Carol Narrando A porta fechou atrás do meu pai e o silêncio caiu que nem concreto. Eu fiquei ali, deitada naquela cama de hospital, olhando pro teto branco. O corpo doía. Cada osso, cada músculo, cada pedaço de mim gritava. A carne esmagada, os cortes, os hematomas. Tudo doía. Mas não era nada perto da dor no peito. As palavras dele ainda ecoavam. Não saíam. Não importava quantas vezes eu piscasse, quantas vezes eu tentasse pensar em outra coisa. Elas estavam lá. Gravadas. Cravadas. "Preferia você quebrada. Com as pernas quebradas, os braços quebrados, do que grávida do sangue daquele juiz desgraçado." Meu pai. O homem que me ensinou a atirar. Que me ensinou a nunca abaixar a cabeça. Que me protegeu do mundo desde que eu nasci. Falou aquilo. Falou na minha cara. E doeu mais que o p

