13ª Semana
Comparação: Ameixa
Peso aproximado: 27 g
Tamanho: 8 cm
Dias de gravidez: 91 dias
Algumas semanas se passaram e Jonathan passava mais tempo em seu apartamento com Rebekah do que no dormitório da universidade. A barriga de Bekah já começava a aparecer, ainda discreta, mas visível o suficiente para lembrá-la diariamente da nova realidade. Ela já havia feito o simulado da escola e agora aguardava, ansiosa, o resultado.
Naquela manhã, acordou se sentindo mais disposta do que o normal. Aproveitou o ânimo inesperado para arrumar todo o apartamento. Limpou, organizou, abriu as janelas e, quando terminou, ligou para Angelita pedindo ajuda para fazer panquecas. Conversaram por alguns minutos, rindo e trocando receitas improvisadas.
Sua mãe ainda estava na cidade, o que Bekah achava estranho. As visitas de Lilian nunca duravam tanto tempo. Mesmo assim, ela não havia aparecido nenhuma vez. Por isso, Bekah só conseguia falar com Angelita pelo telefone.
Apesar do tempo passar, Bekah continuava tentando ligar para Joey, sempre em vão. O telefone permanecia indisponível, e isso a deixava inquieta.
Depois de ajeitar tudo, tomou um banho demorado e relaxante. Vestiu uma roupa confortável e se jogou no sofá. Colocou um filme de romance para assistir, mas não demorou muito para seus olhos marejarem. Os hormônios estavam deixando tudo mais intenso do que deveria ser. Pensou em como devia ser difícil para quem precisava conviver com ela todos os dias.
Os enjoos haviam finalmente passado. Pela primeira vez desde que descobrira a gravidez, Bekah conseguia comer sem medo. Pegou um pote de sorvete e voltou para o sofá, alternando colheradas distraídas com cenas do filme.
Algumas horas depois, Jonathan chegou. Ele tomou um banho rápido e, ao sair, parou ao lado do sofá onde Rebekah estava sentada.
— Estou pensando em pedir comida. O que acha? — sugeriu.
— Eu tentei fazer algo… talvez não tenha ficado muito bom, mas pelo menos tentei.
— Está tudo bem? — Jonathan perguntou, desconfiado.
— Claramente! Por que não estaria?
— Você parece chateada…
— Chateada? Eu não estou chateada… talvez um pouco. — Ela suspirou. — O resultado das provas deve sair amanhã e eu nem sei se fui bem. Eu não fazia ideia do que estava fazendo. E quase não tenho roupa, tudo aperta a barriga… — As palavras começaram a sair atropeladas. — Agora todo mundo percebe a gravidez, e as pessoas olham estranho, como se eu fosse uma aberração e…
Bekah levou as mãos ao rosto e abaixou a cabeça, sentindo as lágrimas escorrerem.
— Ei, vem cá. — Jonathan se aproximou e a envolveu em um abraço firme.
Alguns minutos depois, ela finalmente se acalmou.
— Está melhor agora? — ele perguntou.
— Estou. São esses malditos hormônios. — Sorriu de lado.
— E como você está de verdade em relação a tudo isso? — Jonathan perguntou com cuidado. — Sua mãe praticamente te proibiu de voltar pra casa… acho que nunca conversamos sobre isso.
— Estou muito confusa. — respondeu, cabisbaixa. — Eu não queria um filho agora. Minha vida deu um giro completo. Não queria mesmo. Mas quando ouvi o coraçãozinho batendo… eu soube que seria incapaz de fazer qualquer coisa. Não vou negar, eu pensei nisso. Mas depois de tudo o que ouvi da minha mãe, coisas que eu sei que não sou… decidi provar que sou melhor do que isso.
— Você não merecia ouvir metade daquelas coisas. — Jonathan falou sério. — E todo mundo sabe que Lilian não é exemplo de mãe. Mas você não está sozinha. Você tem a mim. Tem o Ray, a Cher. Um dia ela vai perceber que estava errada. Você é forte, Bekah. Nós somos uma família agora.
