Capítulo 14 — MICHAEL

1049 Palavras
Michael Williams: Haviam alguns minutos que Émie estava no banheiro, mas ainda não havia ligado o chuveiro, então resolvi lhe chamar. Mas parei no mesmo instante… — Eu só quero entender como você foi descobrir que só tinha um filho agora! Como isso foi acontecer, Michael? — Betsy estava com fúria nos olhos, assim como eu, confusa. — Ele é filho da Suzan, ela o mantinha em um orfanato até o dia que decidiu me levar lá e me falar sobre ele. O orfanato está em situação precária, mas ela havia onerando em tudo e o garoto tem meu nome em seu registro. Sem escolhas, eu tive que trazê-lo e… — Cadê a babá que está cuidando dele? Por que não me chamou aqui quando soube, Michael? Onde ficou nossa cumplicidade? Afinal, com quem vai sair? — suas infinitas perguntas se calaram quando ela viu Émie saindo do banheiro, vestida em um roupão com os cabelos presos em um coque. — Eu não estou acreditando nisso. Então…? — seus olhos arregalados diziam o que ela estava querendo falar. Levei Betsy até a cozinha enquanto Émie seguiu até o seu quarto. Zenith estava no colo de Betsy, com a cabeça em seu ombro, e eu ficava cada vez mais admirado em como ele está pegando afeto por sua família tão rápido, menos por mim. — Quando iria me dizer que estava saindo com Émie, Michael? — Eu não sabia que vocês duas se conheciam. Jamais se passou esse pensamento pela minha cabeça, o que fez você pensar que eu a conhecia? — tudo estava ainda mais confuso, pois Betsy estava extremamente chateada comigo, como se eu estivesse escondendo muitas coisas dela. — Como não a conhece? Ela era minha melhor amiga, ela nos visitava e diversas vezes eu vi vocês dois conversando, Michael. — na adolescência de Betsy, eu passava a maioria dos meus dias bêbado ou drogado, não me orgulho disso, mas era uma forma de fazer a dor adormecer. Não queria que ela tivesse uma adolescência fodida igual a minha, por isso me mantive não muito próximo dela, até que quando ficamos adultos nos aproximamos mais. — Uma vez você me disse que ela era bonita, mas também estava bêbado e deve ser por isso que não lembra de muitas coisas. Bem, Rick está lá fora me esperando e não quero estragar sua noite. Amanhã a gente conversa com mais calma, dá um beijo na Émie por mim. — Obrigada por sempre estar aqui. — disse olhando para ele de forma delicada. — Eu não sei o que seria de mim sem você, Bet. — beijei sua testa e ela sorriu, deixando uma lágrima cair. Antes que ela fosse embora, me despedi de Zenith e mesmo que não fosse bom com palavras, vi o brilho em seus olhos quando beijei seu rosto. Seu sorriso escondido por trás da chupeta fez com que meus olhos se enchessem d'água e ficasse sem palavras. — Não deixe que o nosso passado afete a quem você ama, Michael. Agora você tem um filho e uma mulher maravilhosa ao seu lado, mas não anule o fato que os dois também estão quebrados e precisando de amor. Já somos adultos, lidamos com as nossas dores sozinhos, mas não seria justo ver as pessoas que amamos sofrer e não poder fazer nada. Ah, e pode avisar a Suzan que eu preciso ter uma conversa com ela, eu nunca tinha me metido enquanto o lance era somente entre vocês dois, embora ela sempre teve meu ódio gratuito. Mas, agirá que tem uma criança nesse meio, precisando ter mais cautela e se você não se impor, pode ter certeza que eu vou. — Não precisa se preocupar, eu já resolvi isso, Betsy. — falei em um tom alto, mas isso não causou nenhum efeito em si, ela apenas retrucou no mesmo tom. — Não altere a voz para mim, pois seu passado é tão podre quanto o dela. Divirta-se, e faça Émie se sentir uma rainha, porque você não faz ideia do que ela tem que viver todos os dias naquela casa. — Ela mora aqui agora! — respondi e vi suas expressões mudarem de forma, mas já era tarde para falar mais alguma coisa. Rick estava esperando com a porta aberta, enquanto ela caminhava com Zenith em seu colo sem olhar para trás. Émie saiu do quarto apreensiva, com um olhar de medo e timidez juntos. — Betsy já foi… — após isso, suas expressões se relaxaram e ela continuou vindo em minha direção. Émie estava perfeitamente bela. Seus gostos eram perfeitos e tudo que ela vestia ficava perfeito nela. Dessa vez, a junção de uma calça jeans e uma blusa de frio gola alta, faziam seu look perfeito. Seus cabelos soltos, caindo em seus ombros eram ainda mais perfeitos quando estavam à vontade. — Você está linda! — beijei sua mão e sabia que isso a deixava envergonhada, porém eu amava a sensação de saber que ela se sentia atraída por mim. — Obrigada, Michael, você também está lindo. Era notário que alguma coisa havia acontecido enquanto ela estava no quarto, não iria lhe incomodar com isso hoje, porque a única coisa que estava martelando em minha cabeça era como eu não lembrava dela? Como eu não lembro das vezes em que a vi? E por que ela não disse a mim quem ela era? Será que vivemos algo do passado que lhe deixou magoada? Eram tantas perguntas que eu não sabia por onde começar, mas tudo tinha que ser feito com muita cautela, caso contrário, iria estragar colocando tudo por água abaixo outra vez. Émie exalava um cheiro doce, semelhante à baunilha com mel e isso me trazia lembranças boas do passado, mas jamais pensei em assimilar seu cheiro com alguém, porque eu não me lembro dela em nenhum momento da minha vida. Será que ela era um anjo que me salvava da morte sempre que ela aparecia? Que seja! Eu só não poderia deixá-la partir novamente. Não consigo nem mesmo dizer o nome do sentimento que estou sentindo por ela, pois são inúmeros ao mesmo tempo e indescritíveis. Émie é a luz que iluminou a minha vida quando tudo estava escuro, ela me trouxe o brilho da vida quando eu estava totalmente apagado.
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