📓 Isabela Duarte A farmácia era fria. Fria de luz branca, fria de silêncio, fria de gente que está ali porque precisa, não porque quer. Eu entreguei a receita dobrada ao farmacêutico, tentando manter a postura. Ele leu. Arqueou a sobrancelha. Como se a doença da minha irmã fosse um capricho caro. — Esse é o antifibrótico. — ele informou, sério. — Temos em estoque. Mas já aviso: o valor é alto. Valor. Essa palavra já não me assustava. Eu já estava acostumada a pagar as parcelas da minha alma todo mês. — Eu vou levar. — respondi, firme, sem gaguejar. Ele digitou o código. A máquina cuspiu um número que faria qualquer pessoa normal desmaiar. Eu passei o cartão. Sem olhar. Sem pedir desconto. Sem respirar. A maquininha apitou. Compra aprovada. Eu peguei a sacola com os medi

