capítulo vinte e cinco

2905 Palavras
29 de outubro de 1991: Hoje de manhã o céu nasceu nublado e chovia, mas já estava acostumada com isso, todos os meus aniversários choviam e quando era menor, odiava isso, mas com o passar do tempo acabei gostando desse tipo de tempo. Era reconfortante e talvez um pouco solitário, mas aquele tipo de tempo me representava, representava o que sentia. Ainda estava com as roupas do hospital lendo mais uma vez sobre os fundadores e seus romances nada "clichês" e Rabastan estava tomando chocolate quente como sempre, enquanto olhava a janela que estava embaçada. Sentiria falta dele e de nossas conversas estranhas e de nossas brincadeiras que me traziam alguns hematomas, mas eu ainda sentiria falta dele. _ Sentirei sua falta. - Digo olhando para o livro em minhas mãos e tentando não chorar. Eu sabia que ele me olhava com olhos esbugalhados, mas não queria olhá-lo para confirmar ou acabaria chorando. _ Também sentirei saudades de suas tentativas fracassadas de jogar o livro na parede ou tentar jogar o livro em mim. - Riu se lembrando de alguns desses acontecimentos que só aconteceram em sua cabeça... Ok, só foram algumas vezes ou centenas de vezes, mas ninguém liga. _ Não tenho culpa que me dá raiva de vez em quando. - Fecho o livro e o olhei. _ Espero que me mande cartas sobre seu dia ou sei lá. - Mordi os lábios. _ Aceitaria ler minhas cartas? - Perguntou surpreso e se levantou vindo até mim. _ Só se você me contar o motivo de vir cuidar de mim. - Perguntei mais uma vez. Toda a vez que tocava no assunto ele mudava para outro tipo de conversa e eu odiava isso, eu sabia que ele não veio aqui por livre e espontânea vontade, mas ele não me contava a real razão. Quando ele iria abrir a boca para talvez me contar, a porta é aberta e ele foi salvo mais uma vez. Merda! _ Como você está se sentindo, Sienna? - Perguntou Smigle com um sorriso simpático e se não fosse a mãe da minha amiga, eu a mataria sem pensar duas vezes. _ Bem e pronta para sair daqui. - Ri azeda. _ Bom, se seus exames disserem que está bem, então você terá alta para ir para casa. _ Não, eu vou voltar para escola. - Digo a olhando. _ Tem certeza? Lá tem várias escadas e isso pode piorar sua situação. _ Tenho. _ Então está bem. - Começou a fazer os exames e sempre acenava a cabeça para algo que estava bom. _ Está tudo ok, você só tem que tomar cuidado com suas pernas e feliz aniversário. - Me abraçou e aquilo foi reconfortante. _ Obrigada. - Até agora as únicas pessoas que me deram parabéns foram Rabastan e Smigle, mas apenas de ser lembrada era suficiente. Levantei-me e vou ao banheiro me trocar, quando me vejo no espelho tento sorrir como se estivesse feliz, mas nem isso consigo. Quando termino de me trocar e saio do banheiro, olhei para Rabastan e vou até ele. _ Eu adoraria que você me mandasse cartas. - Digo o abraçando apertado. _ Então irei enviar junto com seu presente. - Sorriu alisando meus cabelos. Desgrudei-me dele e olhei para o quarto que não sentiria nenhuma falta, nem mesmo da comida e volto a olhá-lo. _ Não preciso de presente, apenas sua carta já está de bom tamanho e até algum dia. - Digo pegando minhas coisas da minha cama e saio do quarto junto com Smigle. _ Até, baixinha. Rabastan virou meu amigo no dia que ele veio cuidar de mim, mas dentro do meu peito eu o considerava como uma imagem paterna, já que nunca tive a oportunidade de saber como é ter um pai. Mesmo não sabendo o motivo dele ter vindo cuidar de mim, eu agradecia por ele ter vindo, ainda mais por saber que ele amava minha mãe e nunca ficou no seu caminho. _ Então é aqui que nós nos despedimos. - Sorriu me mostrando a lareira do hospital. _ Obrigada por tudo. - Digo enquanto pego um punhado de pó de flu. _ Não precisa agradecer. - Sorriu. _ Apenas diga a minha filha para ela não combinar nada para o Natal. _ Ok. - Eu sabia que iria esquecer de falar isso para Cristal, mas não digo nada, apenas entro na