Ítalo estava bebendo pouco naquela noite — o que é eufemismo para “Ítalo não estava bebendo nada naquela noite”. Entretanto, segundo ele revelou, e como Gabriel pôde comprovar, provar e aprovar, Ítalo fazia uma ótima caipifruta. Ele punha uma dose generosa de vodca, tequila ou o que achasse pela frente em cada porção que preparava, para que a bebida tivesse seu efeito; mas isso não queria dizer que ele omitia o sabor dos morango, do abacaxi, não: era, porém, na medida certa para dar um gostinho receptivo, que antecede o impacto do álcool, deixando aquilo uma mistura fervilhantemente adocicada. Era uma delícia, e Gabriel já havia tomado dois copos; estava no terceiro agora. — E o que foi aquilo, afinal? — disse Gabriel rindo, exalando um hálito como o de chiclete derretido. Certamente o ál

