Pré-visualização gratuita CAPÍTULO Um
GABRIELA BORGES
Aperto o passo ansiosa para chegar em casa antes que a gotas que tocam meu corpo se torne uma chuva pesada, o céu cinza no meio da tarde deixa claro que chuva virá com força, seguro minha mochila na frente do corpo na tentativa de proteger meu material escolar das gotas que agora já não estão mais tão espaçadas.
- Oi, quer uma carona? – oferece com um sorriso amarelo
O carro azul do meu vizinho esquisito anda em uma velocidade lenta ao meu lado, tão lenta que meus passos são mais rápidos.
- Minha vó me mata se entrar em seu carro, serei obrigada a dispensar- fui sincera, mantendo um tom educado em minha voz
Conhecendo minha vó ele sabia que eu não estava mentindo, dona Lurdes não era uma senhora muito amigável com todos, eu como neta não tinha muitos privilégios dela também não.
- Me dê sua mochila, levo para você, para não molhar- desacelero meu passo entregando a mochila para ele que tem um braço parcialmente esticado para fora da janela- Deixarei em sua varanda!
Ele coloca a mochila no banco do carona e sorri para mim como quem diz “ poderia ser você aqui” me limito a agradecer, volto a apertar meus passos deixando claro para Hugo que não aceitarei sua carona, então ele acelera o carro sumindo rua a fora.
Subo os degraus de madeira que me levam até a varanda da frente de casa olhando em volta sem encontrar a minha mochila, entro em casa e vejo que está sobre o sofá.
- Tire logo essas roupas molhadas e volte para me explicar porque Hugo estava com isso- vovó fala segurando seu cigarro nos lábios
- A explicação é curta, ele me ofereceu uma carona por causa da chuva, não aceitei porque sabia que não te agradaria mas aceitei que trouxesse a mochila para não molhar!
Suas feições mudam para aprovação por saber que recusei a carona.
- Vá logo trocar essa roupa! – concordo indo para meu quarto
Ansiosa para ver as novidades que tem no grupo do MSN, no meu último aniversário vovó me permitiu que eu usasse as economias que eu tinha para comprar um computador, a única condição foi que eu não tivesse conversas com estranhos, claro que eu jurei que não faria isso.
Mas entrei em um site de madrugada descumprindo pela Primeira vez as ordens de minha vó.
Me sento na cadeira em frente ao monitor ainda penteando meu cabelo após o banho.
Escolho a sala no site com um número razoável de pessoas e entro.
@anjinha_acabou de entrar
@moreninhosafado- quer conversar no privado?
@surfistasarado- oi anjinha
@anjinha- Gabi@hot...
Deixo meu endereço de MSN na sala e saio
Não demora nada para cinco janelas com mensagens aparecer no canto da tela do monitor, passo um tempo conversando com esses caras, mas no final todos queriam o mesmo assunto: sexo, acabo bloqueando a maioria, já aprendi a identificar os caras que iam me perguntar se eu tinha Webcam pelo endereço de e-mail então já bloqueava, sai da cadeira para jantar quando minha vó me chamou já sem muita paciência.
Quando voltei tinha uma mensagem de um desconhecido, a foto do perfil era só um olho verde.
@Volpone- boa noite
@anjinha- Oi, quem?
@volpone- peguei seu e-mail no UOL
Marcus Volpone era diferente dos meninos que eu conversava não era do tipo que pedia para me ver nua na Webcam, na verdade ela não pedia para me ver nem vestida, também não se mostrava, nos seis meses em que conversamos eu não vi nada além dos seus olhos.
Ele me contou que era estudante, estava no último ano de veterinária e tinha 26 anos, eram nove anos de diferença, mas tudo bem, eu estava apaixonada o único problema era a distância, moramos em estados diferentes e como eu sou menor e ele está no último ano de faculdade não podemos nos ver por agora.
@Volpone_o que você pretende fazer amanhã?
@anjinha_vou em um sítio com uns amigos
@Volpone_ Não gosto da ideia de você em uma festa com adolescentes excitados
@anjinha_ciumes amor?
@Volpone _Melhor você ir dormir, já é quase dia!
@anjinha_nem reparei nas horas passando
Eu gostava do cuidado que ele tinha comigo, das coisas que me falava das músicas que me recomendava, até mesmo do ciúme que ele demonstrava.
Na dia seguinte seria aniversário de uma amiga, e minha vó autorizou que eu fosse na comemoração que seria em um sitio.
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-Eai Gabizinha quando você vai me dá uma chance? – o Gabriel perguntou se sentando ao meu lado na borda da piscina onde estava com os meus pés na água
O Gabriel era um cara legal, bonito, inteligente mas o nome dele me impedia de querer formar um casal, eu não era do tipo que fica por ficar, só beijava um menino se tivesse intenção de ter algo mais sério.
- O dia está quente hoje né- mudei o assunto, ele sorriu entendendo que eu estava fugindo dele
- Vem gente – Clara minha amiga aniversariante gritou – vamos juntar para minha mãe tirar uma foto
Gabriel se levantou e me estendeu a mão me ajudando a levantar, a mãe da Renata tinha daquelas câmeras que tirava foto e filmava, que eram anunciadas nas propagandas dos programas do SBT que alegava ser a mais vendida do Brasil, mas eu só conhecia a mãe da Clara com uma daquelas.
Fizemos fotos e filmagem o dia foi muito divertido.
- Vamos ver quem fica no topo dos depoimentos para a Clara no Orkut? – Aline fala em tom de desafio
Assim que chego em casa coloco as fotos de hoje em minha página do Orkut, depois tomo um banho e me sento em frente ao monitor para contar meu dia ao Marcus, mas ele não me respondeu, mesmo estando online não me respondeu por horas.
Vejo a notificação que Marcus Volpone visitou o meu perfil no Orkut, um perfil sem foto.
@anjinha_ Porque não me responde?
@anjinha_você disse que não tinha Orkut
@Volpone _Isso não vai dar certo, você não se dá ao respeito enquanto eu estou aqui te esperando!
@anjinha_como assim não me dou ao respeito?
Marcus estava muito bravo pelas fotos que coloquei em minha página, disse que sentiu ciúmes por estar distante e não poder me acompanhar em nada, falou que me amava e estava esperando por mim, que não se envolvia com ninguém, que me ama e estava decepcionado com a minhas fotos.
@anjinha_Me desculpa? Eu juro que não beijei ninguém, estou disposta a te esperar
@Volpone_ Eu me senti inseguro vendo aquele moleque com a mão em sua cintura, eu sou velho e você é uma menina.