📓 Isabela Duarte Acordei com o pescoço doendo, boca seca e o braço dormente de tanto servir de travesseiro pra Seraphina. A manta azul tava caída pela metade, o urso no chão, e a TV ainda ligada num programa de compra de panela. Sera respirava leve, corpo miúdo, cabelo todo espalhado no meu peito. A noite tinha sido guerra. Mas a manhã… já chegava batendo. TOC. TOC. TOC. A campainha cortou o silêncio como faca. Suspirei, sentindo o corpo pesado, a cabeça fervendo. Levantei devagar pra não acordar ela. Passei a mão no rosto maquiagem borrada, rímel morto, cabelo igual guerra civil. Foda-se. Fui até a porta e abri. E lá estava ele. Adriel. Boné baixo, jaqueta aberta, aquele jeito de quem tenta parecer despreocupado mas carrega a alma pesada. Os olhos dele me bateram na cara

