📓 Adrian Monteiro Vi a porta da UTI se fechar devagar e, logo depois, o som dos passos dela sumindo pelo corredor. Isabela saiu sem dizer nada. E eu entendi. Tem dores que não cabem em palavras — e às vezes o silêncio é o único jeito de continuar respirando. Fiquei ali, encostado na parede, vendo os enfermeiros desaparecendo com a maca da Serafina. O ar parecia pesado demais pra um hospital cheio de vida. Do meu lado, Adriel permanecia imóvel. Olhar fixo no chão, os punhos cerrados, o maxilar travado. O corpo inteiro dele parecia segurar o colapso. — Ela foi tomar um ar. — falei, sem olhar pra ele. — Precisa de espaço pra chorar sem plateia. Ele não respondeu. Só assentiu de leve. O silêncio entre nós era antigo. Um silêncio cheio de tudo que a gente nunca teve coragem de res

