Capítulo 11 — ÉMIE

1389 Palavras
Émie Carter: Meu celular havia acabado de parar de funcionar bem no momento em que eu estava tentando encaixar alguma mensagem para Michael, na esperança de saber onde ele estava, pois a chuva não dava uma trégua e eu não queria ficar doente, ou as coisas seriam mais difíceis para mim. Não havia como ir para sua casa, então sem muita opção, eu fui arrumar a salinha para dormir, quando ouvir a porta ser aberta, revelando Dona Emília entrando. — Que bom que a encontrei aqui, estava mesmo precisando falar com você. — seu sorriso fraco indicava que as coisas que ela iria dizer, não eram muitos agradáveis. — Eu pensei em dormir aqui hoje, já que está chovendo e… — Não precisa me dar explicações, Émie. Eu estive com sua mãe hoje cedo e ela me contou toda a situação, claro que na história você se saiu como errada, mas saiba que eu estou do seu lado, agora sente-se aqui que tenho que conversar sério com você. Com o peito arfando e as emoções me dominando, eu sentei ao seu lado com as mãos juntas, na esperança que algo bom saísse de sua boca, mas a verdade era que eu não estava preparada para o que estava por vir. — Querida, você mesma tem visto o caos que isso aqui se tornou, se tornando impossível de continuar aberto. Eu pensei em várias formas de tentar colocar isso aqui para frente, mas nenhuma delas deu certo e por isso, eu decidi que irei vendê-lo. Ainda não tem comprador, mas não quero manter isso aqui aberto e lhe fazendo perder tempo, quando poderia estar em alguma coisa melhor. — como se não fosse uma surpresa, eu me mantive calada e quieta, não tinha o que questionar, eu era somente sua funcionária que fazia mil e uma coisa. — Eu sinto muito, Émie, por hoje ter sido seu último dia de trabalho aqui. Espero que isso lhe ajude até que encontre outra coisa. Como eu disse, estava sem reação e foi assim que eu permaneci, com o envelope de dinheiro em mãos, enquanto ela se dirigia até a porta. — Se precisar de algo mais, pode contar comigo, querida. — essas foram suas últimas palavras antes de sair, fechando a porta por fora. E agora? O que seria de mim? Não tenho nem onde dormir, mas pelo lado bom, tenho dinheiro em mãos e isso vai me ajudar a beça. Não imaginei que Dona Emília fosse me recompensar com tanto, havia mais de 10 mil dólares dentro do envelope, dinheiro mais do que eu receberia por lei. Eu poderia dizer que não precisava? Sim, poderia, mas aconteceu que eu não estava em situação de recusar nenhum centavo. Sem muitas opções e pelo frio que estava fazendo, decidi ir para a casa de Michael, essa seria minha última noite lá. (...) — Michael? — o chamei baixinho batendo na porta do seu quarto. — Está aberta! — quando encostei a mão na maçaneta para abrir, ouvi um riso abafado vindo dele. — Oi… — disse baixo para não acordar o bebê que dormia em sua cama. — Eu pensei que… — antes de falar ele negou com a cabeça e sorriu, se aproximando de mim e segurando minha mão. — Esse é o Zenith, meu filho! — realmente, esse dias para mim foram de muitas surpresas. — Eu te procurei em seu quarto. Me desculpa por não ter ido te buscar, por que não atendeu minhas ligações? Delicadamente ele me puxou para fora do quarto, fechando a porta atrás de nós dois. — Eu sinto muito, não sabia que você era casado. Amanhã cedo eu juro que vou embora, não precisa se preocupar com isso. — O que houve? Por que essa decisão de última hora? Eu sinto muito se disse algo que a machucou, não era minha intenção! — continuei olhando para seu rosto, como se estivesse esperando uma explicação para o que havia acabado de acontecer. — Eu não sou casado, até então não sabia sobre o meu filho e pode ter certeza que eu estou tão surpreso quanto você. — É… tentei segurar a emoção, mas estava tão sentida que não consegui. Apoiei