Michael Williams:
Quando ela andava seu vestido balançava e aquilo me dava o privilégio de uma visão perfeita. Ela era tão perfeita e merecia tantas coisas boas, que sempre que a via ao meu lado, sentia como se eu a sufocasse de alguma maneira. Andávamos pelo jardim até chegar em minha casa, que era mais parecida com uma mansão. Émie sorria enquanto andávamos, seu jeito meigo e leve de levar as coisas me deixavam com mil perguntas a serem feitas.
— Émie… — ela virou-se com um largo sorriso em seu rosto, como se estivesse despertando sua criança interior. — Quero te mostrar uma coisa! — estendi a mão e me senti feliz quando segurou.
As iluminações não eram muito chamativas, não gostava de muitos enfeites e por isso optava por algo mais básico, mas não tão simples. Algumas pessoas da minha família estavam dentro da casa, chegaram hoje pela manhã e Besty os recebeu.
O vento que soprava em nosso rosto bagunçava seus cabelos, mexia as árvores e deixava tudo ainda mais leve. Na parte externa não havia limites, tinha toda a perfeição da praia à minha vista, e ali era o meu porto seguro, onde todos os meus problemas desapareciam com a maresia.
A lua que pairava sobre a praia estava perfeitamente posicionada bem no meio, como se estivesse se unindo em silêncio.
— Isso é perfeito, Michael. Obrigada por compartilhar isso comigo. — sua voz embargada entregava toda a emoção que ela sentia e eu me sentia honrado por isso.
— Bem-vinda ao meu refúgio, agora você sabe onde poderá me encontrar… caso algum dia queira isso. — por mais que eu tentasse esconder, ainda guardo mágoas do passado e tinha vergonha por ter lhe abandonado, vergonha por não liberar do seu rosto pelo motivo de estar sempre quase embriagado.
— Pra falar a verdade eu também não procurei por você depois daquele dia. Com pouco tempo que havia ido embora, Besty e seus pais também foram e desde então percebi que eu não era merecedora de coisas boas em minha vida, e ter você seria demais para mim. Mas por nenhum dia eu deixei de pensar em você, era desesperador o pensamento de que eu nunca mais o veria, isso me destruía e… aquele dia você me salvou com palavras, mesmo sem saber ou lembrar, e agora novamente. Como pode te agradecer por isso, Williams.
— Eu quero que você seja feliz, isso é tudo que eu peço a você. Não deixe que acabem com a sua felicidade, não permita que alguém diga que você não é capaz de fazer algo, porque só você pode colocar você mesmo no progresso, ninguém mais que você poderá fazer isso. — eram frases típicas dos meus pais, tanto para mim quanto para Betsy e sem dúvidas, isso mudou nossas vidas, ou talvez ainda não encontrei meu caminho.
— É… eu venho tentando, mas sinceramente eu queria largar tudo para trás, sentar embaixo de uma árvore a ali esperar que meu dias tivesse fim. Chega uma hora que a dor pode se tornar insuportável, há de nós se tivesse remédio para isso, seríamos as pessoas mais felizes do mundo. — por mais que ela tentasse ser forte o tempo todo, a dor estava estampada em seus olhos e isso transbordava em sua alma, a deixando cada vez mais fora de si, como se estivesse se tornando dependente de suas dores.
Era possível ver as luzes do outro lado da cidade piscando e brilhando, como se tudo estivesse ao meu favor para reconquistá-la hoje. Suspirei olhando para frente, tentando encontrar uma forma de usar palavras bonitas na noite de hoje.
— Vamos, a noite será longa…
Betsy já havia mostrado Zenith e todos, o pequeno corria pela casa contente, rodando e gritando quando via algo que ele gostava.
— Irmão, será que podemos conversar? — Betsy segurava meu braço, foi então que percebi que Lilian estava ali. — Por favor?
As pessoas lidavam com ela como se ela fosse o centro das atenções, antes ela era minha companhia para os lugares festivos, evitava sair com Suzan.
— Quero entender que droga ela está fazendo aqui? Você disse que haviam terminado tudo já tinha um tempo, e agora isso? Como você vai explicar para Émie que a sua ex f**a está aqui como se fizesse parte da nossa família? — quanto mais eu tentava me livrar dos problemas, mais eles vinham até mim. — Eu vou tirar a Émie de lá por no máximo cinco minutos, espero que isso seja tempo o suficiente para você resolver essa merda.
Furiosa, Betsy saiu andando em passos largos, vi quando ela segurou a mão de Betsy e a conduziu para algum lugar onde não pudéssemos nos ver.
Lilian segurava uma taça de vinho branco, enquanto conversava com minha tia que, inocentemente, estava se deixando levar pela boa conversa que aquela v***a tinha.
— Ainda bem que você chegou, querido. Estava justamente falando o quanto eu gosto da Lilian e você sabe disso. Quando irão assumir esse amor que existe entre vocês? — carinhosamente recebi os olhares da minha tia sobre mim, acompanhado de um beijo no rosto e um “daqui a pouco conversamos mais”, por fim estávamos a sós.
— Quero que saia daqui agora. Quero que saia da minha vida e não volte a me procurar nunca mais. Isso não ficou claro desde a última vez que nos falamos? — estava me controlando ao máximo para não deixar que o tom da minha voz se alterasse, chamar atenção por um vexame era a última coisa que eu queria na noite.
— Você não deixou nada claro, Michael. Como sempre, disse que estava cansado e precisava de um tempo. Acho que sua tia tem razão, já esperamos tempo o suficiente, não acha? — suas mãos que me tocavam, eram as mesmas que estavam me dando repudia.
— Quero que você saia daqui e não volte nunca mais. Seja lá o que você acha que tínhamos, acabou agora. — o que era para ser definitivo, tornou-se ainda mais doloroso quando ela me beijou, e Émie estava indo até o quarto de Betsy.
O desespero em seu olhar era doloroso de se ver, empurrei Lilian de forma brusca, e vi seu corpo cair no chão depois dela bater na parede. Sua satisfação me dava ódio, e quando sua gargalhada ecoou nos corredores, eu fui para cima dela e estava disposto a despejar todo o meu ódio em cima dela, se não fosse Betsy entrando em nosso meio.
— Não vale a pena! Não vê que tudo isso foi de propósito? Vai querer sujar suas mãos com algo que já é sujo por natureza? — o olhar desesperado de Betsy me compadecia. — Vai deixar Zenith e Emie na mão quando for preso por causa dessa v***a?
— Eu… — as palavras simplesmente haviam fugido da minha boca, como se eu estivesse sido paralisado por algum tipo de veneno.
— Agora vai encontrar ela, porque se alguma coisa acontecer, quem não vai te perdoar sou eu!
Enquanto Betsy chamava os seguranças para retirar Lilian, eu andava depressa atendo a cada movimento que pudesse estar ali. Depois de quase dez minutos a procurando, voltei para casa e todos já estavam sentados à mesa, inclusive Émie, com Zenith sentado em suas pernas, enquanto ela sorria feliz com alguma coisa que meu tio lhe dizia. Respirei aliviado e sentei ao seu lado, na única cadeira que ainda restava na mesa, mas ela evitou me olhar durante o jantar, me ignorando como se eu não existisse ali.