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Nota autora: obrigada desde de já a todas(o) que vão ler minha história. Quem puder deixar algum comentário nos capítulos é importante para saber o que vocês estão achando da história.
Espero que todos se divirtam-se e desculpa os erros, eu me esforço para revisar mas sempre acaba passando algumas coisas. Boa leitura gente!
On Robert
"Não tem como esquecer, não tem como melhorar, porque esta tudo na minha cabeça, para sempre..."
- Você não devia passar tanto tempo assim na água, isso ainda vai atrapalhar você - disse Matt me olhando, suspirei tirando a parte de cima do maiô de surf que eu estava usando.
Matt era o meu treinador e melhor amigo, ele era alto, forte, tinha a pele clara mais dourada do sol assim como a minha, cabelos pretos, olhos castanhos e algumas tatuagens pelo corpo.
- Preciso esta lá - falei colocando minha prancha fincada na areia da praia.
Estávamos em Oahu em Banzai Pipeline, situada na costa norte de Oahu, uma das 132 ilhas que compõem o arquipélago havaiano do Oceano Pacífico, domingo vai começar a quarta etapa do mundial de surf, eu sou a atual campeão mundial da modalidade e estou atrás do Bicampeonato.
- Eu sei que você precisa mas precisa mais ainda descansar pra esta bem e inteiro pra competição - ele disse
- Você não entende, e eu já cansei de explicar - falei me sentando na areia da praia.
O céu estava azul, o sol no alto e o calor constante, era o ambiente que eu mais gostava, era minha casa e onde eu me sentia bem, na verdade era o único lugar no mundo onde eu me sentia bem.
- Eu entendo Robert mas já faz 4 anos - ele me disse, suspirei olhando pra aliança no meu dedo, eu ainda não tinha tirado e nem sei se um dia eu vou.
- Não precisa me falar quantos anos se passaram ou quantos dias eu sei deles, de cada um deles, porque eu os vivo todos os dias - falei, Matt se levantou da areia.
- Já vi que hoje você esta insuportável e não vai querer conversar, então vou fica longe de você antes que sua energia me atinja - ele disse bravo e saiu de perto de mim.
- Me desculpa - falei olhando pra trás ele parou de andar e me olhou.
- Desculpo mas vou ficar longe mesmo assim, você sabe onde fica o nosso hotel do outro lado da rua, além disso você tem que comer - ele disse e continuou andando.
Suspirei frustrado sobre o meu comportamento, tudo que eu faço ou sou hoje é resultado do acidente que tirou o amor da minha vida de mim a Luana, a gente tinha se conhecido ainda na escola, estudamos juntos, nos apaixonamos, nos casamos e 4 anos atrás ela se foi em um acidente de carro e eu estava junto mas eu sobrevivi. Quando abri meus olhos naquele maldito hospital eu queria esta morto, na verdade eu estava por dentro, mesmo que meu corpo físico não estivesse.
Luana era tão linda, era doce e brava ao mesmo tempo e ela foi tirada de mim por um outro motorista que estava bêbado e bateu no nosso carro tirando a vida da mulher que eu amava, da mulher que era o meu mundo mas que agora tinha partido a alguns anos.
Eu não superei sua morte e acho que nunca vou superar, não tem como perder o seu mundo e ficar da mesma forma que você era e eu não fiquei.
Minha vida passou a ser o surf o mar, me dediquei tanto que consegui um título e vou continuar me dedicando pra conseguir outro, sem o surf eu acho que não teria ficado vivo, me tornei uma pessoa amargura, que vive longe da família, que bebe muito quase todas as noites pra conseguir dormir, que sabe que vai sonhar com o acidente todas as vezes que fechar os olhos.
Eu não queria afastar as pessoas mas eu sabia que fazia isso, mesmo que inconscientemente, era mais forte do que eu, quando eu via já tinha feito e não tinha mais como consertar, na verdade eu nem sabia se queria consertar alguma coisa, eu já estava quebrado, acho que não tem como consertar essa coisa, não tem como consertar algo que você não tem controle.
No começo era uma dor insuportável que parecia que iria me matar, depois virou uma dor presente constantemente e hoje é mais como uma lembrança e um querer de ter ela comigo, de imaginar o que poderíamos ter sido e que não fomos, acho que eu nunca vou sentir nada como aquilo na minha vida.
