Michael Williams:
Dois dias depois…
Vésperas de Natal
Qual a função de um pai? Era difícil saber quando não se tinha convívio com um na infância ou adolescência.
— Ele vai sentir fome, vai precisar de fraldas e algumas coisas que os bebês precisam. — Émie segurava Zenith em seu colo, cantando jazz e dando passos para um lado e para o outro.
— Amanhã iremos resolver isso! — enquanto ela o fazia dormir novamente em meu quarto, eu descia as escadas às pressas para atender a ligação de Lilian, mas já não era necessário mais atendê-la.
Com as pernas cruzadas ela estava sentada, segurando um copo com whisky e o desgastando quando me viu.
— Por que não atende minhas ligações? Por acaso esqueceu que dia é hoje?
— Se eu não atendi é porque não queria vê-la hoje, temos um combinado, Lilian. — estava torcendo para que Émie não descesse por agora, porque eu teria que colocar um fim em mais um empecilho da minha vida.
— Por isso mesmo estou aqui, Michael, porque temos um acordo. Às quintas-feiras eu venho em sua casa, nós fazemos tudo que temos direito e depois eu vou embora, ou você esqueceu disso? Mas, como? A gente não se vê há uma semana e… — o que eu temia estava acontecendo.
Émie estava parada no meio da escada, olhando para Lilian que estava usando uma lingerie vermelha, com os s***s à mostra.
— Émie… — gritei seu nome quando ela subiu correndo, sem dúvidas ela iria para algum lugar distante, mesmo que em pensamentos.
Apesar de não termos nada, não quero que ela pense o pior sobre mim, eu não quero mais ser assim.
— Por favor, Lilian saia daqui e depois nós dois conversamos. — ela levantou e iria retrucar, mas eu levantei e falei mais alto que ela, pondo um fim de uma forma definitiva. — EU MANDEI VOCÊ SAIR, E SE INSISTIR NESTE AMOR QUE EXISTE APENAS NA SUA CABEÇA, AS COISAS VÃO SER PIORES. — sem questionar, ela pegou seu blazer, vestiu e saiu com uma cara de choro e me xingando baixinho.
Émie não havia descido, portanto, ela não havia saído. No quarto ela não estava, então fui até a varanda e lá estava ela, com Zenith sentado em um lado do seu colo, enquanto ela pesquisava alguma coisa no notebook.
Suspirei aliviado por ela ainda estar ali, e me senti um grande i****a por não ter desmacado com Lilian hoje. Isso era de se esperar.
— Eu… — andei em sua direção e sentei ao seu lado. — Isso não deveria ter acontecido, eu…
— Não precisa me dar explicações, é a sua vida amorosa, o mínimo que deveria era ter me avisado sobre, iria me manter dentro só quarto. — me senti envergonhado com o meu comportamento e sem palavras para responder a ela.
Vi que suas pesquisas estavam em artigos de bebê.
— Filho é caro, esta criança precisa ao menos de uma cama para dormir. Além dos demais produtos, como roupas, brinquedos, consultas médicas…
Ela tinha razão. Eu precisava olhar para frente, mas era difícil quando ainda estava em choque por tudo que aconteceu. Eu descobri que sou pai, e agora estou sendo responsável por uma criança que precisa dos demais cuidados. Tudo é novo pra mim, um filho em minha vida, uma mulher com tantas dores que ainda não foi embora. Tudo isso também é confuso. Betsy sem dúvidas irá amar isso, mas eu estou completamente perdido.
— Deveria ter mais aproximação com ele. Embora ele não fale, ele entende muito bem! — Zenith levantou-se do seu colo, em seguida ela fechou o notebook e virou de frente para mim.
— Você tem toda razão! Algumas coisa tem que mudar, ou eu vou continuar sempre sendo um i****a. Quer saber? Nós vamos viajar, vamos sair nessa madrugada e se divertir em algum lugar. Podemos fazer compras antes de ir. Se você quiser, claro!
— As coisas não se resolvem com viagens ou dinheiro, Michael. Minha vida está uma bagunça e ninguém além de mim pode resolver isso. Se quiser ir, fique à vontade, não se preocupe comigo, eu posso me virar daqui por diante. Só não deixa ele sozinho, seu filho é um anjo e espero que seja luz na sua vida também.
— Você tem sido minha luz ultimamente, estaria perdido se você não estivesse aqui. Se eu não tivesse a conhecido. — suas expressões sérias estavam ainda sérias que o normal, mesmo que ela não diga, posso ver seu olhar de tristeza em sua face.
— Não, não sou luz em sua vida. Se eu não estivesse aqui, você teria voltado com a mãe do seu filho, seria uma família feliz e sabe que acho que estou sendo um empecilho em sua vida. Talvez, se eu resolver seguir minha vida tudo isso volte ao normal, sinto que eu estou destruindo sua vida e eu não quero isso.
— Não vá embora, por favor. — em um ato desesperador, segurei sua mão firme e me aproximei de seu rosto. — Se você for, levará a luz consigo e eu voltarei a viver na escuridão. — deslizei o polegar em volta do seu rosto, sentindo sua pele macia e tão delicada, no mesmo instante em que ela fechava os olhos e se deixava levar pelo carinho em seu rosto. — Me perdoe pelo que disse outro dia, eu não acho que você não seja mulher para mim, só que você é doce e meiga, e a última coisa que eu quero nesse mundo é machucar você.
— Acredite, Michael, há muitas formas para evitar machucar uma pessoa. Sem sinceridade nada flui, então a pior coisa de toda a vida é ser enganada. Afinal, não estamos tendo uma conversa sobre romance, nem sei porque estamos nos explicando um para o outro.
— Talvez seja pelo fato de que você me quer tanto quanto eu quero você. — a beijei em seguida, não lhe dando tempo nem mesmo para pensar.
Suas mãos deslizaram em meu rosto, mas o beijo não se intensificou-se, pois Zenith estava tentando subir em cima da mesa que estava na varanda, com algumas garrafas de bebida em cima. Émie correu mais rápido que eu, o tirou de cima e o trouxe para perto de nós dois.