Capítulo 06: Revelações e a determinação

1440 Palavras
Pedro tinha acabado de sair do banho e estava a caminho de seu quarto quando ouviu o toque insistente do celular sobre a mesa de cabeceira. Enrolado apenas em uma toalha, ele se apressou a atender, reconhecendo o número do Júnior, seu braço direito. — Júnior, por que você está ligando? Você deveria estar na fábrica agora. — perguntou Pedro, sua voz carregada de irritação. Do outro lado da linha, Júnior hesitou por um momento antes de responder, o que só aumentou a impaciência de Pedro. — Chefe, eu sei, mas isso é importante. Tem a ver com a sua morena misteriosa. — disse Júnior, tentando manter a calma. A menção da morena fez Pedro se endireitar, sua expressão se suavizando levemente, mas ainda desconfiada. — O que você descobriu? — perguntou Pedro, tentando manter a expectativa fora de sua voz. — A gente conseguiu algumas informações sobre ela. — começou Júnior, respirando fundo. — O nome dela é Mariana. Ela é estudante de Direito e veio do interior de Minas com uma bolsa de estudos. Mora com uma tia aqui na comunidade. Pedro absorveu a informação, sentindo um misto de alívio e curiosidade. Mariana. Finalmente, um nome para a mulher que não saía de sua mente desde aquela noite. — Tem mais? — perguntou Pedro, ansioso por mais detalhes. — Ela parece ser uma garota muito reservada, chefe. — continuou Júnior. — Não sai muito e parece que só veio para estudar. Mas tem algo que você precisa saber... Pedro sentiu um arrepio percorrer sua espinha, sua mão apertando o celular com mais força. — Fala logo, Júnior. — ordenou Pedro, sua paciência se esgotando. — Parece que ela está muito assustada com o que viu por aqui. Hoje, quando estava voltando do curso, passou perto da escadaria e viu a gente com as drogas. Ficou pálida como um fantasma. — explicou Júnior, a preocupação evidente em sua voz. Pedro sentiu um peso no estômago. Ele sabia que a realidade da comunidade poderia ser chocante para alguém de fora, especialmente para uma jovem estudante. — E o que mais? — pressionou Pedro, temendo a resposta. — Ela foi direto para casa e não saiu mais. A tia dela, Dona Clara, disse que ela está muito abalada. — disse Júnior. — Acho que precisamos fazer alguma coisa, chefe. Não queremos que ela se assuste a ponto de ir embora. Pedro ponderou por um momento, sua mente trabalhando rapidamente. Ele não podia permitir que Mariana fosse embora, não depois do impacto que ela teve sobre ele. — Júnior, preciso que você mantenha um olho nela. Sem assustá-la mais do que já está. — disse Pedro, sua voz firme. — E quero que você descubra mais sobre ela. Quero saber tudo. — Pode deixar, chefe. Vou cuidar disso. — respondeu Júnior, determinado. Pedro desligou o telefone e ficou parado por um momento, a cabeça cheia de pensamentos. Ele precisava encontrar uma maneira de se aproximar de Mariana, de mostrar que ela não tinha nada a temer. Ele se vestiu rapidamente e saiu do quarto, decidido a encontrar uma solução. Enquanto caminhava pela casa, sua mente não parava de pensar na expressão de medo no rosto de Mariana. Ele sabia que a vida no morro era dura, mas ver aquela realidade através dos olhos dela trouxe uma nova perspectiva para Pedro. Desceu as escadas rapidamente e saiu para o quintal, onde alguns de seus homens estavam reunidos, discutindo os negócios do dia. Ao verem Pedro, eles se calaram, aguardando suas instruções. — Preciso que todos vocês fiquem atentos à Mariana. — disse Pedro, sua voz autoritária. — Ninguém deve se aproximar dela de forma ameaçadora. Entenderam? Os homens assentiram, conscientes da importância da ordem de Pedro. — E Júnior, quero relatórios diários sobre ela. — continuou Pedro, olhando diretamente para seu braço direito. — Não podemos permitir que ela se sinta ameaçada aqui. — Pode deixar, chefe. Vamos cuidar disso. — garantiu Júnior, decidido a seguir as ordens de Pedro. Pedro assentiu, satisfeito com a resposta. Ele sabia que teria que andar na linha tênue entre proteger Mariana e não assustá-la ainda mais. Mas ele estava determinado. Não deixaria que o medo afastasse a mulher que tinha conseguido abalar seu mundo. Enquanto a noite avançava, Pedro continuava a planejar seus próximos passos. Ele