eu preciso de alguém para abusar. Você disse que não gostava quando eu perturbava os garotos da escola, se você não acordar logo eu vou começar a enche-los de novo.
Encaro seu rosto por um tempo e me sento na poltrona ao lado sustentando meu queixo em minhas mãos.
— Você precisa acordar... Para que eu possa te dizer...