lareira e falo meu destino. Saio da lareira do gabinete do diretor e vejo que ele caminhava para a porta de entrada. Iria chamá-lo, mas os quadros dos antigos diretores fizeram sinal de silêncio e fiz o que eles pediram. Vejo Dumbledore sair do gabinete e me vejo caminhando para um quadro de um diretor. _ Por que me mandaram ficar quieta? _ Vejo que você tem uma pulseira localizadora. - Falou um homem de barba branca e de olhos extremamente verdes. Olho para meu pulso e vejo a pulseira que ganhei daquele homem. _ Ganhei de uma pessoa no Beco Diagonal, mas o que isso tem a ver com Dumbledore? _ Não podemos falar, mas tome cuidado com o professor Snape e Dumbledore. - Sorriu. _ Você sabe que mesmo pedindo isso, o inevitável vai acontecer. - Falou Alistair e me virei para vê-lo na estante da frente. _ Como vai, senhorita Olwey? _ Confusa, mas bem. _ Apenas fique longe deles e sempre fique na companhia de alguém, agora vá, não perca tempo. Abro a porta e saio do gabinete do diretor, desço os degraus e quando chego no último, sinto minha barriga roncar e nesse momento nem mesmo penso em ir para o salão comunal ou pensar sobre o motivo daquele quadro me dizer coisas estranhas. Vou em direção da cozinha já que o almoço já deveria ter terminado e vejo alguns alunos me olhando de esguelha, mas nem mesmo ligo para eles. Faço cócegas na pera e entro na cozinha que estava cheia de elfos que cozinhavam e lavavam vasilhas e talheres. _ Com licença? - Digo chamando atenção de todos. _ Senhorita Dolohov, é um prazer ter você em nossa cozinha. - Disse um elfo que estava limpando as mãos no pano de prato. _ O que você vai querer, querida? - O elfo tinha um chapéu fofo na cabeça e tinha um monóculo. Mas o interessante não era sua vestimenta e sim, como ele me conhecia ou o porquê ele estava me tratando tão bem. _ Eu queria um pouco de comida se não for pedir demais. - Digo me sentando na cadeira de madeira que tinha ali. _ Imagina, querida, é um prazer te servir. - Ok, aquilo estava ficando estranho. _ Você me conhece? - Acabei perguntando e todos os elfos pararam de fazer o que estavam fazendo e me olharam espantados. _ Falei algo que não devia? - Olhei para o elfo. _ Vejo que ainda não recuperou aquilo. - Disse amuado. _ Não tem problema, ainda temos tempo, eu me chamo Jarr e sou o chefe da cozinha. - Disse estendendo sua mão. _ Prazer em conhecê-lo, Jarr. _ O prazer é todo meu. - Ele disse indo atrás de talheres. _ Aqui, espero que goste. A comida era apenas arroz branco, lasanha, batata frita e bife. Não era chique como Demion cismava em fazer, mas era boa e saborosa. _ Obrigada. - Digo comendo. Quando terminei, olhei para eles e tinha uma sensação de que talvez eu realmente conhecesse esses elfos, mas, ao mesmo tempo, me perguntava de onde? Agradeço a comida e saio da cozinha e vou em direção ao gabinete do diretor, eu sabia que meus amigos deveriam estar me esperando e só com esse pensamento fico feliz. Eu tinha realmente amigos que se importavam comigo. Chego mais perto do meu destino e vejo um grupo de alunos com uniformes diferenciados e tinha uma pequena discussão acontecendo entre dois Sonserinos e já sabia muito bem quem seriam eles. _ Não acha que tem muita gente? - Perguntou Draco olhando em volta. _ Sienna fez amigos muito rápido, então não acho que tenha muita gente. _ Não sei como Sienna pode gostar de você. - Resmungou revirando os olhos. _ O que disse? - Olhou de esguelha. _ Não sou toca disco para repetir. - Bufou contragosto. _ Isso é de origem trouxa. _ Não me diga? _ Por que vocês gostam tanto de brigar? - Falo os olhando. _ Não mereço nem mesmo um abraço? _ Claro que merece, pirralha. - Cristal correu me abraçando. Mas se fosse só ela que fosse me abraçar estaria calma e respirando, mas todos vieram ao mesmo tempo, e já podia ver a luz branca no fim do túnel. _ Ei, estou morrendo sufocada. - Ri e vejo todos distanciarem de mim. _ Eu senti saudades de vocês. _ Nós não