Capítulo 14

1884 Palavras
Gisele estava desacordada sobre uma maca hospitalar, acima dela não havia aparelhos tão humanos, havia um campo azul refletindo seu corpo de forma biológica. Ela usava um aparelho respiratório sem vínculo ou cabo, o oxigênio era aplicado em cápsulas pressurizadas e Darius a olhava através da parede de Vidro do outro lado. Galak estava ao seu lado, enquanto Elaine e um médico lhe faziam perguntas. — Nós dormimos, mas ela simplesmente não acordou. — Ele olhou para o lado, viu ela desacordada e voltou sua atenção para Elaine. — Eu saí pela manhã porque li o manual. Eu vim até a sala do alojamento e peguei algumas coisas de comer, coisas que eu já tinha visto ela comer. O manual diz que humanos comem assim que acordam. — Mas quando voltou ela ainda dormia. — Elaine estava pensativa. — Como soube que tinha algo de errado com ela? — Eu… eu… Senti. Mas, não sentia como antes… — Ele pareceu pensar. — Achei que… Parecia que ela estava morrendo. Elaine apenas consentiu, falou algumas palavras para o médico e o viu se afastar. Em seguida, ela sorriu para Darius, tocou em seu braço e tentou ser delicada. — Você não fez nada de errado, Capitão Darius. Gisele estava nos trâmites finais da adaptação e ela pegou o ar de Starian por muito tempo e de uma só vez. O que ela tem é cansaço respiratório e seu corpo se apagou como um mecanismo de defesa. Gastamos muito menos energia quando estamos desacordados. — Darius se sentiu aliviado e voltou a olhar o vidro onde Gisele estava desacordada. — E quando ela vai acordar? — Vamos ter que prolongar a quarentena dela. — Elaine colocou as mãos no bolso do jaleco e sentiu o peso das palavras de Galak. — Eu tenho culpa nisso. Eu conduzi o encontro e sabia que ela se apegaria em você se algo ocorresse, mas não imaginei os efeitos colaterais. — Sabia? — Darius questionou, voltando a olhar para ele. — É claro. — Ela sorriu e se colocou ao seu lado, olhando Gisele através do vidro. — Quando eu soube do ocorrido da nave, fui a primeira a fazer os testes. Sua compatibilidade com ela é perfeita. Mas, o que mais me intrigou, é que vocês não foram impostos. Simplesmente está acontecendo. — Está dizendo que, além do vínculo ser perfeitamente aceitável, geneticamente falando, o vínculo acontece de forma natural para a pessoa certa? — Galak perguntou, enquanto Elaine confirmava. — Consegue provar isso, de alguma maneira? — Talvez — ela respondeu pensativa —, porque teorias não se provam tão fácil. Fatos provam teorias melhor do que as palavras. — Ela olhou para Darius. — E você, Darius, está dizendo para nós que o vínculo com os humanos, pode ser mais natural do que imaginamos. — Eu discordo. — Ele calou Elaine e tomou a atenção de Galak. — Pode acontecer sem a interferência da ciência, mas isso está longe de ser natural. Me vinculei a humana, e agora ela nem pode respirar o ar de Starian. Não há nada de natural nisso. Galak deu um tapa nos ombros do Stariano dourado e fez um sinal para deixá-lo sozinho. Elaine se retirou enquanto Galak ia ter com o Lord sobre os novos acontecimentos. E este era um episódio peculiar na história de Starian, porque Darius tinha razão. O Goldarx não estava tendo problemas com a união, mas ele estava coberto de razão. Elaine correu risco de vida ao ter o filhote, agora Gisele não conseguia se estabilizar no planeta. A cada nova tentativa, uma nova variável… (...) Darius não se moveu, ele era um espécime paciente, se assim podia dizer, e pacientemente ele se manteve com os olhos em riste até Gisele abrir os olhos. A primeira coisa que ocorreu foi a entrada de um Stariano e um humano na sala. Ela foi atendida, o campo de observação acima do corpo da humana fora desligado e em alguns minutos seguintes, ela estava sentada na cama, olhando Darius através do vidro e corando. Sua postura estava séria, seu corpo estava firme, mas ele podia se dizer vitorioso pela fêmea estar bem e por estar o admirando. o pesar em seu peito, apesar de não demonstrar, estava se esvaindo. Era dolorido achar que perderia sua fêmea. A única coisa que chamou sua atenção, foram seis pares de pés barulhentos surgirem no corredor e o obrigar a olhar pro lado. Brisbee e Meredith ele reconheceram, mas a outra humana não havia decorado suas feições. logo elas se aproximaram, olharam através do vidro e deram um “tchauzinho” empolgado para Gisele do outro lado. — Elaine permitiu que fizéssemos uma visita. — Brisbee foi educada, sorriu para o Gigante dourado e ofereceu a mão de um modo cordial. Darius, por sua vez, olhou para a mão estendida da fêmea e levantou o olhar para seu rosto. — Ah, é tipo um “oi” na terra. — Meredith percebeu a cara de perdido que o gigante dourado fez e tentou explicar. Darius olhou para a sua mão, lembrou-se do toque de Gisele e a sensação que o toque lhe causou e educadamente voltou sua mão no lugar, sem tocar a humana. Então ele fechou os punhos, colocou a mão no alto do peito e se curvou educadamente. — Esse é o modo como saudamos os nossos iguais. — Ele se voltou a olhá-las e as viu sorrir, menos a terceira garota. — É um prazer que venham ofertar boas novas para minha fêmea. Sem que pudessem se conter, as duas abriram um sorrisinho, deram gritinhos no ar e saltiraram iguais duas moquecas fritantes em sua frente. Darius apenas olhou para o lado, olhou Gisele corando inegavelmente e voltou a fitar