Darius caminhou por todo o centro interno da torre central, até chegar ao campo de fora. Assim que ele chegou no campo aberto, havia um círculo de starianos segurando um armamento pesado ao comando de Galak, e ao centro, sob um manto n***o e um capuz fechado estava àries. De joelhos e cabeça baixa, ele estava com as mãos presas para as costas e um tanto mais magro que da última vez que o viu.
Uma equipe Stariana médica e laboratorial vieram ao socorro de Kelly. Foi Áries quem a salvou. O único soldado “mais confiável” no submundo de Starian, cumpriu as ordens de Galak e devolveu a humana antes que a rebelião a levassem. E com isso, ele conquistou uma chance.
— Áries. — Darius o viu levantar os olhos, engolir devagar e não responder. A vergonha estava evidente em seus olhos, enquanto Volkon colocou as mãos em seus ombros e deu sinal para que se levantassem.
— Vamos escoltá-lo.
Heldall foi às costas, Darius ao lado e Galak à frente. E por um amigo, sabendo que ele fez as escolhas erradas, Darius sentia um pesar. No entanto, confiava em Galak, e sabia que ele tinha um propósito. Assim esperava.
O sol Stariano ardia fortemente ao céu, o que fazia se sobrepôr mais ainda nas fraquezas de Áries. Ele batalhou, o rastro de sangue escuro pingando enquanto ele andava era notável no chão seco de terra amarronzada. E ele não reclamava, apenas engolia seu sofrimento.
Logo, ele estava sem a sua capa. Suas roupas estavam rasgadas, seus cabelos estavam bagunçados e ele estava preso na mesma cela de contenção energizada que usaram para separar Volkon de Elaine. Era uma sala branca, com o campo de energia invisível, mas extremamente mortal.
Darius não ficou de primeiro momento, já que suas prioridades mudaram na noite passada. Ao atribuir na escolta e entender as ações do Stariano, coletou o que sabia e agregou no que podia. Ele foi um capitão naquela tarde, se vendo tempo demais distante da sua fêmea e se encontrando quase em desespero para reencontrá-la de novo. E assim o fez.
Ela estava com um aparelho digital nas mãos, uma tela semelhante à um tablet, mas como uma imagem quase realista. Era possível tocar nas imagens e tirar delas muitas informações. E m*l percebeu a entrada de Darius, enquanto ele a pegava no flagra aprendendo sobre os Goldarx.
— Os meus instintos diziam que estava pensando em mim, não em minha raça inteira. — Ela abriu um sorriso, corou absurdamente e o viu fechar a porta.
Darius estava sério, expunha os braços e tinha os botões do uniforme perfeitamente alinhados com o brasão que servia à Starian. E a sensação que sentiu ao vê-la, era um deleite inexplicável. Se unir, ter alguém a quem te esperar e por quem viver, não era ofensivo e amedrontador como Volkon dizia e fez. Era exatamente o oposto.
— Vim parar em Starian por conta de uma mera brincadeira, e agora não quero ir embora. — Ele levemente deixou uma curva cínica de um sorriso vitorioso surgir nas sombras de seus lábios. — Eu ainda tenho medo do que pode acontecer aqui, mas não sinto medo quando está perto.
Ele se colocou ao seu lado, manteve os braços cruzados e adotou o posto de guarda enquanto ela arqueava as sobrancelhas.
— Não vai me dar um beijo? — Ele a olhou, olhou para a parede de vidro observatória com a cortina levantada e pareceu pensar. — O que os Starianos tem com demonstrações de afetos públicas?
— Demonstrações de proteção e marcas territoriais são mais propícias aos machos da espécie. Não lhe é uma demonstração de afeto suficiente? — Ela deu uma leve risada. — Por Starian, porque tanto ri de mim?
— Não pode só me dar um beijo?
Ele se curvou levemente, a olhou de perto e a viu entreabrir os lábios rosados. E estava tudo indo conforme o planejado, até ele simplesmente enfiar as mãos por detrás da nuca de Gisele e socar a língua na mulher como se não houvesse o amanhã. E dessa vez ela não precisava mais se surpreender, apenas aceitar.
Uma pena que foram pegos no flagra, com uma batida forte contra o vidro e uma baixinha de óculos redondo sorridente, e uma parede de Starianos assistindo a cena romântica. Darius rosnou, soltou Gisele e não se importou com os sorrisos de Elaine, apenas puxou a cortina e tapou a visão, sentindo-se extremamente agressivo pelo ocorrido.
— Acho que ela nos aprova. — Gisele se moveu devagar, sentou-se de pernas para fora da cama e viu Darius se encostar ao seu lado, e cruzar os braços. — Ela me contou que somos compatíveis. Você sabia?
