5ª Semana
Comparação: Semente de laranja
Peso aproximado: 1 g
Tamanho: 0,3 cm
Dias de gravidez: 35 dias
— Bekah, para de balançar essa perna! — Cher chamou a atenção, já ficando agoniada com a inquietação da amiga.
— Desculpa… — Bekah suspirou. — Estou nervosa.
— Isso é pouco — Ray murmurou.
— Relaxa. Vai dar tudo certo — Jonathan disse, tentando tranquilizá-la.
Eles estavam na sala de espera do hospital. A primeira ultrassonografia. Só o pensamento já fazia o coração de Bekah bater rápido demais. O medo e a ansiedade se misturavam à felicidade silenciosa de não estar sozinha.
— Senhorita Davenport.
A assistente chamou, e os quatro se levantaram ao mesmo tempo.
— Desculpem, mas apenas duas pessoas podem entrar.
— Amelia, pode deixá-los entrar. — A médica surgiu à porta. — Desculpe o transtorno, senhorita Templeton.
— Me perdoe, doutora, não a reconheci.
Dentro do consultório, a doutora Madelyn fez as perguntas de rotina. Rebekah respondeu tudo com a voz levemente trêmula. Logo depois, vestiu o roupão e se deitou na maca. O gel frio em sua barriga a fez estremecer.
— Estão vendo essa área escura? — a médica perguntou.
Todos se inclinaram para o monitor.
— É o bebê? — Ray perguntou, curioso.
— Ainda não. Isso é o saco gestacional. Esse pontinho branco aqui dentro… esse sim é o bebê.
— Onde? — Bekah perguntou, aflita. — Eu não consigo ver.
— É bem pequeno ainda. Mas está aqui. E agora… escutem.
O som preencheu o consultório. Rápido. Forte. Vivo.
Rebekah levou a mão à boca. Os olhos se encheram de lágrimas antes mesmo que pudesse sorrir. Olhou para os amigos e todos estavam emocionados. Era real. Estava acontecendo.
Nada do que vinha pela frente parecia fácil, mas, naquele instante, ela tinha certeza de uma coisa: havia feito a escolha certa.
Depois da consulta, Cher e Ray precisaram voltar para a faculdade. Jonathan ficou com Rebekah. Passaram na farmácia e depois em um restaurante, nenhum dos dois sabia cozinhar.
— Vamos comer — Jonathan disse, colocando os pratos na mesa.
— Não estou com fome… — Bekah respondeu, manhosa.
— Está sem comer há horas. Vai comer sim. — Ele a encarou sério. — Pelo bebê.
— Só um pouco… — murmurou. — Nem devia.
— Seus quilos são perfeitos só por serem seus — Jonathan respondeu com um sorriso suave. — E você não mora mais com a Lilian. Come.
Depois do jantar, Jonathan lavou a louça enquanto Bekah guardava.
— Vai tomar um banho e descansar. Você deve estar exausta.
Ele parou de repente, arregalando os olhos.
— Quer dizer… não juntos. Separados.
Bekah riu.
— Eu entendi, Jhonny.
No quarto, ela se deitou já de pijama.
— Bekah… — Jonathan chamou pela porta. — Boa noite.
— Onde você vai?
— Dormir no outro quarto.
— Ah, para com isso. — Ela bateu na cama ao seu lado. — Vem deitar.
Jonathan hesitou, mas acabou cedendo. Deitaram-se de frente um para o outro.
— Sinto falta de você todos os dias — Bekah confessou. — A gente vai ficar bem depois de tudo isso?
— Vai sim. — Ele afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. — Você é linda.
— Obrigada por tudo… — As lágrimas vieram de novo. — Ainda vai me achar bonita quando eu estiver enorme?
— Sempre.
Ele limpou as lágrimas com os polegares e beijou a ponta do nariz dela.
— Boa noite.
— Boa noite.
O sonho veio pesado.
“Rebekah não estava se sentindo bem. Levantou, foi ao banheiro e notou que estava sangrando. Se assustou ao ver sangue. Voltou para o quarto correndo, mas Jonathan não estava na cama. Saiu em direção ao hospital. Lá não disseram nada, apenas deram uma folha de papel branca. Um medo dominou o seu coração quando leu o que estava escrito. Seus olhos estavam totalmente inundados de lágrimas. Suas mãos estavam trêmulas. Chegou a casa com os olhos inchados e vermelhos de tanto chorar. Viu o Jonathan no sofá. Ele se aproximou dela, via preocupação em seus olhos.
