capítulo oito

2478 Palavras
Azkaban: agosto 1991. A noite sempre habitava aquele lugar, as ondas sempre quebrando na parede da prisão, lamentos e juras de ódio e vingança sendo escutados por todos os prisioneiros, era a vida que todos tinham naquele lugar. Alguns preferiam esperar a morte; outros contar os dias e o resto preferiam enlouquecer. Era uma vida de dor e sofrimento e mesmo que quase todos que estivessem ali fossem bruxos das trevas, eles não mereciam aquele tratamento. Mas ninguém se importava o bastante para o descaso daqueles detentos, eram apenas bruxos das trevas que mataram incontáveis vidas e não mereciam pena da população. As pessoas que estavam ali presas já estavam ficando cansadas pela demora de seu resgate, eles queriam sair dali e viverem suas vidas, porque eles sabiam que seu mestre tinha morrido em 81. Ah, 1981, aquele ano foi uma confusão para todos os Comensais da Morte, eles não sabiam o que tinha realmente acontecido, apenas que alguns Comensais acordaram naquele lugar e que todos estavam em perfeito estado. Nem mesmo suas magias foram restringidas, aquilo era estranho e mesmo tendo magia eles não queriam escapar de sua lamentável prisão, claro que eles sentiam saudades do mundo exterior. Mas era melhor que eles ficassem naquele lugar do que ficarem fugindo e colocarem a vida de seus filhos e familiares em perigo. Porém, se alguma pessoa fosse resgatá-los e dissesse que suas famílias iriam ficar bem, aqueles detentos não fariam de rogados, eles iriam e tentariam descobrir o que realmente aconteceu com seu mestre. Eles ainda eram humanos, eram sábios e tinham sentimentos, porém, todos colocaram eles como vilões devido a apenas um ponto de vista, mas se o mundo exterior visse o ponto de vista daqueles que estavam presos? Eles conseguiriam abrir os olhos da população para toda a tramoia que a Luz estava fazendo? Mas como sempre, são apenas hipóteses e nada mais, além disso. Os Dementadores ainda sugavam a pouca felicidade daqueles pobres infelizes, alguns conseguiam usar Expectro Patronum com suas varinhas que também não foram pegas e esse também era um dos motivos que todos achavam estranho estarem presos com seus objetos pessoais. E tinham aqueles que não ligavam mais para vida, apenas queriam a calorosa ou fria morte. Bellatrix era uma dessas pessoas, ela não conseguia fazer um Patronum, então para não ficar louca naquele lugar, ela começou a conversar com os detentos e com um desses prisioneiros, ela descobriu uma música trouxa e passou a cantar ela quando a infelicidade batia na porta. Alguns cantavam com ela, mas os restantes queriam que ela calasse a boca. _ Qual é, Dementadores, vocês não querem minha felicidade? Ela não é boa o bastante para vocês? - Ria histericamente como sempre Bellatrix e, mesmo rindo, continuava a cantar: _ Dominique, nique, nique S'en allait tout simplement Routier, pauvre et chantant En tous chemins, en tous lieux Il ne parle que du Bon Dieu Il ne parle que du Bon Dieu. Os Dementadores que sobrevoavam o céu, não pareciam ligar para aquelas palavras, eles queriam apenas ficar ali, voando. _ Cale a boca, sua v***a histérica! - Gritou Sirius Black. Bellatrix que era uma cela acima de Sirius não conseguia ver o seu "precioso" primo, mesmo colocando sua face na grade ela não conseguia ver a sua cela. _ Venha calar, seu cachorro fedido! - Gritou Bella. _ O que está esperando para escapar dessa maldita prisão? Sabemos que você não matou os trouxas daquele lugar e muito menos aquele rato. - Falava Bella, ela não ligava para mais nada. _ Como sabe disso, sua histérica? - Perguntou sobre a forma carinhosa da Bella tê-lo chamado de "cachorro". _ Ora, essa, acha mesmo que ninguém sabe que você é um animago? - Zombou, mas continuou a falar: _ Antes de tudo acontecer, uma pessoa mostrou o futuro para o Lorde. - Bellatrix era o braço direito do Lorde, então suas palavras poderiam ser verdadeiras, pensava aquelas pessoas. _ Então por que vocês estão aqui? - Perguntou Sirius rindo da burrice de sua prima. _ Não sabemos. - Antonin entrou na conversa, talvez conversar com uma pessoa da Luz fosse algo interessante. _ Como não sabem? - Perguntou Sirius, sentado no chão de sua cela, sua cabeça estava apoiada na grade e sua testa estava enrugada em confusão. _ E como você está preso? Você nunca mataria doze trouxas e ainda mais aquele rato. - Pontuou o óbvio uns dos Comensais, alguns deles não sabiam que o "rato" tinha vendido seus amigos para seu mestre. _ Você deveria estar solto e cuidando de seu afilhado. _ Não ouse falar do Harry, seu Comensal imundo! - Berrou Sirius, mas se conteve. _ Também não sei, não tive audiência e vocês sabem muito bem disso. _ Sabemos, mas não sabemos o motivo disso não