Durante um tempo eu senti raiva da vida, raiva por ter tirado ela de mim, por ter tirado a minha felicidade, o que me fazia sorrir todos os dias da minha vida, mas hoje eu não sinto raiva de nada, seja de um Deus superior ou algo do tipo, eu só sinto saudades, falta do sorriso, do abraço, do cheiro, da forma de falar e andar, da forma que ela ficava brava com facilidade, falta do simples.
Fiquei tão distraído nos meus pensamentos que eu nem vi o tempo passar, só reparei quando eu estava tempo demais ali, tempo o suficiente para fazer minhas pernas doerem e tempo de fazer minha barriga roncar de fome.
Me levantei da areia tirando a terra da minha b***a e peguei minha prancha, eu precisava de um lugar para comer, um lugar que eu pudesse ter paz, olhei para as barraquinhas naquela praia até ver uma que estava tranquila pra comer alguma coisa, deixei minha prancha do lado de fora, do restaurante na beira da praia sabendo que ninguém iria ir lá e roubar, não aqui.
O ambiente lá dentro era calmo como eu queria e tinha um cheio agradável de casa, assim como o mar, tinha poucas pessoas então me sentei no fundo em uma das mesas vazias que era feita de madeira assim como todo o ambiente, peguei o cardápio para ver o que tinha nele, gostei da opção de camarão grelhado com arroz branco, parecia bom.
- Boa tarde - alguém chamou, olhei pra cima e algo em mim estalou por dentro ao ver a linda garota na minha frente.
Ela tinha nas suas mãos um bloco de notas mas não deixei de repara o quanto ela era linda, cabelos loiros, pele dourada do sol, olhos azuis, ela tinha pequenas sardas no rosto quase invisíveis, devia ter no máximo 1,67 de altura, tinha um corpo magro mas com alguma curvas, ela tinha uma tatuagem maori no braço esquerdo começava do seu ombro e aí até o cotovelo, quase todo tinham era uma tatuagem comum por aqui era completamente preta e sombreada, ela tinha uma voz doce, parecia ser jovem também.
- Boa tarde - falei ao recuperar a minha voz, ela sorriu de lado e era um sorriso lindo.
- O que o senhor vai pedir? - ela perguntou, tentei encontrar a minha voz.
- O número 13 e um copo de suco de laranja - falei, ela anotou no papel e depois me olhou.
- Só pra um? - perguntou, olhei confuso pra ela mas depois entendi sua pergunta, eu estava com uma aliança dourada no dedo reluzindo a metros de distancia, todos sempre faziam as mesmas perguntas.
- Só pra um - falei, ela assentiu saindo de perto.
Fiquei um tempo perdido nos meus pensamentos, na verdade não tão perdido assim porque eles estavam na garota que esteva agora a pouco na minha frente e isso era estranho, eu não sentia essas coisas a muito tempo, não que eu não tivesse me relacionado com ninguém desde a morte da Luana, até porque eu sou um homem e a onde eu vou nos campeonatos tem mulheres por todos os lados então é fácil conseguir sexo mas estou falando de algo diferente, algo estranho e isso me deixou confuso.
Quando ela voltou vi o seu nome no avental estava escrito Eva, era um bonito nome mas ela se foi cedo demais, eu não sabia o que tinha dado em mim para ficar pensando nela desse jeito mas eu estava pensando e era estranho, eu precisava comer e sair dali para tomar um ar, precisava respirar.
Depois de comer pedi minha conta e dessa vez não foi ela que veio me atender e sim um rapaz parecido com a Eva, paguei e sai dali, eu não sei que tinha acontecido mas aquela linda loira tinha me jogado alguma coisa e tinha me pegado de jeito.
Voltei para o hotel e tentei descansar um pouco mais foi completamente inútil então cedo demais escolhi voltar para praia mas dessa vez não era pra surfar, coloquei uma regata preta, short de corrida e calcei um chinelo, e voltei para praia no finalzinho da tarde eu queria ver o sol se por porque dava paz de espirito, fiquei um tempo ali perdido nos meu pensamentos.