— Jonathan... — Suspirou com uma voz fraca antes que pudesse falar.
— Que foi, Bekah? — Perguntou preocupado.
— Eu… — Hesitou, não conseguia dizer mais nada. Sua respiração estava ofegante, estava soluçando, as lágrimas escorriam pelo seu rosto intensamente.
— Calma. — Ele sussurrou puxando-a para perto. Jonathan passou os braços pelo seu corpo, e encostou Bekah em seu peito. A respiração dela começou a acalmar ligeiramente e os soluços a ser menos frequentes. As mãos dele passaram pelos seus cabelos, acariciando o mesmo.
— Eu sofri um aborto espontâneo... — Disse enquanto o abraçava com força.
A folha que antes segurava, tinha escapado das suas mãos, pousando sobre o chão branco, à frente da porta. Os soluços voltaram e um leve gemido de dor escapou dos seus lábios. O som do seu choro estava mais presente que nunca. Sentiu lágrimas de Jonathan em seus ombros. Um sentimento de perda a invadiu inexplicavelmente. As palavras ‘aborto espontâneo’ ecoaram na sua cabeça durante longos segundos, tornando-os quase minutos. Abraçou o Jonathan com força. Nada que ele dissesse seria reconfortante. Nada que a acalmasse. Nada iria minimizar a dor. Ficaram ali, entre soluços e lágrimas silenciosas, deixando o mundo lá fora sem saber um terço do que sentiam.
— Calma, amor. Eu estou aqui. — Ele disse baixo.
— Eu ia ser... — Sua voz soou tremida.
— Shh. — Ele colocou os dedos sobre os seus lábios. — Não diz isso. Vai doer. — Falou, enquanto a abraçava com mais força. Bekah olhou para cima, tentando evitar as lágrimas de continuarem a cair.
— Por que comigo?! — Questionou baixo.
Ela se afastou dele e se sentou no sofá. Tapou o rosto com as mãos, lágrimas continuavam a cair com uma força incrível. Jonathan caminhou até a cozinha e voltou com um copo de água. Ele se sentou ao seu lado e lhe deu a água.
— Obrigada. — Disse seguido de um soluço. As suas mãos ainda tremiam enquanto levava o copo à boca. A água que havia no copo sumiu. — Desculpa. — Pedi olhando para o copo. As lágrimas desciam com rapidez, nunca tinha chorado tanto assim antes. — Eu devia ter tomado conta do bebê. E agora eu o perdi. Por minha causa. — Disse fechando as mãos com força. Estava realmente se sentindo culpada.
— Você não teve culpa de nada, Bekah. Não fala isso. — Ele pediu, tentando me confortar.
— O médico disse que se eu tivesse me alimentado melhor, ele poderia ter sobrevivido. — Falou com uma voz rouca e fraca. Os seus olhos fecharam e as lágrimas não hesitaram em cair, uma após outra, saíram dos seus olhos e só pararam quando alcançaram os lábios.
Os dedos do Jonathan foram até o seu rosto, seu polegar passou pelas minhas bochechas, impedindo que algumas daquelas lágrimas continuassem a seguir o seu trajeto.
— Você não tem culpa. — Ele disse firme, enquanto limpava o seu rosto.
— Ten… — Tentou falar. Ele levou o dedo aos seus lábios, impedindo que as palavras saíssem da sua boca em forma de som, um som que magoava. Ele a abraçou. Bekah deitou a cabeça nas pernas dele, se deitando no sofá.
— Calma… — Disse enquanto fazia cafuné no seu cabelo.”
— NÃÃO!! — O grito escapou dos seus lábios repentinamente.
Rebekah despertou num sobressalto, coberta de suor, arfante. O coração parecia querer saltar do peito.
— Calma… foi só um pesadelo — Jonathan disse, abraçando-a.
— Tenho medo, Jhonny…
— Medo de quê?
— De tudo.
Ele a puxou para o colo, envolvendo-a com os braços.
— Eu vou te proteger. Vou cuidar de você.
— Promete?
— Prometo.
Bekah fechou os olhos, ainda tremendo.
O medo continuava ali.
Mas agora, ela não estava sozinha.