ocorrer. Igual a nós, não tivemos audiência, e mesmo que tivéssemos poderíamos ganhar o Beijo do Dementador, então para a gente é melhor não ter audiência. - Comentou Antonin. _ Ele está certo primo. - Bella falou mansa. _Você é inocente e pode muito bem pedir Dumbledore para ele abrir um inquérito para te libertar. Sirius ficou surpreso, sua prima era a louca da família Black, mas o que estava acontecendo naquele momento? Ela estava o ajudando? Sirius estava confuso demais para responder, mas reuniu coragem de sua casa e falou o que estava o importunando nestes anos. _ Dumbledore não vai me ajudar, foi ele que me colocou aqui. - Falou entre dentes, suas lembranças poderiam estar confusas, mas ele se lembrava de algumas coisas. _ Como? - Espantou todos os detentos que ali residiam. _ Claro que antes que os aurores me trouxessem para cá, Dumbledore tinha ido ao ministério confirmar sobre o relatório que o ministro deu a ele. - Falou se esforçando para se lembrar daquele dia. _ Quando ele me viu, pediu para falar comigo e os aurores deixaram. Falei para ele que eu não tinha feito nada daquilo, eu estava apenas indo atrás do Peter para saber o porquê de ele ter dado as informações para aquele homem. - Falou olhando para o céu n***o e vendo aqueles vultos sobrevoando. _ Ele falou que iria averiguar a situação, mas a situação era delicada porque eles me pegaram em flagrante e eu concordei, ele era Albus Dumbledore em que sã consciência iria pensar que ele estava manipulando todos? _ Pensamos e olha o que ele fez conosco, Albus sempre foi um homem muito bonzinho para o meu gosto e um desses motivos que pesquisei a fundo sobre ele. - Comentou Antonin. _ Meu avô e pai pensaram a mesma coisa e pesquisaram sobre os antecedentes de Albus e o que eles descobriram foi algo surpreendente. _ E o que eles descobriram? - Perguntou Rodolphus. _ Eles descobriram que Grindelwald era o melhor amigo de Albus e se não fosse o bastante, ele era a paixão dele. Albus concordava com a ideologia de Grindelwald, mas quando sua irmã Ariana morreu, cada um seguiu seu rumo. _ Não o culpo, Grindelwald era muito bonito naquela época e seus olhos sempre foram misteriosos. - Proferiu uma Comensal. _ E claro. - Sorriu misteriosa para o nada. _ Muito manipulador. _ Você não parece ser de idade para ter o conhecido. - Proferiu Rodolphus. _ Eu nunca o conheci, mas minha avó já e ela me contou sobre ele, e até mesmo me mostrou um quadro dele, posso lhe dizer que era uma beldade. - Comentou a prisioneira. _ Isso aqui virou rodinha de fofoca? - Riu Rabastan. Mas o que mais eles poderiam fazer além de fofocar sobre o passado? Pensavam aquelas pessoas. _ Mas, me conte Sirius como é ser traído por Dumbledore? _ Maravilhoso, eu presumo. - Riu Rodolphus. _ Vocês realmente são irmãos, mas me conte, como é ficar na prisão esperando uma pessoa morta aparecer? - Perguntou Sirius com sarcasmo na voz. Todos ficaram em silêncio, ele tinha razão, pensavam eles. Voldemort, o dito cujo que dizia que iria transformar a sociedade bruxa numa melhor, havia desaparecido ou estava morto. Os poucos que visitavam aqueles detentos traziam informações externas e lhes contavam sobre o paradeiro do mestre, mas sempre era a mesma coisa: não sabemos onde ele poderia estar. Todos ali deram um suspiro de concordância mútua, mesmo que ele não fosse encontrando, a devoção para seu senhor estaria intacta. Ninguém conhecia a história por trás daqueles que se autodenominavam como Comensais da Morte, mas os seus iguais conheciam. Mesmo nascendo de famílias proeminentes, eles sentiam que poderiam dar o seu sangue para sua comunidade, mas quando eles tentaram entrar para a Ordem da Fênix suas ambições e sonhos foram jogados na lata do lixo. Muitos que estavam ali eram de famílias que seguiam e apoiavam a Luz, mas quando chegou a hora de entrar para a Ordem, Dumbledore e os outros passavam uma proposta totalmente diferente do que o mundo precisava. Claro que todos precisavam de proteção e união, mas expulsar os seres mágicos das terras mágicas e colocá-los em outro ambiente que eles não estariam acostumados, era um absurdo. Ou não avançar um pouco na tecnologia e estudos era totalmente ilógico e isso era apenas uma das coisas que aqueles que se diziam serem da Luz queriam implementar no mundo. Antes mesmos dos detentos argumentarem algo a favor do seu mestre, passos foram escutados e os Dementadores ficaram agoniados com a aura que exalava daquele ser de vestes pretas. _ Vejo que cheguei numa hora boa, fofocas sempre contém um pouco da verdade. - Falou o homem com uma voz rouca e sedutora. _ O senhor está certo, mas as fofocas que estávamos contando é pura verdade. - Comentou Rabastan. _ Eu sei, meu caro Rabastan, e eu