03

1572 Palavras
Deixei minhas mãos escorregarem de meus s***s e agarrei seu pulso, precisando de algo sólido para me manter em pé. Sua pele era quente demais e o calor de seu toque subiu por meus braços, acomodando-se sob minhas costelas. Então cometi o erro de olhar para ele. Seus olhos, de um azul oceânico penetrante, eram tão brilhantes que quase não pareciam reais. Seu cabelo era preto como a meia-noite, bagunçado, mas deliberado, dando-lhe aquele ar de bad boy perigoso e intocável. Meu olhar se desviou para baixo, traçando o corte afiado de sua mandíbula, o tipo de mandíbula que fazia você querer segui-la com os dedos só para sentir suas bordas. Por uma fração de segundo, eu quis sentir se a pele dele era tão macia quanto parecia. Ele continuava olhando para mim, com aqueles olhos oceânicos se movendo lentamente, deliberadamente, passando pelo meu rosto, minha garganta e depois pairando sobre meus s***s nus. Eu não sabia dizer se ele estava verificando se eu estava machucada ou apenas avaliando a mercadoria. De qualquer forma, ele ainda era um lobo. Eu preferi não confiar em um lobo. Fiz uma careta para ele. Apenas mais um bastardo pervertido! No entanto, o modo como ele me olhava não se parecia com a fome desleixada que eu tinha visto nos outros. Um calor traidor se acumulou em minha barriga antes que eu pudesse impedi-lo, florescendo entre minhas coxas apenas com o peso de seu olhar. Meu corpo reagiu como se já pertencesse a ele, querendo que aquelas mãos se movessem... para inflamar coisas que eu só tinha ouvido sussurrar em salas de treinamento imundas. Por um instante, eu queria que ele me tocasse. Que me tocasse de verdade. Mas eu tinha outro objetivo. Arranquei minhas mãos de seu pulso e o empurrei para trás com toda a força que tinha. Ele m*l se mexeu, e só isso já me dizia o quanto ele era perigoso. Meu olhar se desviou para o lado, vendo um pequeno espaço perto da entrada, onde os corpos se moviam apenas o suficiente para revelar um pedaço de espaço aberto. Uma saída. Eu poderia correr agora, entrar nos corredores e desaparecer antes que alguém percebesse. Mas a imagem do que viria a seguir também me atingiu em cheio. Se me pegassem, eu seria transformado em um exemplo. Decapitada ou talvez pior. E garotas mortas não matam reis. Meninas mortas não acabam com a Regra dos Escravos. Garotas mortas não cortam o Rei Alfa. Por isso, engoli a vontade de fugir. "Ela empurrou um mestre!", rugiu o leiloeiro, apontando um dedo para mim. Antes que eu tivesse tempo de reagir, dois guardas enormes invadiram o palco, agarrando-me com força pelos braços e me arrastando para a frente, meus pés raspando impotentes contra as tábuas de madeira. Um deles, mais alto e mais largo que o outro, agarrou minha garganta com um único aperto e bateu minhas costas contra a parede. "Ah!" O impacto roubou meu fôlego, e seu aperto se intensificou, esmagando minha traqueia. Embora eu tentasse lutar, minhas pernas chutavam inutilmente contra a pedra fria. "Ela desrespeitou um mestre!", berrou o leiloeiro. "O que você acha de fazermos com essa escrava?" "Matem-na!", respondeu a multidão aos gritos. Mas, sem aviso, houve um estrondo repentino quando o bruto que me segurava foi arrancado da parede, seu corpo foi arremessado pelo salão com uma força desumana. Ele bateu na pedra com um baque brutal, com os membros se retorcendo desajeitadamente com o impacto, e o silêncio caiu rapidamente. Caí no chão em uma pilha, tossindo violentamente enquanto segurava minha garganta em chamas. m*l registrei o caos ao meu redor, os suspiros da multidão ou os rostos atônitos agora voltados para uma única direção. Foi então que senti calor. Uma jaqueta pesada, que ainda mantinha o calor do corpo que a vestia, caiu sobre meus ombros, colocada com um cuidado surpreendente. O material tinha cheiro de fumaça e algo selvagem. Olhei para cima, ainda sem fôlego, e lá estava ele. O homem de antes. Ele estava bem à minha frente, alto como o centro de uma tempestade que ainda não havia começado. Seus olhos varreram a sala em um movimento lento e imponente, e ninguém ousou se mover sob aquele olhar. Até mesmo o leiloeiro, que momentos atrás estava bêbado de poder, agora se encolhia. "Ela não está à venda", disse o homem por fim, com a voz baixa e calma. Quando seu olhar recaiu sobre mim, seus olhos não eram mais azuis... estavam vermelhos como fogo. O guarda restante, que havia me alcançado momentos antes, congelou onde estava, com as mãos meio erguidas, incerto se deveria lutar ou fugir. "E quem é você?", exigiu