o corpo contra a parece, abaixei a cabeça e deixei as lágrimas escorrer pelo meu rosto. — Ei, o que está acontecendo? Eu estou aqui, não precisa se sentir sozinha. — seu abraço me pegou de surpresa. Me agarrei em seu corpo, como quando uma criança que é acalentada pela mãe após cair e se machucar. — Além disso, você passou o dia interio sem comer e precisa se alimentar. Vamos descer, vou fazer algo rápido para você comer. Eu precisava mesmo era de um banho, mas estava tão quebrada que a única coisa que eu queria era ficar sendo acalentada em seu colo. Pela primeira vez eu me senti importante para alguém, mesmo sem fome eu desci as escadas vagarosamente, sentando na copa em seguida, enquanto ele fritava ovos e alguma outra coisa. — Hoje foi meu último dia trabalhando na biblioteca, Dona Emília decidiu que vai vender a biblioteca, mas olhando pelo lado bom, eu recebi mais do que eu receberia em cinco anos de trabalho. Amanhã mesmo vou arranjar algum lugar barato pra ficar e yenta fazer o dinheiro render por alguns meses. — o silencio se permaneceu enquanto falava, e do nada ele me olhou sério e começou a falar: — Eu não sabia que tinha um filho! — parecia difícil de falar, ele parecia incomodada com o que estava acontecendo. — Eu não vou te julgar, se quiser desabafar estarei aqui. — sorri fraco, mesmo com o rosto vermelho e os olhos inchados. — Eu tive um caso que durou alguns anos com aquela mulher em que você viu conversando comigo. Há algum tempo nós não nos falávamos, foi quando eu rompi tudo que estávamos tendo, e hoje ela me ligou e disse que precisava me contar algo. Ela engravidou e me disse que havia tido um aborto espontâneo, mas na verdade a criança havia nascido. A barriga dela era pequena, então não dava pra saber quando ela falou que estava grávida, mas quando ela me disse já estava com quase cinco meses. Eu nunca fiquei sabendo que era pai. Meu filho tem autismo nível 3, é não verbal e esse foi um dos motivos pelo qual ela o abandonou no orfanato. — Meu Deus, como pode uma mãe abandonar o próprio filho por ele ter nascido atípico? Eu não consigo entender… — a verdade era que eu eu consegui sim, durante anos da minha vida, eu comia porque a nossa vizinha me dava comida quando meus pais não estava em casa. — Émie, há pessoas que nos abrigam apenas em sua barriga por determinados meses, então nunca duvide da capacidade das pessoas, elas não contém avisos em sua testa. — E o que você vai fazer agora? — vi ele olhar em direção a escada, suspirar pesado e me olhar calado. — Eu posso ajudá-lo com o pequeno, se você quiser é claro. Nunca lidei com crianças antes, mas eu não sou uma pessoa r**m, além disso ele precisa de amor, precisa de carinho e… — percebi que estava falando demais, deveria permanecer calado. — Me desculpa, com certeza deve haver pessoas mais capacitadas que eu para isso. — Eu não quero outra pessoa, Émie, eu sei que você é a pessoa mais capacitada que eu poderia encontrar para cuidar de uma criança. Se caso seja do seu interesse, eu posso… — Por favor, veja isso como uma devolução do favor que fez por mim, agora é a minha vez de ajudá-lo com o que precisa. — eu não sabia como iria ser, mas esperava lidar com Zen da melhor forma possível. Michael nos serviu com um sanduíche e suco, enquanto a gente conversava sobre coisas aleatórias que já aconteceram em nossas vidas. Até que o pequeno acordou chorando, e Michael subiu correndo para o quarto, em seguida subi atrás dele. Nunca havia lidado com algo deste tipo, mas eu iria fazer o meu melhor para ajudá-lo, afinal, era uma criança inocente que não fazia ideia do que estava acontecendo, e muito menos tinha culpa de nada. Zenith precisava de amor, e eu iria lhe dar o que ele precisa.
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