acredito. Sorriu amplamente, suas vestes pretas tinham desenhos nas mangas em dourado, seus olhos avermelhados eram capazes de serem vistos na penumbra, sua estatura empoderada e seu semblante sério, mas risonho era o que dava medo naquelas pessoas, porque eles o conheciam. Aquele homem era temido e adorado por metade daqueles prisioneiros, era mestre daqueles que seguiam a magia das trevas, ele era Lorde Voldemort. _ Sirius Black, eu presumo que eles não estão esperando uma pessoa morta, não é mesmo, Nagini? Tinha um ser rastejante no chão empoeirado e sibilava algo para seu mestre, todos sentiram calafrios na espinha e suor frio descia pela testa. O Lorde poderia aparecer, mas tinha que trazer aquela cobra? _ Meu Lorde. - Proferiram todos e se ajoelharam perante o seu mestre, eles estavam felizes pela sua volta. _ Se levantem, meus caros seguidores. - Falou monótono. _ Venho lhes contar algo. Não poderei libertar vocês agora, acabei de voltar e minha magia ainda está instável em meu corpo, pretendo ver quem é meus aliados e quem está contra mim. Estarei em um lugar e neste lugar estarei vigiando todos vocês, então não pensem que podem fazer o que quiserem quando saírem daqui, escutou, Bella? - Olhou para a cela que continha Bellatrix. _ Claro, meu mestre. _ Meu senhor, poderia deixar que eu lhe perguntasse algo? - Perguntou Rodolphus. _ Claro, siga em frente. _ Como sairemos daqui? _ Obrigado pela pergunta, meu caro Rodolphus. Como vocês podem ver, Azkaban não é tão impenetrável como todos dizem, estou aqui como prova viva. - Riram os detentos. _ E pelo que percebi, todos têm magia, por que vocês não escaparam? _ Tememos por nossas famílias, meu senhor. - Respondeu novamente Rodolphus. _ Entendo. - Falou pensativo. _ Irei criar um plano para proteger seus familiares se eles desejarem, sabem muito bem que não protejo aqueles que não querem minha proteção. _ Nosso senhor é muito bom conosco, não sabemos como agradecer a sua generosidade. - Rodolphus se ajoelhou novamente e olhou para o chão para mostrar respeito para aquele homem imponente em sua frente. _ Quando chegar a hora todos vocês irão saber e voltando ao assunto de vocês fugirem, me deem um mês e irei voltar aqui com reforços para que todos vocês fujam em perfeito estado. - Olhou para Sirius e sorriu novamente. _ Se você. - Apontou para o Black. _ Quiser escapar, essa é uma boa oportunidade, mas apenas se você quiser. _ Fugir junto com os detentos das trevas não é dizer para o mundo que sou realmente o culpado daquele atentado? E mesmo se eu fosse, onde eu iria me esconder? Todos que estão lá fora me odeiam por pensar que matei doze pessoas e meu amigo, e também por me aliar a você. - Quase explodiu em fúria, mas não gritou. _ Você está certo. - Respondeu por fim. _ Então fique aqui e morra. Irei primeiro, vejo alguns de vocês no mês que vem. - Caminhou em passos leves em direção a saída junto com Nagini que escalava seu corpo para aconchegar sua cabeça em seu pescoço, mas ele parou quando viu a cela do marido de Destiny. _ Dolohov, que prazer reencontrá-lo. _ Meu senhor. - Fez uma reverência. _ Antes de o senhor ir, poderia te pedir um favor? O senhor pode me cobrar em dobro ou até mesmo o triplo depois. - Falou se levantando e chegando perto da grade de sua cela. _ Diga-me, o que você quer? _ Por favor, vá ao meu cofre e de minha esposa, e pegue os livros de magia n***a e antiga que estão lá e os esconda. _ Por quê? _ Destiny parou de nos visitar há bastante tempo e fiquei preocupado, mas alguns anos atrás, Dumbledore veio me visitar e me disse que minha mulher estava morta e até mesmo teve a ousadia de me dizer em mínimos detalhes de como ela morreu. - Proferiu entre dentes e suas unhas rasgaram a pele de sua mão. _ Como estou preso e minha esposa morreu, Dumbledore se tornou o guardião mágico de minha filha e sendo guardião, ele tem o total direito de mexer nos cofres. Pegue os livros que estão lá antes que seja tarde demais. - Ele vai até a cama esfarrapada de sua cela e pega o anel de senhorio o entregando ao Lorde. O Lorde achava estranho que todos os prisioneiros ainda tivessem poder circulando em suas veias e para piorar a sua estranheza, os objetos pessoais deles estavam ali, com eles. _ Como você ainda tem o seu anel? - Proferiu rodando o anel em sua mão pálida. _ E como irei entrar no cofre de sua esposa se não tenho o anel dela ou a varinha? _ O senhor está certo, não tinha pensado nisso, me perdoe, mas tire os livros de meu cofre e a outra pergunta, não sei responder, também achamos estranho. _ Irei investigar isso, irei primeiro, vejo você em um mês. E foi esse o motivo dos fugitivos escaparem, seu mestre tinha voltado.
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