sentimos. - Draco secou uma lágrima que rolava pelo seu rosto. _ Que grande mentira, você quase morreu por tanto chorar. - Thomas bateu no ombro de Draco, rindo de lado. _ Você não deveria ter vindo dali? - Apontou para a escadaria do gabinete do diretor. _ E vim, só que cheguei mais cedo e fui à cozinha para comer alguma coisa. _ Você e sua comilança. - Riu Chistalya e Badeea. _ Vamos indo, eu odeio ficar nesse corredor. _ Só por que esse corredor fica infestado de Grifinórios? - Sorriu Cally. _ Não se esqueça que sou dessa casa. _ Não estamos falando de vocês, estamos falando daqueles Grifinórios que são insuportáveis e que fazem gracinha até mesmo com sua própria casa. _ Não se desculpe, também odeio eles, principalmente o Percy que colocou o broche de monitor em frente dos seus conceitos e educação. - Franziu a testa. _ Me desculpem meninos. _ Relaxa. - Falaram os gêmeos em uníssono. _ Bom, hoje é um dia especial para uma pessoa especial para nós, então com muito esforço e suborno, nós fizemos algo bem pequeno para você. - Cristal falou colocando seu braço no meu ombro. _ Ela disse pequeno? - Perguntou Fred atrás de todos para se esconder. _ Sim, se ela acha que carreguei aqueles barris de cerveja amanteigada para ela chamar de "pequeno", ela está muito enganada. - Jorge fez beicinho. _ Não foram só vocês que trabalharam. - Leesa disse atrás deles, os fazendo levar um pequeno susto. _ Quer nos matar do coração? - Falaram os dois. _ Ande logo, estamos ficando para trás. - Apontou para frente. _ E não, não quero que vocês morram por ataque cardíaco. _ Já iria reclamar com aquele seu admirador secreto. - Sorriu por ver a menina ficar vermelha. _ Vai nos falar o nome do sujeito ou teremos que sequestrar uma de suas cartas? _ Vocês não fariam isso. - Falou os olhando assustada. _ Apenas diga. _ O nome dele tem tudo muito a ver com a minha casa ou... - Tossiu envergonhada. _ Com o fundador. Os dois pararam de andar e a olharam pasmos demais para falar algo concreto o suficiente. Eles se olharam e caíram na gargalhada. _ Por Merlim, o seu admirador secreto se chama Salazar Slytherin? - Fred riu como se o mundo fosse acabar em qualquer momento. _ Retire o Slytherin. - Falou olhando para os lados envergonhada. _ Slytherin não existe mais, apenas suas ramificações, algum parente dele deve ter tido apenas filhas e a filha se casou com outro e assim o sobrenome acabou parando de existir. _ Nós sabemos como isso funciona, Leesa, apenas achamos interessante o nome do seu pretendente ser Salazar, é um nome meio incomum. - Proferiu Jorge, parando de rir e entrando no salão Comunal da Sonserina. Leesa apenas ficou calada e se sentou ao lado da aniversariante que sorria com todos os presentes sendo dados para ela. Salazar, ela pensou com as bochechas vermelhas, ela queria que ele pelo menos fosse de sua idade ou que estudasse em Hogwarts, mas nada era perfeito na vida da segunda filha do Comensal da Morte, Avery. Ela ainda se lembrava da carta que ele lhe mandou e suas palavras escritas eram um mistério para si, mas, ao mesmo tempo, fazia tanto sentido. Leesa colocou a mão onde a carta estava e ela suspirou feliz. Mas seus pensamentos foram banidos de sua cabeça por Cristal. _ Como hoje é dia da nossa pequena cachinhos, nada mais justo que tirar uma foto para lembrar desse momento! - Quase gritou Cristal para que todos a ouvissem. O salão estava lotado e odiava lugares cheios, mas eu fazia um esforço por isso, todos bebiam e conversam, gostava de vê-los assim, felizes. Eles fizeram isso por mim e me sentia feliz por essa ação de carinho. _ Isso. - Chistalya quase quebrou a câmera que estava em cima da lareira. _ Peguei emprestado com o professor Snape, então se apertem para que todos saiam na foto. Fez a câmera flutuar e se colocou atrás de mim, junto com os gêmeos e outras pessoas que não tive o prazer de vislumbrar as caretas que faziam para a foto. Thomas e Draco estavam ao meu lado e aquilo