Émie Carter:
Com o envelope de dinheiro em mãos, se passavam mil e um pensamentos em minha mente. Todos nós parecíamos perdidos, e o Natal que nunca foi comemorado por mim, agora estava sendo uma data especial e ao mesmo tempo vazia novamente.
Michael tentava ser compreensível, mas seu jeito arrogante de ser, o tornava uma pessoa incapaz de demonstrar sentimentos, tanto em palavras quanto em gestos. Agora com um filho sob sua responsabilidade, eu tentava ser o mais compreensiva possível com ele, enquanto o pequeno estava brincando, nós dois estávamos arrumando a casa, embora fosse enorme, não era algo r**m para mim, pelo menos me mantinham com a cabeça ocupada.
— Você pensou no que eu lhe disse? — ele me olhava de cima da escada, sem camisa e com um pano de prato pendurado em seu ombro, um extremo gostoso.
— Eu… — tentei não olhar pra ele, mas era quase impossível disso não acontecer. — Eu acho melhor a gente ficar aqui, por enquanto, não quero sair do meu ninho por agora, tenho muitas coisas para… — Seu olhar era penetrante e eu estava visivelmente me perdendo em palavras.
— Não precisa ter pressa, podemos resolver as coisas com calma. Já pensou em fazer o que sempre sonhou? Então, podemos fazer muitas coisas, além disso eu vou precisar dar uma pequena pausa em minha carreira. — ele descia devagar, mas sem desviar o olhar. — Eu quero te mostrar tantas coisas.
Fui surpreendida com o seu beijo quente e cheio de vontade.
— Eu pensei que poderíamos jantar fora hoje, Betsy pode olhar o Zen. Ela vai amá-lo quando vê-lo, não tenho dúvidas. — suas mãos seguravam minha cintura e eu sabia bem o que eu queria, mas por outro lado, não sei o que Betsy iria achar disso. Ela conhece meus pais, não iria querer uma pessoa com a fama que eu tenho namorando seu irmão. Mas uma hora teríamos que enfrentar isso, então o quanto antes será melhor, odiaria ter que mentir para Betsy.
— Eu acho que será uma boa ideia, mas eu só aceito se você prometer que depois do Natal irá procurar um médico para o seu filho, ele necessita de mais cuidados que as demais crianças.
— Eu prometo, você irá com a gente?
— Claro! — seu sorriso era uma das coisas mais bonitas de se ver, embora ele não fosse muito de sorrir. — Agora vamos terminar de arrumar tudo isso.
Enquanto trocávamos alguns móveis de lugar, Zenith se mostrou sonolento e como se eu adivinhasse, olhei para o lado e vi seu olhar pidão.
Zenith precisava de muitas coisas, mas por ora, havíamos comprado o básico e não estava sendo o suficiente. Sua seletividade alimentar não lhe permitia comer muitas coisas, eram muitas variações de frutas, verduras, cereais e etc… por enquanto as únicas coisas que ele estava comendo eram maçã, brócolis com arroz e frango e cereais coloridos.
Embora ele não falasse e não entendesse muito bem, ele prestava atenção em tudo que eu lhe dizia, ganhando sorrisos e beijos em troca.
— Meu amor, vamos tomar banho e depois que você comer, vai conhecer sua titia que é irmã do seu pai e uma pessoa maravilhosa. Mas não vamos te deixar, vamos buscar você amanhã e quando acordar já vai estragar em casa, tudo bem? — seus olhos azuis, assim como os do pai, Zenith era perfeito e tinha uma pureza surreal em seu olhar. Mas estou aqui para dizer quantas vezes for necessário que ele não está sozinho, a solidão é uma coisa que dói muito e eu não iria deixar uma pessoa tão pequena passar pelo que eu passei quando posso ajudar.
— Émie. — sua voz saiu embolada, mas ainda sim ele falou meu nome, fazendo meus olhos se encherem de lágrimas. Sua mão delicada tocou meu rosto, passando os dedos como se ele soubesse minhas dores.
— Vamos tomar banho que eu quero te mostrar uma coisa muito legal que eu comprei hoje, além disso fiz uma coisa que você adora comer. — passei a mão em seu rosto e retribui o carinho, o colocando na banheira e lhe banhando com carinho.
Em dezembro a maioria dos dias eram de chuvas, e hoje não estava sendo diferente. Escolhi uma roupa de frio, o agasalhei bem e ele ficou ainda mais parecido com o Michael, era incrível a semelhança entre os dois, tinha muito de Michael e eu não entendia como alguém poderia abrir mão de algo tão perfeito que era um bebê.
(...)
— Betsy já está vindo, ela vai dar uns sustos iniciais, mas quando ver Zenith seu coração mole vai se apegar nele.
— Que bom! Enquanto ela não chega e você não está fazendo nada, eu vou me arrumar para depois você ir fazer o mesmo. Ah, o jantar dele já está pronto, ele não come cereais com leite misturado, então morna um pouco de leite e coloque em um copo separado. — avisei antes de dobrar o corredor que dava acesso ao meu quarto.
— Muito obrigada por cuidar dele tão bem. — seu grito não foi alto, mas audível o suficiente, mas não quis responder, fingindo que não ouvir.
Meu celular estava com problemas, mas não desisti e o coloquei para carregar, na esperança que ele ligasse para ao menos eu ver se chegou algum email importante, mas ao invés disso, havia fotos e vídeos para serem baixados nas mensagens. E era tudo o que eu estava pensando ser, Mclay estava me aterrorizando mais uma vez, com fotos minhas íntimas que ele tirava a força, junto a mensagens de ódio.
“O negócio é o seguinte, Émie, se não me der a grana que eu preciso, vou espalhar essas fotos em todos os sites. Todos vão saber a tremenda v***a que você é. Sua mãe me disse que você está morando com um cara rico, que belo golpe, parabéns!
Você sabe como fazer todo o processo, espero ter os meus oito mil em mãos o quanto antes, ou essas obras de artes irão estragar em todos os lugares, minha doce Émie.”
Tentei não chorar, mas tudo aquilo mexia comigo, foi uma época terrível da minha vida em que meu ex namorado que meus pais me arrumaram, me obrigava a ficar em certas posições para que ele tirasse fotos. Meu pais o encobertas até os dias de hoje, e não tenho dúvidas de que estão metidos nisso também, como sempre dizem: pobre não tem um dia de paz, m*l recebi e já não irei ter mais nada, porque eu não suportaria viver sabendo que as pessoas teriam livre acesso a conteúdos onde eu estava sendo violentada. Isso era demais para mim.