— Obrigada, Johnny… de verdade. Pelo menos alguém me apoia.
— Eu sempre vou te apoiar. Nós três. — Ele a abraçou novamente. — E se você quiser, comemos o que você fez.
— Deve estar h******l. Preciso aprender a cozinhar… Angelita quase não consegue vir aqui. E a Lilian parece que só resolve ficar em casa agora que eu não moro mais lá.
— Você sabe como ela é. Ainda bem que você sempre teve o Charles e a Angelita.
— Se não fosse por eles, eu não estaria mais aqui.
— Quando eu era criança, achava que eles eram seus pais.
— Eu considero eles meus pais. Tenho poucas lembranças do meu pai, e o Charlie sempre esteve lá. Sou grata por isso todos os dias.
— Parece que você está cercada de pessoas incríveis.
— Incluindo o melhor amigo do mundo.
— Faço o que posso. — Ele sorriu.
— Já que estamos falando de coisas sérias… você falou algo com seus pais
— Sobre o quê?
— Sobre eu estar morando aqui. Sobre você querer assumir um bebê.
Jonathan desviou o olhar.
— Ainda não. Pensei em chamar eles aqui…
— Vamos marcar um jantar amanhã. — Bekah decidiu. — Eu ligo para Angelita, porque cozinhar sozinha não dá.
Rebekah estava nervosa. Angelita havia preparado um jantar caprichado, e enquanto Jonathan buscava os pais, Bekah arrumava a mesa com cuidado. Depois do banho, escolheu um vestido solto, que não marcava tanto a barriga.
Quando Jonathan chegou com os pais, Bekah levantou rapidamente.
— Boa noite, senhor e senhora Jenkins.
— Nada de formalidade, Bekah. — Natasha sorriu. — Pode me chamar pelo nome.
— O cheiro está maravilhoso! — Jonathan comentou.
— Está mesmo — Garry concordou.
O jantar correu tranquilamente, entre risadas e conversas leves. Aos poucos, Bekah relaxou.
— Bom… — Natasha começou. — Jonathan nos contou o que aconteceu. Confesso que fiquei decepcionada com a irresponsabilidade… mas está feito.
— Ficamos frustrados, mas vocês tiveram coragem de nos contar — Garry completou.
— Ele também falou sobre sua mãe. Sentimos muito. Vamos ajudar no que for preciso.
— Na verdade… — Bekah tentou falar.
— Chamamos vocês aqui justamente para contar tudo. — Jonathan interrompeu.
Bekah o encarou, confusa.
— A Bekah vai ficar aqui enquanto eu organizo tudo.
— Ela pode ficar o tempo que quiser — Natasha respondeu. — O apartamento é seu.
— E quanto ao emprego, você sempre terá uma vaga na empresa — Garry disse.
— Assim que o bebê nascer, vou procurar trabalho — Bekah explicou. — Só não fiz isso ainda por causa dos estudos… e agora da barriga.
— Não se preocupe com isso agora — Natasha falou com carinho.
— Já falei isso pra ela — Jonathan concordou.
— Já pensaram em nomes? — Natasha sorriu.
— Kayla ou Colin — Jonathan respondeu.
Depois de mais algumas recomendações, os pais foram embora.
— Pensei que a bronca seria maior — Bekah comentou, lavando a louça.
— Essa foi a segunda. A primeira foi no caminho.
— Eu ainda não concordo com isso, Johnny… — ela falou séria. — O que eles vão pensar quando descobrirem a verdade?
— Eles não vão descobrir. — Ele respondeu firme. — Agora termina isso e vamos dormir. Amanhã tenho um seminário.
— Depois a gente conversa com calma. — Bekah suspirou. — Não estou cem por cento a favor dessa loucura.