— Soube pela manhã Stariana.
— O que sentiu?
— Alívio e felicidade.
— Alívio? — Ela franziu o cenho e admirou a resposta rápida e sincera de Darius. O Goldarx não fazia curvas para dizer o que pensa. — Porque Alívio?
— Nunca desejei outra humana.
Gisele corou ao notar a simplicidade do vínculo Stariano. Ela estava lendo sobre e Darius basicamente resumiu uma rede de estudos. Eles desejam, com a força de sua vida, e pronto. Era tão menos complicado do que os sentimentos humanos…
— E se fosse designado para outra humana, o que faria? — Talvez ela não quisesse ouvir a resposta. Seja por medo ou a sombra de palavras que pudessem gerar insegurança, ela acabou se surpreendendo com a resposta.
— Eu costumo cumprir as ordens, mas acredito que arrebentaria todo e qualquer stariano que fosse designado para a fêmea. Eu imagino um caos, uma guerra e muitas mortes. — Ela riu. — Não é engraçado. A humana é minha. Aceitou ser minha e é assim que deve ser. E o que a humana sentiu?
Ela abriu um sorriso enorme.
— Alívio e felicidade. — respondeu com toda a sinceridade que tinha — Eu gosto de você. Você é bonito, super dourado e é bom de cama. E ainda é romântico.
Darius franziu o cenho, seriamente inconformado com seus elogios.
— Só isso? A fêmea se encanta por minha cor, beleza e meus dons de reprodução? — Ela gargalhou, sem conseguir se conter. — Não há cabimento nesses elogios. Tenho qualidades superiores. Sou rápido, forte e um ótimo combatente. Leal e dedicado. Eu tenho a graça de Galak, e tudo o que conseguiu ver foi o tom de minha raça, minha aparência e meu empenho em nossa cúpula?
— Cúpula? — Ela quase se dobrou rindo, enquanto Darius se mostrava ainda mais indignado.
No entanto, ao bem da verdade, ele preferia vê-la rindo do que no estado em que estava. Inerte e quase sem respirar, ele percebeu que qualquer coisa que acontecesse com sua fêmea, ele se colocaria contra o mundo para recuperá-la. O vínculo era engraçado aos olhos de Gisele, mas controlava insanamente Darius por dentro.
De repente ela se calou, o clima engraçado passou e ela notou uma vírgula diferente no rosto do gigante dourado. Ela não sabia explicar, apenas sentia a preocupação nele e, por instinto, colocou a mão em seus ombros e se encostou nele.
— O que está acontecendo?
— Áries. — respondeu Darius levantando uma sobrancelhas ao se ver apenas respondendo um assunto confidencial.
— Áries? Quem é Áries?
— Um dos nossos. Foi condenado ao exílio por traição. Ele atentou contra Volkon e Elaine ao fruto do experimento, Star. — Gisele engoliu devagar, se sentou direito e ficou mirando Darius à espera de mais alguma coisa. — Ele está de volta e tem o mérito de ter salvo a humana Kelly. Sua amiga está salva, mas Áries está longe de reconquistar a confiança de Galak ou o Lord Stariano.
— Volkon e Elaine precisam perdoá-los?
— Toda Starian precisa perdoá-lo. — Gisele engoliu devagar e sentiu o pesar de Darius, até que sentiu as mãos do gigante tocar em seu rosto e a fez olhar em seus olhos. — Eu não acredito em coincidência. Não tenho crença alguma de que a humana Kelly tenha parado no submundo e Áries simplesmente a salvou. A rebelião pode estar o usando para novas infiltrações, então fique longe. Todas as humanas estão correndo sérios riscos quando se trata da rebelião. — Gisele engoliu devagar e sentiu um certo calafrio. — Fique longe dele.
— Achei que estivesse triste por ele. — soltou em um sussurro.
— Eu não menti quando disse que o que sinto pela humana é inúmeras vezes superior. Amigo ou não, fique longe dele. Entre a humana e um velho amigo, eu escolho matá-lo.
Gisele apenas concordou, se reposicionou em Darius e continuou a concordar. Era romântico aos seus olhos o jeito como Darius a tratava, mas era assustador a intensidade desse sentimento.
— Está tudo bem. Vou ficar longe dele. — Gisele suspirou, fechou os olhos e se sentiu tão inebriada pela presença de Darius que se recordou de seus últimos momentos. A festa, o beijo, o Alojamento Renascimento e a cama de Darius. Quando menos percebeu, ela perguntou: — Quando vamos pra casa?
— Providenciarei o nosso contrato eterno o quanto antes. — Ela sorriu e deu uma risadinha. — O que há de engraçado na nossa eternidade?
— Nada. É só o jeito que você fala. Eu gosto disso.