precisava de uma estratégia, algo que mostrasse a Mariana que ela estava segura, sem revelar demais sobre seu próprio envolvimento no submundo do morro. Pedro sabia que essa não seria uma tarefa fácil, mas estava disposto a fazer o que fosse necessário para ganhar a confiança de Mariana. Afinal, ela já havia se tornado uma parte essencial de seus pensamentos, e ele não podia simplesmente deixá-la escapar. Enquanto a noite avançava, Pedro permaneceu sentado em sua sala, refletindo sobre a melhor maneira de se aproximar de Mariana sem assustá-la ainda mais. Ele sabia que sua presença e sua posição no morro poderiam ser intimidantes para alguém como ela, que vinha de um ambiente completamente diferente. Mariana era uma jovem mulher, recém-chegada do interior de Minas Gerais, e ele sabia que a realidade violenta e dura da comunidade era algo que ela não estava acostumada a ver de perto. Pedro lembrava das vezes que ele mesmo se sentira perdido e desorientado quando começou a se envolver com o submundo do tráfico. Ele não queria que Mariana passasse por algo semelhante. No dia seguinte, Pedro acordou decidido a tomar algumas providências. Ele chamou Júnior para uma reunião logo cedo. Ao vê-lo, Júnior percebeu a seriedade no rosto do chefe e sabia que ele estava determinado a resolver a situação. — Júnior, precisamos agir com cuidado. — começou Pedro. — Quero que a gente encontre uma maneira de mostrar à Mariana que ela está segura aqui. Ela precisa sentir que não tem nada a temer. Júnior assentiu, concordando com o plano de Pedro. — Pode deixar, chefe. Já comecei a monitorar os movimentos dela discretamente, sem que ela perceba. Vou garantir que ela esteja protegida o tempo todo. — disse Júnior, com firmeza. Pedro sabia que podia contar com Júnior para manter Mariana segura, mas ainda precisava pensar em uma maneira de se aproximar dela sem parecer ameaçador. Ele passou a manhã toda pensando em várias estratégias, até que teve uma ideia. Mais tarde, naquele mesmo dia, Pedro decidiu fazer uma visita à Dona Clara, a tia de Mariana. Ele sabia que Dona Clara era uma figura respeitada na comunidade e que poderia ser uma aliada valiosa nessa situação. Vestiu-se de maneira menos intimidante e se dirigiu à casa dela. Ao chegar, foi recebido por Dona Clara, que ficou surpresa com a visita inesperada do líder do morro. Pedro explicou o motivo de sua visita, tentando tranquilizá-la e garantir que suas intenções eram boas. — Dona Clara, sei que Mariana passou por um susto ontem. — disse Pedro, sua voz calma e sincera. — Eu só quero que ela saiba que está segura aqui. Quero que ela se sinta parte da comunidade, sem medo. Dona Clara, embora ainda um pouco desconfiada, percebeu a sinceridade nas palavras de Pedro. Ela sabia que ele era um homem poderoso no morro, mas também sabia que sua proteção poderia ser valiosa. — Entendo, Pedro. — respondeu Dona Clara. — Mariana está muito assustada, mas vou conversar com ela. Vou tentar acalmá-la e explicar que você está preocupado com o bem-estar dela. Pedro agradeceu e saiu, sentindo que havia dado um passo importante. Nos dias que se seguiram, ele continuou a monitorar a situação de perto, sempre com Júnior ao seu lado, garantindo que Mariana estivesse segura. Enquanto isso, Mariana começava a se acalmar gradualmente, graças às palavras de conforto de sua tia. Ela ainda se sentia desconfortável com a presença dos homens armados e a venda de drogas tão perto de onde morava, mas quando ela passou na escadaria que dava para casa da sua tia não viu os rapazes que estavam vendendo drogas ali. Mariana achou aquilo bem suspeito, não entendia por que eles não estavam mais lá? Porém ela deixou isso pra lá e voltou a subir para ir para casa da sua tia. Assim que chegou em casa ela levou um susto quando viu o seu salvador estava na sala com sua tia tomando um café. ― O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? ― Mariana soltou um grito que acabou assustando sua tia fazendo ela se levantar. ― Mariana, isso é jeito de falar com o senhor Pedro? Mas um momento… Você conhece de onde? ― Reprimiu a tia de Mariana. Logo fitou sua sobrinha e depois para o Pedro. Ambos ficaram em silêncio.
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