Nos outros dois dias seguidos essa foi minha rotina, treino, almoço no mesmo restaurante e com ela sempre me atendendo e ver o sol se por no começo da tarde, já era quarta feira, as competições iria começar no domingo até o domingo da semana que vem, e eu pretendo esta nas baterias finais, a cidade estava ficando cheia de surfistas e pessoas que vinha com cada um deles, além dos produtores de tv, patrocinadores e montagem do evento, como arquibancada e outras coisas.
- Eu tentei não vir aqui mas não deu - tomei um susto ao ouvir essa voz atrás de mim, olhei pra trás dando de cara com a Eva.
Eva estava linda, com um vestidinho solto branco, dava para ver que ela estava com um short por baixo por causa do vento que estava fazendo, ela tinha um óculos escuro no rosto e seus cabelos voavam o que deixava ela mais bonita ainda.
- E porque não deu? - perguntei, ela sorriu de lado colocando o óculos na cabeça.
- Porque você faz a mesma coisa todos o dias e sozinho, e eu nem sei seu nome - ela disse me fazendo rir.
- Sou Robert Smith - falei, ela levantou uma sobrancelha olhando para o nome que estavam montando em um letreiro onde destacavam os melhores da competição e o meu nome estava seguido de campão mundial.
- Sério? - me questionou me fazendo sorrir.
- Muito sério - falei, ela sorriu mais.
- Então porque esta sempre sozinho? As vezes quando te vejo as vezes tem um homem com você mas ele sempre vai embora - ela disse.
- Não sou uma pessoa muito agradável de se conversar - falei, ela deu de ombro.
- Até agora não achei isso - ela disse, sorri de lado.
- É porque você não me conhece tempo suficiente - falei fazendo ela rir.
- Entendi senhor campeão mundial do surf - ela disse e para minha surpresa se sentou ao meu lado - Então vai ganhar essa etapa aqui no meu quintal? - ela me perguntou, sorri.
- Pretendo, até porque é a única coisa que eu sei fazer - falei.
- Entendi - falou e ficou um tempo em silêncio olhando o mar - E sua esposa? Também não vejo ela com você - ela me disse, suspirei.
- Eu não gosto de falar sobre esse assunto, ainda mais assim - falei um pouco mais grosso com ela, vi seu olhar sobre mim mudar um pouco.
Eu tinha feito de novo, estava afastando as pessoas, ela assentiu e se levantou.
- Tudo bem, você tem razão, eu que sou intrometida mesmo, não é da minha conta e desculpa - ela disse colocando os óculos no rosto novamente.
- Eva me desculpa - falei ficando em pé, ela me deu um pequeno sorriso mas sem mostrar os dentes.
- Tudo bem Robert, boa sorte na competição - ela me disse e começou a se afastar.
Me sentei irritado no chão, eu sempre fazia isso, eu sempre estragava tudo com as pessoas, eu não queria ser grosso mas quando eu percebo já saiu da minha boca e não tem mais volta, novamente eu afastei uma pessoa sem eu querer da minha vida, e a única pessoa que eu achei interessante para conversar, coisa que não acontece o tempo todo.
Dei um soco na areia com raiva, eu sempre estrago tudo, eu sempre acabo com tudo, a morte da Luana levou com a ela a melhor parte de mim que era ter calma, que era saber falar com as pessoas, ninguém tinha culpa da minha dor e todos mereciam mais respeito, não que eu fosse um grosso.
Antes de voltar para o hotel um grupo de pessoas apareceram e pediram algumas fotos, foi nesse momento que encontrei a hora de sair de cena, meu trabalho me da muita visibilidade, não sou um pop star mas tenho uma certa fama e quem gosta de esporte normalmente me conhece, eu não gosto muito dessa atenção porque muitas vezes não sei lidar com isso.
Quando cheguei no hotel estava decidido que amanhã eu vou pedir desculpas pra Eva, eu não poderia deixar as coisas desse jeito com ela, eu ainda não conhecia ela o suficiente mas não queria deixar o que aconteceu aquele jeito e sumir no mundo em algumas semanas o que aconteceu comigo foi algo terrível mas isso não pode me acompanhar estragar tudo pra sempre, não tinha como esquecer, eu tinha que aprender a conviver com isso.
Não tem como esquecer, não tem como melhorar, porque esta tudo na minha cabeça, para sempre...