Mia e Bryan se afastaram da mansão, buscando a sombra de um carvalho milenar, longe dos olhares da plateia, que ainda os sentia como o centro gravitacional do mundo. O dia se estendia radiante, o sol lançando raios dourados sobre a alcateia. Ali, sob lençois macios, eles tentavam respirar na calma serena antes do inevitável caos.
Logan e Luke corriam pela grama, as risadas selvagens e desinibidas se misturando ao som das ondas. Lauren, na cadeirinha, observava o mundo com seus olhos azuis imensos, espelhando a paz que Mia lutava para manter. A Rainha Luna, sentada ao lado, absorvia a felicidade dos filhos. Ela observava Bryan, que, sem camisa, exalava liberdade enquanto brincava. O suor brilhava em seu peito musculoso; a cena era de uma brutal simplicidade.
— Se transforma em papai! — pediram os meninos em uníssono.
A pele deu lugar ao pelo. Bones/Bryan transformado rolava na grama com Logan e Luke no lombo, a algazarra preenchendo o ar. Mia sorriu, o coração quente. Ela se inclinou para Lauren, oferecendo-lhe um morango suculento da cesta. A bebê aceitou, sujando os lábios, e a troca silenciosa entre mãe e filha era a prova de um vínculo avassalador.
Mia a abraçou forte. Naquele momento, sentiu-se completa. O passado, o caos, tudo parecia uma lembrança distante. Sob o sol e o carvalho, ela estava, finalmente, exatamente onde deveria estar.
Quando os meninos se afastaram, exaustos, e Lauren adormeceu, Mia se acomodou nas almofadas. Bryan retornou à forma humana, com a pele suada brilhando. Ele se deitou ao lado dela, o corpo forte vestido apenas com um short casual. O Alpha e a Luna estavam ali, lado a lado, em silêncio carregado, sustentando a frágil trégua que havia entre eles.
Na grande varanda da mansão, o núcleo familiar e os amigos íntimos observavam a cena ao longe, analisando a quietude do Alfa e da Luna. O som suave do mar misturava-se ao farfalhar das folhas, criando uma trilha sonora de tensão silenciosa.
Perto do bar, Axel Blackwolf segurava um copo de uísque, a carranca tensa enquanto observava a risada de Mia. A possessividade pelo irmão consumia cada fibra de seu corpo. Ele franziu o cenho, apertando os punhos.
Lívia estava na varanda, olhando com descaso. Quando o som da risada genuína de Bryan chegou, ela apertou os punhos, a elegância se quebrando em pura irritação e inveja.
— É a Rainha Luna fazendo um show de circo para provar que ainda é a escolhida — Lívia zombou, a voz baixa e venenosa. — Ela se humilha, aceita a traição, e ele finge que está apaixonado. Patético.
A provocação cortou o ar quente. Antes que Lívia pudesse continuar, a voz de Selena Starlight, sentada ao lado de Theo seu noivo, soou firme e cortante:
— Será que não cansa dessa obsessão por Bryan, sua cobra? Está casada com um Alfa poderoso , lindo e super gostoso, que te dá tudo, e ainda assim corre atrás de outro macho acasalado. Se toca! Bryan não vai largar ela por você e nem por ninguém. Aceita que dói menos, queridinha!
Lívia voltou-se para o irmão Theo, furiosa: — Controle sua mulher!
Theo revirou os olhos: — Se não quer ouvir merda, deveria manter a boca fechada, Lívia!
— Selena tem razão — Sara Montserrat juntou-se à discussão, seu tom firme. — Você deveria agradecer por Mia não ter te expulsado ainda.
Lívia riu, venenosa: — Eu ser expulsa? Se eu for, ela deveria expulsar metade das aqui presentes. Júpiter, Nyx e Sabine todas dormiram com ele.
Sabine Bishop, no colo de Leo Ashowrth, se remexeu, murmurando o subtexto do seu desconforto: — Isso foi passado e eu não me orgulho disso, e eles não estavam juntos na época, então não é a mesma coisa. Lívia revirou os olhos. Pra ela , eles juntos ou não, não importava.
Nyx Nightfall, sempre superior, cruzou os braços e ergueu: — Não me compare com a sua corja, Lívia. Quando estive com ele, éramos muito jovens e eles haviam se separado.
Júpiter Starlight permaneceu em silêncio, com os olhos fixos no horizonte, refletindo o sol que declinava.
Nathanel e Alaric trocaram olhares pesados. A situação escalou rapidamente.
— Lívia, já chega de envergonhar nossa família! — Alaric bradou, a voz carregada de autoridade e ameaça. — Vou garantir que você fique longe de Bryan ou providenciar que você e Daemon fiquem longe desta Alcateia. Não permitirei que suas ações levem a nossa ruína!
Axel, calado até então, injetou sua mágoa no momento:
— Mia está sendo condescendente até demais. Não sei como ela consegue se submeter a ele assim... Ela deveria estar o rejeitando. — Ele apontou para o casal ao longe, indiferente aos comentários.
— Axel, controle seus sentimentos, já falei com você sobre isso, Mia está fora do seu alcance — A voz de Nathanel Blackwolf bradou.
Babi Maya e Elizabeth trocaram olhares, sentindo o contraste doloroso: o silêncio da família feliz e o turbilhão de julgamentos e ressentimentos na varanda.
Os familiares e amigos, a uma distância respeitosa, apenas vislumbravam o Alfa e a Luna, contemplando-os em silêncio. Foi então que Jade gesticulou, quebrando o silêncio.
— Eu acho que vocês não estão olhando da perspectiva correta. Não estamos falando de um simples casal. Esqueçam por um momento o que sentiram. Pensem na essência: Bryan e Mia não se encontraram, eles convergiram. O que vemos ali é a encarnação de uma profecia, um ponto crucial de inflexão. O poder deles nunca foi sobre amor comum. É uma união de super forças complementares, dois lobos nascidos para serem o eixo de sustentação do nosso mundo. Ele é a estratégia impiedosa; ela é a resiliência indomável, a Sigma. Eles são como fogo e água que, em vez de se anularem, se fundiram para criar o vapor invencível que move a alcateia. O peso que carregam se estende além de qualquer relação pessoal; eles foram destinados a se confrontar e a se complementar para enfrentar um m*l maior.
Jade parou, a intensidade de sua voz diminuindo.
No campo, Bryan ergueu o corpo, apoiando-se no cotovelo para encará-la. Era o momento de ceder, de dar voz ao seu pecado. A palavra "desculpa" estava presa na base de sua garganta, um nó apertado e sufocante. A testa de Bryan se franziu, as linhas de preocupação se aprofundando, e seus lábios se contraíram em uma linha fina e tensa, uma compressão física de sua falha. Ele estendeu a mão e tocou o braço de Mia, um aperto firme, uma ação em aço para se forçar a falar. Mas ao sentir a pele dela, ele percebeu. Os olhos de Mia não estavam nele, nem no toque. Eles estavam fixos e distantes, observando um ponto além, entre as sombras escuras das árvores. Havia um foco predatório, uma tensão de Luna atenta que nada tinha a ver com a traição.
— Mia.. O que você está vendo? ele perguntou, sua voz rouca.
Foi então que o som surgiu.