fez toda solidão que senti na minha infância desaparecer por apenas três segundos. Quando as fotos foram tiradas, agarrei a mão de Thomas e desapareci do salão Comunal. Draco se divertia e esse era o motivo que não peguei sua mão para subir junto. Subi os degraus e empurrei a porta do meu quarto para que nós entrássemos, me joguei em minha cama e Thomas fechou a porta, vindo em minha direção preocupado. _ O que houve? - Perguntou Thomas, sentando-se na minha cama. _ Nada. - Retiro meus sapatos e me jogo novamente em minha cama e vejo que Thomas fez a mesma coisa. _ O que tanto pensa? - Perguntou Thomas deitado ao meu lado. _ Que hoje foi divertido. - Sorri e vejo que ele alisava meu rosto. _ Você não ficou na festa nem por três minutos. - Sorriu beijando minha testa. _ Eles demoraram semanas para conseguir fazer a festa. _ Eu não gosto de festas ou foi assim que me permiti a pensar. - Sorri olhando para o teto. _ O último aniversário meu foi de cinco anos, eu acho. _ E? _ E que depois disso, me proibi de festejar qualquer coisa, festas me fazem lembrar que já fui feliz naquela época com a minha mãe. - Enxuguei uma lágrima. _ Mas não quero falar disso e ainda não agradeci o presente. - Falo tocando o colar. Ele me olhou e não disse nada, apenas levantou meu rosto e se aproximou de minha boca. Meu coração começou a acelerar de tal maneira que pensei que iria infartar. _ Parabéns por completar doze anos, Sienna. - Beijou a minha bochecha e aquilo me fez chorar. _ Por que está chorando? _ Eu me senti tão vazia por todos esses anos, Tommy e apenas por você dizer essas palavras me fez perceber que não estou mais sozinha. Eu me sinto especial. - O olhei com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. _ Você sempre foi especial, Sienna e ainda mais por ser essa pessoa maravilhosa que é. - Ele respirou fundo e me disse a coisa mais emocionante e linda que já escutei em toda a minha pequena e medíocre vida. _ Eu te amo. Meu coração parecia um tambor, minha boca ficou seca e meus olhos ficaram vidrados em seus olhos verdes que não eram certos para aquele garoto, meus pensamentos pararam por alguns segundos e tudo que pude fazer foi olhá-lo como uma boba apaixonada e torcendo para que ele me beijasse naquele momento. Mas ele fez uma promessa e eu sabia que ele não iria descumprir. _ O que disse? - Digo com a voz embargada. _ Poderia, por favor, repetir? _ Um dia você vai descobrir todos os meus segredos e talvez isso irá te trazer repugnância e é esse um dos motivos que não lhe beijo aqui e agora. Também por causa da minha promessa. - Suspirou alisando meu rosto. _ Mas quero lhe dizer que desde daquele dia que você bateu na Corvina, venho tendo sentimentos estranhos por você, e não são possessivos. - É 50% possessivo, mas ela não precisaria saber disso, pensou consigo. _ Me explique como são esses sentimentos estranhos. _ Eu não consigo explicar, apenas sentir e te dizer que lhe amo. E naquele momento percebi que minha vida triste e solitária seria regada de carinho e descobertas inacreditáveis, mas por causa do amor que eu sentia e que ele dizia sentir, eu moveria o céu para reencontrar ele novamente, mesmo quando eu não tivesse mais memórias sobre esse amor ou foi isso que pensei em fazer antes de ser destruída mental e emocionalmente. E Sienna realmente esqueceu de falar para Cristal em não combinar nada no Natal... ┝┈┈───╼⊳⊰ ? ⊱⊲╾───┈┈┥ Minha pequena rata: Finalmente te encontrei depois de anos de busca e pensar que você está onde tudo começou. Meus sentimentos por você são ainda mais eloquentes e vividos do que antigamente, apenas de pensar em seus cabelos ondulados, seus olhos verdes que me fazem lembrar daquele dia em que nós nos conhecemos e sua pequena boca que me fez e ainda me faz delirar por ela... Eu finalmente posso ter você, depois de milênios posso finalmente ser feliz com a mulher que amo. De seu Salazar.
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