Capítulo 10 — MICHAEL

1106 Palavras
Michael Williams: Suzan não deveria ter ido até mim ontem a noite, isso me deixou furioso, mesmo após ter enviado uma boa quantia para ela, ainda sim me perturba. Eu tinha que resolver um assunto sério, era sobre a Suzan e eu sabia que ela queria me ferrar, só não sabia que seria de uma forma tão sentimental. — Finalmente, você não chegava nunca? — seus olhos azuis brilhavam ao me ver, correndo ela veio me abraçar. — Não me toque, por favor! Então, espero que tenha um bom motivo para ter me chamado até aqui. A casa dela estava bem arrumada. Estava com uma bela apresentação e a luz de velas. Suzan parecia nervosa, bebeu uma taça de vinho em uma virada só. — Eu estou indo embora da cidade, mas depois de tantos anos juntos, eu não me sinto mais no direito de continuar escondendo a coisa mais doida que já aconteceu em nossas vidas. Há três anos atrás a nossa filha nasceu, eu estava sozinha no banheiro e… — suas mãos tremiam, ela chorava e me olhava com um olhar de piedade. Olhei firme para ela segurando em suas mãos e disse que estava tudo bem. — E eu não tive aborto algum, nosso filho nasceu e eu não queria ser mãe, não estava preparada pra isso. Conversei com uma colega minha, lhe dei uma grana e quando ele nasceu, ela o buscou e foi embora. Não era uma filha, eu também menti nisso. — Você vendeu o seu próprio filho? Sabendo que tinha a mim e que eu queria aquela filha, que na verdade é filho e você… você é tão vazia Suzan, e eu gosto de pessoas intensas. — respirei fundo e lhe dei mais uma chance de responder, mas não houve respostas de sua parte. — Onde ele está hoje? — Eu não o vendi, ele tem os nossos sobrenomes, eu o registrei, não sou uma desnaturada. Ele mora em um orfanato, eu pago para que não o coloquem na adoção, e que cuidem dele. Estava buscando uma forma de contar isso para você, mas eu não sabia como começar, então decidi te contar isso hoje, antes que seja tarde demais. Se quiser vê-lo eu te levo lá, mas não quero contato. E… hoje seria o dia de pagar a moça que olha ele lá… — ela tratava isso como se fosse normal, enquanto eu estava sem chão diante tudo que acabei de ouvir. — Entra logo no carro antes que eu faça uma besteira… — com os punhos fechados esperei que ela entrasse no carro, assim não teria que olhar em sua cara novamente. Já se passavam das 19:30 e eu tinha um compromisso, agora não sei o que vou fazer. — Chegamos! — Suzan desceu rapidamente do carro, andando depressa para dentro do lugar. A sensação de vê-lo dentro daquele berço, dormindo feito um anjo, despertou em mim uma sensação de medo e ansiedade. Pela primeira vez na minha vida eu senti medo e não me defendi. — O nome dele é Zenith. Boa sorte! — isso foi tudo que ela disse antes de bater seu salto contra o chão de madeira, jogar os cabelos para o lado e sair. Uma senhora segurava um bebê em seu colo, vindo em minha direção com um largo sorriso nos lábios e um olhar terno em seus olhos. — Boa noite, Sr. Williams, esse é o Zen! — no momento em que ele me viu, sorriu para mim e deu os braços, como se quisesse o meu colo. Eu não me sentia eu naquele momento, era como se outras pessoas estivesse assumindo o meu lugar ali. Como Suzan pode esconder de mim que tivemos um filho? Todos esses anos de relacionamento, ainda sim, ela foi capaz de mentir para mim, quando sabia que eu jamais recusaria um filho. Jamais. — Acho que agora podemos sentar um pouco, tenho algumas coisas a lhe dizer, como o Sr. tem a guarda da criança, não posso mais cuidar dele aqui sem que ele entre na fila de adoção. — jamais seria o tipo de homem que abandona um filho, eu não odeio a Suzan, só a quero longe de mim. — Ela vinha vê-lo em algum dia da semana? — perguntei enquanto pegava Zenith em meu colo, me referindo a Suzan e sua falta de caráter. — Ela nunca veio vê-lo. Não mentia quando dizia que não sentia nenhum tipo de vínculo com o Zen, mas isso não impediu que eu o amasse, mas consegui convencê-la que seria melhor contar a verdade para o senhor. — Muito obrigado por isso, agora quando eu posso levá-lo? — bem, era algo que eu não precisaria pensar para fazê-lo, era meu filho que estava ali, e olhando pra ele me via pequeno. — Agora mesmo se o senhor quiser, apenas me espere aqui, vou pegar algumas coisas que ele precisa, se Suzan não o avisou, Zen é autista nível 3 de suporte, não verbal e você vai ter que ter muita paciência com ele. Se precisar estarei aqui. — Obrigada! — a senhora foi-se e demorou lá dentro, enquanto eu olhava para o pequeno rostinho do meu filho, vendo que naqueles olhos tinham tanto brilho como uma estrela. Já haviam se passado das oito horas, e Émie estava com o celular desligado, olhei no relógio e na eram quase nove, ela deveria estar em casa, por isso peguei as coisas que a senhora me deu e fomos embora. Tenho que comprar uma cadeirinha o mais rápido possível. Cheguei em casa segurando Zenith no colo, enquanto o pequeno estava quase dormindo no meu ombro. — Émie? — a chamei subindo as escadas, mas não queria fazer barulho, então o coloquei em minha cama, fechei a porta devagar e fui a procura de Émie, ela já deveria ter voltado. — Émie? Eu tenho uma coisa pra te contar, me desculpa por não ter ido buscá-la, eu… — minha decepção estava bem ali, não queria decepcionar ela, de nenhuma forma, mas ela também não estava no quarto. Não parecia que tinha alguém dormindo ali, as coisas estavam do mesmo jeito, até o jeito como arrumava sua cama. Mas, ao lado do travesseiro tinha um caderno, onde a maioria das palavras estavam escritas em latim, era impressionante… ela simplesmente escrevia tudo que sentia, e acredite, não havia um pensamento positivo ou feliz. Fechei e o deixei do mesmo jeito que estava, não poderia sair agora, mas tinha certeza que ela chegaria a qualquer momento — o que não aconteceu — estava amanhecendo e Émie não retornou nem mesmo as minhas ligações.
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