Capítulo XI

1318 Palavras
5ª Semana Comparação: Semente de laranja Peso aproximado: 1 g Tamanho: 0,3 cm Dias de gravidez: 35 dias — Bekah, para de balançar essa perna! — Cher chamou a atenção, já ficando agoniada com a inquietação da amiga. — Desculpa… — Bekah suspirou. — Estou nervosa. — Isso é pouco — Ray murmurou. — Relaxa. Vai dar tudo certo — Jonathan disse, tentando tranquilizá-la. Eles estavam na sala de espera do hospital. A primeira ultrassonografia. Só o pensamento já fazia o coração de Bekah bater rápido demais. O medo e a ansiedade se misturavam à felicidade silenciosa de não estar sozinha. — Senhorita Davenport. A assistente chamou, e os quatro se levantaram ao mesmo tempo. — Desculpem, mas apenas duas pessoas podem entrar. — Amelia, pode deixá-los entrar. — A médica surgiu à porta. — Desculpe o transtorno, senhorita Templeton. — Me perdoe, doutora, não a reconheci. Dentro do consultório, a doutora Madelyn fez as perguntas de rotina. Rebekah respondeu tudo com a voz levemente trêmula. Logo depois, vestiu o roupão e se deitou na maca. O gel frio em sua barriga a fez estremecer. — Estão vendo essa área escura? — a médica perguntou. Todos se inclinaram para o monitor. — É o bebê? — Ray perguntou, curioso. — Ainda não. Isso é o saco gestacional. Esse pontinho branco aqui dentro… esse sim é o bebê. — Onde? — Bekah perguntou, aflita. — Eu não consigo ver. — É bem pequeno ainda. Mas está aqui. E agora… escutem. O som preencheu o consultório. Rápido. Forte. Vivo. Rebekah levou a mão à boca. Os olhos se encheram de lágrimas antes mesmo que pudesse sorrir. Olhou para os amigos e todos estavam emocionados. Era real. Estava acontecendo. Nada do que vinha pela frente parecia fácil, mas, naquele instante, ela tinha certeza de uma coisa: havia feito a escolha certa. Depois da consulta, Cher e Ray precisaram voltar para a faculdade. Jonathan ficou com Rebekah. Passaram na farmácia e depois em um restaurante, nenhum dos dois sabia cozinhar. — Vamos comer — Jonathan disse, colocando os pratos na mesa. — Não estou com fome… — Bekah respondeu, manhosa. — Está sem comer há horas. Vai comer sim. — Ele a encarou sério. — Pelo bebê. — Só um pouco… — murmurou. — Nem devia. — Seus quilos são perfeitos só por serem seus — Jonathan respondeu com um sorriso suave. — E você não mora mais com a Lilian. Come. Depois do jantar, Jonathan lavou a louça enquanto Bekah guardava. — Vai tomar um banho e descansar. Você deve estar exausta. Ele parou de repente, arregalando os olhos. — Quer dizer… não juntos. Separados. Bekah riu. — Eu entendi, Jhonny. No quarto, ela se deitou já de pijama. — Bekah… — Jonathan chamou pela porta. — Boa noite. — Onde você vai? — Dormir no outro quarto. — Ah, para com isso. — Ela bateu na cama ao seu lado. — Vem deitar. Jonathan hesitou, mas acabou cedendo. Deitaram-se de frente um para o outro. — Sinto falta de você todos os dias — Bekah confessou. — A gente vai ficar bem depois de tudo isso? — Vai sim. — Ele afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. — Você é linda. — Obrigada por tudo… — As lágrimas vieram de novo. — Ainda vai me achar bonita quando eu estiver enorme? — Sempre. Ele limpou as lágrimas com os polegares e beijou a ponta do nariz dela. — Boa noite. — Boa noite. O sonho veio pesado. “Rebekah não estava se sentindo bem. Levantou, foi ao banheiro e notou que estava sangrando. Se assustou ao ver sangue. Voltou para o quarto correndo, mas Jonathan não estava na cama. Saiu em direção ao hospital. Lá não disseram nada, apenas deram uma folha de papel branca. Um medo dominou o seu coração quando leu o que estava escrito. Seus olhos estavam totalmente inundados de lágrimas. Suas mãos estavam trêmulas. Chegou a casa com os