Salvatore entrou em casa como um náufrago retornando a um porto vazio. As paredes do corredor ecoavam os passos que Helena um dia dera, leve e rápida, carregando livros ou flores do jardim. Agora, o silêncio pesava como uma lápide. Havia sangue seco em suas mãos — não o dela, mas o de sua própria alma, corroída por anos de ódio cego. Não era novidade Jordan não querer recebê-lo, se fosse ele também não se receberia, os braços ainda imaginando o peso do sobrinho que nunca segurara. Abriu o diário na última seção, onde a caligrafia de sua irmã se tornara mais angulada, como se as palavras lutassem para escapar do papel. Última Entrada: 5 de janeiro de 2013 Henrico completou dois meses hoje. Escrevo isso com ele dormindo no meu colo, sua boca ainda molhada de leite. Jordan fez um bolo — q