as duas moças alegres, sem entender o que estava acontecendo. Exceto por Cassandra Maltez, a terceira mocinha estranha. Ela tinha cabelos castanhos e longos. Usava um cordão com a imagem de uma cruz prateada no pescoço. Usava longas saias e blusas fechadas. Ela não parecia à vontade e olhava para Darius com desconfiança, até simplesmente não suportar mais o ambiente, torcer os pés e sair do lugar com passos firmes. O Goldarx ficou olhando a situação, até ver a humana simplesmente se esbarrar em Heindall e quase morrer de susto ao ver o gigante esverdeado sair abrindo uma porta. Sem justificativas, ela simplesmente saiu correndo. Meredith bufou cansada, enquanto Brisbee fazia uma negativa. — Ela é extremamente religiosa e jura que veio converter as irmãs. Ela acha que são aberrações infernais e veio como voluntária em nome da igreja acabar com essa profanação. — Darius piscou curioso enquanto ouvia Meredith desabafando. — Agora ela acha que Gisele não tem mais salvação. — É necessário que alguém avise a humana rebelde que vocês são as aberrações por aqui. Não somos nós Starianos que estamos fora de casa. — Darius não tentou soar ofensivo, mas cativou Brisbee e Meredith com as palavras. Devagar, Hendall se aproximou, bateu com os punhos fechados no peito e franziu o cenho quando viu os piercings de Meredith. — Uma guerreira? — Meredith piscou, não entendeu a pergunta e Hendall logo questionou. — Quais honras e batalhas a humana conquistou para obter suas marcas? Brisbee engoliu a risada e chacoalhou o ombro para dentro, enquanto Meredith tentava entender do que Hendall falava, mas Brisbee foi mais rápida e tentou manchar a honra da sua amiga. — Ela é dadeira. Cada piercing é uma glória de dez homens. Cada tatuagem, contabiliza cem. — Darius arqueou as sobrancelhas enquanto Heindall olhava para Meredith e via na humana um futuro não muito longe. — Mas ninguém foi páreo o suficiente, e ela matou todos em batalha. Ninguém conseguiu a honra de realmente estar com Meredith e impedir ela de contabilizar suas honras por alcinha rasgada. Meredith fechou o cenho, olhou para Brisbee como quem quem estava para xingá-la, mas foi apanhada de surpresa pelas palavras de Hendall. — Uma humana guerreira? — Ele puxou sua alabarda, bateu com ela no chão mostrando a magnitude do item prateado com cristais em sua ponta e a olhou firme. — Uma batalha contra a fêmea, e a farei minha. posso provar, até o fim de minha vida que sou digno. Meredith arregalou os olhos, deu um passo para trás e Brisbee quase se engasgou guardando a risada para dentro. E só então Darius notou a brincadeira de m*l gosto e quando Hendall deu um passo à frente, ele esticou a mão, parou o amigo e notou Meredith travada pelo medo. Hendall estava com real expectativa e a humana estava brincando com o perigo. — Lhe parece engraçado colocar sua amiga em perigo? — Brisbee parou de segurar a risada e soltou o ar. — O quê? Brisbee soltou o riso pesado e respondeu diretamente. — Não é culpa minha se ele não sacou nada. Meredith não ia lutar com ele, nem se fosse ficar rica. — Isso é uma ofensa? — Hendall fechou os dentes e a olhou com ira. — Aê… — Meredith chamou sua atenção e conseguiu falar. — Não é ofensa… è que… A minha batalha só conta com homens humanos, sacou? Tipo… Starianos não contam. Eu estaria em desvantagem, entende? Brisbee engoliu a risada de novo, e dessa vez Meredith desviou o olhar, também partindo do medo, para o engraçado ao ver o gigante verde decepcionado. Brisbee tinha razão, ele não parecia muito inteligente. — É claro. — Darius ficou piscando, sem entender nada e olhou para o verducho quando este lhe tocou nos ombros. — Consegue se afastar da fêmea por um breve momento? — O Goldarx olhou para o lado, notou Gisele observadora pelo vidro enquanto movia a cabeça respondendo algumas perguntas do médico e voltou a mirar Hendall. — Tudo bem. Educadamente ele se afastou, enquanto Meredith se encostava na parede de vidro, quase respirando fundo por escapar da brincadeira de Brisbee, enquanto a amiga percebia que havia algo de importante no pedido de Hendall. — Ei, gigante verde. Hendall, não é? — Perguntou a mocinha de cabelos negros e franja curvada. — Sabe dizer alguma coisa da nossa amiga, Kelly? Hendall afinou os olhos, guardou a alabarda no dispositivo acoplado no uniforme em suas costas e deu um passo ameaçadoramente adiante, fez Brisbee dar dois passos para trás e Meredith se afastar. Quando a mulherzinha arregalou os olhos, Hendall colocou as duas mãos no vidro, se abaixou para mirar a humana e Meredith abriu a boca para chamar ajuda, mas se calou no momento que viu o esverdeado aproximar a boca sutilmente nos ouvidos da amiga. — Eu a comi. Viva. E ainda sinto se mexer por dentro das minhas entranhas. Meredith entendeu, sentiu o pavor ir embora e virou de costas para não entregar a risada engolida para a amiga. Então Hendall se afastou. Gisele e os Starianos dentro da sala estavam observando o ocorrido e Brisbee estava mais branca que uma folha de papel, quase sem ar. Quando o gigante verde realmente estava fora do alcance, Brisbee respirou, Meredith gargalhou e concluiu por fim. — Os Stariano são bons em vingança. — Não tem graça… — Brisbee resmungou, sentindo o ar do seu peito voltar. — Não, não tem não. — Meredith apenas concordou.
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