6ª Semana
Comparação: Semente de Romã
Peso aproximado: 1 g
Tamanho: 0,7 cm
Dias de gravidez: 42 dias
Rebekah decidiu que precisava voltar à escola. Precisava conversar com o diretor, entender o que faria dali para frente. Para isso, pediu ajuda a Charles e Angelita. Como o diretor só poderia atendê-los no horário do almoço, ela resolveu assistir a algumas aulas naquele dia.
Pouco depois do lanche da manhã, o enjoo veio forte. Bekah pediu licença ao professor e correu para o banheiro. Assim que entrou em uma das cabines, vomitou tudo o que havia comido no café da manhã.
Com as mãos apoiadas na parede fria, ainda respirando com dificuldade, ligou para Charles, perguntando se ele poderia buscá-la. Mas ele estava com Lilian, fazendo compras. Aquela visita da mãe estava durando mais do que o normal; antes, m*l ficava um dia.
Encostada na parede do banheiro, decidiu ligar para Jonathan.
— Ei, Bekah! — ele atendeu rapidamente. — Está tudo bem?
A preocupação era nítida em sua voz.
— Oi… você está muito ocupado?
— Não. Aconteceu alguma coisa?
— Eu estou muito enjoada… e o Charles está com a Lilian…
— Estou indo te buscar. — Jonathan não deixou que ela terminasse a frase.
— Obrigada, Jhonny… mas não vai te atrapalhar?
— Claro que não. Já estou a caminho.
Depois de desligar, Rebekah mandou uma mensagem para Charles avisando que Jonathan viria buscá-la. Ainda encostada na parede, respirava fundo, tentando controlar o enjoo.
A porta do banheiro se abriu e Bekah reconheceu a voz de Mia. Bufou internamente, já esperando alguma provocação.
— Rebekah… está tudo bem? — Mia perguntou, ao vê-la pálida.
— O quê? — Bekah franziu o cenho, confusa.
— Você parece m*l… quer que eu chame alguém?
— Não… — ela hesitou. — Você… sendo legal comigo?
Mia deu um leve sorriso.
— Sim. Na verdade, já faz um tempo que eu queria falar com você, mas nunca tive oportunidade.
— Falar comigo? Sobre o quê?
— Eu queria te pedir desculpas.
— Desculpas? — Bekah arregalou os olhos. — Pelo quê?
— Pelo que a Maya e o Julian fizeram com você. Não foi nada legal. Eu juro que não sabia de nada. A gente zombava de você, sim… mas aquilo foi h******l.
— Está tudo bem. — Bekah deu de ombros. — Tecnicamente, nem foi sua culpa.
— Não está tudo bem. — Mia insistiu. — A gente estuda juntas desde sempre. Nunca foi justo o que fizemos com você. Eu te peço desculpas de verdade.
As duas conversaram por mais alguns minutos, até Jonathan ligar avisando que já havia chegado.
O caminho até o apartamento foi rápido. Jonathan foi preparar algo para comer enquanto Bekah tomava banho. Mesmo depois, o enjoo persistia.
— Você não pode ficar sem comer — Jonathan repetia, pela milésima vez.
— Eu sei, mas estou enjoada. — Bekah revirou os olhos.
— Come nem que seja um pouco.
Derrotada, ela acabou comendo um pouco de salada. O celular tocou na mesa. Jonathan pegou e levou até ela.
— Oi, Charles!
— Bekah, sou eu — disse Angelita. — Estamos saindo da escola agora.
— Conseguiram falar com o diretor?
— Sim. Ele disse que você sempre foi uma ótima aluna: boas notas, turmas avançadas para a sua idade. Vai conversar com os professores. Eles vão preparar um simulado para você. Se acertar tudo, poderá se formar. Se não, refaz o último ano no próximo.
— Sério?! E quando vai ser?
— Ele disse que está fazendo isso exclusivamente por você. E pediu sigilo. Vai ligar avisando o dia. Comentei sobre você passar m*l várias vezes ao dia, e ele recomendou que fique em casa, em repouso.
— Muito obrigada, Angelita!
— Por nada. Você está melhor? O Charles comentou que você não estava bem.
— Estou sim. Comi um pouco agora. O Jonathan está comigo.
— Estamos chegando em casa agora. Achei que a Dona Lilian iria embora logo… nunca ficou tanto tempo.
— Pois é. Mas estou me virando bem aqui no apartamento.
Depois da ligação, Bekah contou tudo a Jonathan. Os dois se sentaram no sofá e ligaram a televisão.
— Bekah… — Jonathan chamou, depois de um tempo. — Já pensou em algum nome?
— Não… mas podemos pensar agora. — Ela sorriu.
— Madelaine?
— Muito grande. Valerie?
— Muito final de alfabeto. Ella?
— Muito pronome. — Bekah riu. — E Kayla?
— Kayla… — Jonathan pensou. — Gosto.
— E se for menino?
— Acho que nem precisamos pensar nisso. Tenho certeza que é menina.
— Como você sabe? — Bekah riu. — m*l dá para ver o bebê ainda.
— Vai ser menina. Quer apostar?
— Aposto. Mas só vamos saber no parto.
— Apostado. — Ele estendeu a mão. — Se for menina, você deixa eu ser pai dela. Oficialmente. Se for menino, você decide tudo.
— O quê?! — Bekah arregalou os olhos. — Jhonny, eu agradeço tudo o que você faz por mim… mas assumir oficialmente um filho é outra coisa. O que você vai dizer aos seus pais?
— Com eles eu me resolvo. Eu não vou te deixar sozinha nisso. Não quero e não vou. — Ele respirou fundo. — Você falou em adoção, mas eu sei que não é isso que você quer. Eu vi você na ultrassom. Você quer esse bebê. Então vamos ser maduros e encarar isso juntos.
— Eu… não sei. — Bekah estava pensativa.
— Ano que vem o bebê já vai ter nascido. Posso te ajudar a fazer faculdade, um curso… sei que seu sonho é ter um estúdio. A gente pode investir nisso. Acho que damos conta.
— Acha mesmo?
— Claro. E ainda temos Ray, Cher, Angelita e Charles. Não estamos sozinhos.
Bekah sorriu, emocionada.
— Então… apostado. — Ela estendeu a mão. — Mas vamos pensar no nome do menino?
— Claro. Oscar?
— Muito velho. Callum?
— Não gosto. Colin?
— Gosto de Colin.
Jonathan sorriu.
— Então temos Kayla… ou Colin.