o leiloeiro. Eu havia conhecido lobos durante toda a minha vida, a própria personificação da crueldade. No entanto, aqui estava ele, desafiando todos eles, arriscando tudo por mim. O homem não se deu ao trabalho de responder. "Eu perguntei quem você é!", gritou o leiloeiro, mais alto dessa vez, como se estivesse tentando lembrar a todos quem tinha autoridade naquela sala. "Sei que você é um VIP, mas não pode fazer isso!" O leiloeiro m*l teve tempo de piscar antes que o homem de olhos azuis desaparecesse do meu lado. No instante seguinte, ele estava em pé na frente do leiloeiro. Com um simples movimento de seu braço, ele mandou o homem voando pela sala. "Oh, meu Deus..." Eu gritei quando o crânio do leiloeiro se chocou contra a parede com um baque doentio, o sangue se espalhando em um arco vermelho pela pedra pálida. A multidão começou a se agitar e a gritar. "p***a!", alguém exclamou. "Quem diabos é ele?", gritou outra voz. "Como ele ousa fazer isso? Matem-no!" A sala se transformou em um caos. Embora ele ainda usasse sua máscara, todos sabiam: nenhum mero licitante poderia fazer isso. Ele havia quebrado a regra sagrada dos lobisomens, e a pena era a morte. Os guardas o atacaram de ambos os lados. Cobri os olhos, minha respiração ficou acelerada. Não queria vê-lo morrer, não depois de ele ter me salvado. Mas, em vez de silêncio, ouvi os sons úmidos do combate. "Deusa... é o Rei!", gritou alguém, com uma voz que misturava admiração e terror. O quê? Minhas mãos voaram para longe do meu rosto. E lá estava ele. A máscara estava quebrada no chão, revelando o homem por trás da lenda. Seus cabelos negros, desgrenhados da luta, emolduravam um rosto que era ao mesmo tempo incrivelmente belo e aterrorizante: uma mandíbula afiada, maçãs do rosto altas e aqueles olhos azuis oceânicos que pareciam inumanos. O homem que havia destruído todas as vidas humanas. O Rei Alfa. ** Drakkar POV A única voz em minha cabeça era a de Sorvane, pois meu lobo, Ragnar, estava em silêncio há trezentos anos. Houve um tempo em que sua presença me ancorava, mas agora só havia o demônio. Quando o corpo do leiloeiro caiu no chão, a névoa se dissipou dentro de mim e parei de ver o vermelho. O rugido em meus ouvidos se transformou em silêncio e, por um breve segundo, lembrei-me de quem eu era. Não fui eu quem interveio para proteger a garota de cabelos vermelhos. Foi ele. Olhei para o chão e vi minha máscara ali, dividida ao meio. Um símbolo do anonimato que eu não havia conseguido manter. Todos os olhares se voltaram para mim e, em seguida, um a um, começaram a se ajoelhar. "Vossa Alteza", alguém sussurrou, com a voz trêmula, quase inaudível. Outro ecoou mais alto. "Vossa Alteza!" E então se espalhou. Dezenas de lobos, antes embriagados pelo desejo, agora abaixavam a cabeça, alguns pressionando a testa no chão. Eles achavam que eu ainda era o rei de que se lembravam, mas o homem a quem estavam se ajoelhando não era mais apenas eu. Ele era eu e o monstro que vivia sob minha pele. O quarto ainda estava pesado com o silêncio. Eu me endireitei lentamente, ajustando os punhos de minhas mangas com calma. "O leilão vai continuar." Exalei, deixando meu olhar se desviar para onde eu havia deixado a garota, pensando que poderia captar o ritmo fraco de sua respiração ou o brilho do cabelo vermelho. Mas quando meus olhos voltaram para o palco, eu o encontrei vazio. Ela havia desaparecido. Meu maxilar se cerrou e eu me virei para o fundo do salão no momento em que as portas principais se abriram e balançaram ligeiramente para dentro, um balanço suave que teria passado despercebido para qualquer outra pessoa. Mas não para mim. Ela havia fugido. Sem hesitar, saí da plataforma, atravessando as fileiras de nobres e licitantes atônitos. Meus passos ecoaram contra o piso de pedra quando abri as portas e entrei no corredor. Eu ouvi antes de ver: o barulho de botas, uma respiração aguda, um assobio de desafio. O cheiro de morango se infiltrou em minhas narinas e eu sabia que eram dela. E então eu vi. Ela havia chegado até a passagem lateral, mas um guarda a alcançou. Ele a segurou pelo braço, agarrando-a com força enquanto ela se debatia, torcendo o corpo, com a outra mão enrolada em um punho que ela bateu contra o peito dele. A jaqueta que eu tinha enrolado em volta dela tinha escorregado um pouco de seu ombro, revelando uma faixa vermelha onde os dedos do guarda tinham machucado sua garganta. Minha mandíbula se contraiu ao ver aquilo. "Solte-a", eu disse.
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