olhos inchados e vermelhos de tanto chorar. Viu o Jonathan no sofá. Ele se aproximou dela, via preocupação em seus olhos. — Jonathan... — Suspirou com uma voz fraca antes que pudesse falar. — Que foi, Bekah? — Perguntou preocupado. — Eu… — Hesitou, não conseguia dizer mais nada. Sua respiração estava ofegante, estava soluçando, as lágrimas escorriam pelo seu rosto intensamente. — Calma. — Ele sussurrou puxando-a para perto. Jonathan passou os braços pelo seu corpo, e encostou Bekah em seu peito. A respiração dela começou a acalmar ligeiramente e os soluços a ser menos frequentes. As mãos dele passaram pelos seus cabelos, acariciando o mesmo. — Eu sofri um aborto espontâneo... — Disse enquanto o abraçava com força. A folha que antes segurava, tinha escapado das suas mãos, pousando sobre o chão branco, à frente da porta. Os soluços voltaram e um leve gemido de dor escapou dos seus lábios. O som do seu choro estava mais presente que nunca. Sentiu lágrimas de Jonathan em seus ombros. Um sentimento de perda a invadiu inexplicavelmente. As palavras ‘aborto espontâneo’ ecoaram na sua cabeça durante longos segundos, tornando-os quase minutos. Abraçou o Jonathan com força. Nada que ele dissesse seria reconfortante. Nada que a acalmasse. Nada iria minimizar a dor. Ficaram ali, entre soluços e lágrimas silenciosas, deixando o mundo lá fora sem saber um terço do que sentiam. — Calma, amor. Eu estou aqui. — Ele disse baixo. — Eu ia ser... — Sua voz soou tremida. — Shh. — Ele colocou os dedos sobre os seus lábios. — Não diz isso. Vai doer. — Falou, enquanto a abraçava com mais força. Bekah olhou para cima, tentando evitar as lágrimas de continuarem a cair. — Por que comigo?! — Questionou baixo. Ela se afastou dele e se sentou no sofá. Tapou o rosto com as mãos, lágrimas continuavam a cair com uma força incrível. Jonathan caminhou até a cozinha e voltou com um copo de água. Ele se sentou ao seu lado e lhe deu a água. — Obrigada. — Disse seguido de um soluço. As suas mãos ainda tremiam enquanto levava o copo à boca. A água que havia no copo sumiu. — Desculpa. — Pedi olhando para o copo. As lágrimas desciam com rapidez, nunca tinha chorado tanto assim antes. — Eu devia ter tomado conta do bebê. E agora eu o perdi. Por minha causa. — Disse fechando as mãos com força. Estava realmente se sentindo culpada. — Você não teve culpa de nada, Bekah. Não fala isso. — Ele pediu, tentando me confortar. — O médico disse que se eu tivesse me alimentado melhor, ele poderia ter sobrevivido. — Falou com uma voz rouca e fraca. Os seus olhos fecharam e as lágrimas não hesitaram em cair, uma após outra, saíram dos seus olhos e só pararam quando alcançaram os lábios. Os dedos do Jonathan foram até o seu rosto, seu polegar passou pelas minhas bochechas, impedindo que algumas daquelas lágrimas continuassem a seguir o seu trajeto. — Você não tem culpa. — Ele disse firme, enquanto limpava o seu rosto. — Ten… — Tentou falar. Ele levou o dedo aos seus lábios, impedindo que as palavras saíssem da sua boca em forma de som, um som que magoava. Ele a abraçou. Bekah deitou a cabeça nas pernas dele, se deitando no sofá. — Calma… — Disse enquanto fazia cafuné no seu cabelo.” — NÃÃO!! — O grito escapou dos seus lábios repentinamente. Rebekah despertou num sobressalto, coberta de suor, arfante. O coração parecia querer saltar do peito. — Calma… foi só um pesadelo — Jonathan disse, abraçando-a. — Tenho medo, Jhonny… — Medo de quê? — De tudo. Ele a puxou para o colo, envolvendo-a com os braços. — Eu vou te proteger. Vou cuidar de você. — Promete? — Prometo. Bekah fechou os olhos, ainda tremendo. O medo continuava ali. Mas agora, ela não estava sozinha.
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