07. Dia azarado, parte 1

1071 Palavras
Kitty Falo com o sujeito que me explica basicamente que estou fodida enquanto aponta para o meu carro. “Como eu vou fazer o que preciso depois dessa bomba cair na minha cabeça?” É o que me pergunto em pensamentos enquanto a boca dele não para de se mexer, o que me deixa um pouco nervosa. — O seu seguro cobre os danos, mas tem certeza de que não quer falar nada com quem causou o estrago? — pergunta e ergo a cabeça após ver a lataria amassada do meu carro. Tinha apenas estacionado e um i****a bombado veio e o destruiu. — Pode conseguir o dinheiro para uma parte dos custos. — Não tenho tempo para isso hoje — digo, pondo minha mão na cintura porque acabo de perceber que continuo com a minha roupa de malhar, e este talvez seja o motivo para todos os outros homens na oficina continuarem me encarando. — Como a revisão foi feita da última vez, posso só ajeitar os estragos externos, mas é bom olhar por dentro para não ter nenhum problema — aponta, e não tem muitos homens em que confie que não vão me roubar por ser mulher, mas esse senhor costuma cuidar não só do meu carro, mas do das garotas também. Ou seja, ele sabe que tem uma rede de pessoas que podem descobrir com facilidade se tentar nos enganar. — Faz o que é preciso — peço a ele, e fico feliz por não estar no veículo na hora da colisão, por conseguir chegar com ele até a oficina, mas agora terei que me virar com táxis para não me atrasar para meus compromissos. — Me avisa quando o serviço estiver pronto — demando e concordando, ele se vai. Com o celular em mãos e uma bolsa onde enfiei tudo que estava no automóvel na outra, procuro por um carro no aplicativo para poder ir para casa. Aviso às garotas em nosso grupo o que aconteceu depois que saí da academia e elas apenas agradecem por eu não ter feito parte do acidente. Demorou cerca de vinte minutos antes que eu pudesse encontrar um veículo que me deixasse em casa. Apesar de estar com raiva, agradeci ao homem que não tem nada a ver com meus problemas antes de correr até o elevador do prédio para poder tomar um banho. Não posso fazer muita coisa em casa antes de procurar de novo por uma condução. “Nada de banho da beleza hoje”, pondero já em casa. Me apresso, enfiando o meu corpinho em uma calça e, embaixo do terno, mantive somente uma blusa branca. Empurro tudo o que preciso dentro da minha bolsa antes de correr para fora buscando por um novo carro no aplicativo. O tanto que vou me atrasar dependerá de quanto demorarei a encontrar um. Cerca de quinze minutos foi o que precisei antes de estar no interior de um carro seguindo para meu destino. Poderia reclamar por Dylan decidir fazer o encontro bem cedo? Poderia, mas cumprir com o meu trabalho é mais importante. Pulo para fora do carro após fazer o pagamento e os saltos são perfeitamente combinados com os poucos acessórios que pus. Não queria ser exagerada, e se uso um terno é mais por ser nosso primeiro encontro, ainda assim, é claro que esse é um estilo mais casual. O tom rosê não me valoriza em nada, mas acredito que o rosa choque o deixaria embasbacado. Contudo, antes que eu consiga ponderar mais acerca de apresentações, sinto o líquido gelado descendo por meu b***o até minha barriga, atravessando todos os tecidos para me deixar amarga. — Meu Deus — grita a menina, me olhando assustada. Os bolsões escuros embaixo de seus olhos, a forma como se desespera, tudo nela me lembra o quanto eu me sentia cansada e chorosa diante de qualquer coisa durante os últimos períodos da faculdade. Foram dias difíceis, mas também importantes para que eu pudesse encontrar boas pessoas para minha vida. O que eu teria feito se a minha vida tivesse continuado igual a antes de as conhecer? — Sinto muito — fala, colocando a sua mochila no chão, procurando lenços em sua bolsa. Seus movimentos nervosos, a maneira como os olhos brilham pelas lágrimas enchendo-os, está prestes a desabar. — De verdade, eu sinto muito — repete, se mantendo a procura do que quer. — Ei — digo, me abaixando para ficar à altura dela, que me olha de canto. — Não se preocupe — peço, me ergo estendendo a mão para que ela saia do chão. — São só roupas. — Parece caro — murmura, com o tom rachando diante de seu nervosismo. — É um pouco caro, mas não importa — completo, pois não quero que se preocupe. Também está suja, mas se preocupa tanto com o estrago que causou à outra pessoa que não liga para si mesma. — Está indo para suas aulas? — Meneia a cabeça rapidamente, afirmando. — Não pode ir assim — pondero. — Está tudo bem, de verdade — fala, fica de pé, finalmente. — Fui eu que não olhei bem para onde estava indo. — O que me diz de me fazer um favor? — pergunto a ela, com os olhos confusos, a mulher demonstra não entender o que quero dizer. — Estou prestes a ter uma reunião e estou meio atrasada — explico, sacando a minha carteira de dentro da minha bolsa. Pego algumas notas, estendendo-as para ela. — Pode me comprar uma camisa nova? E compre uma para você também. — Não, eu… — empurro o dinheiro nas mãos agitadas e ela não consegue deixar de me encarar. — Não posso fazer uma reunião cheirando a café — profiro, quando a verdade é que sei que ela não aceitaria o dinheiro sem que eu pedisse nada. — Tem um shopping a uma quadra, deve ser fácil encontrar algo lá. Por favor, me ajude — peço por último. Sou boa amolecendo corações, e não quero que o incidente atual fique pesando em sua cabeça para sempre como algo desastroso. Concordando, ela se apressa em pegar suas coisas para se dirigir para o shopping. Solto um suspiro, balançando a blusa para desapegá-la do meu corpo. Não interessa o que disse a ela, tenho que encontrar Dylan nesse estado. Olho pela vidraçaria, me questionando se já está aqui, independente disso, tenho que estar. Que dia…
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