Carol Narrando Tem um segundo na vida da gente que divide tudo. Antes e depois. O meu foi o barulho. Não o da explosão. Não o do concreto rachando. Foi o som do corpo do meu pai sendo arrancado de perto de mim. Eu senti quando puxaram ele. Senti o vazio onde antes tinha o peso dele me protegendo. Tentei segurar. Juro que tentei. Mas meus dedos escorregaram. E aí o mundo caiu. Literalmente. O chão tremeu como se tivesse raiva. O teto veio abaixo e eu só tive tempo de puxar o ar uma última vez antes da pancada me jogar contra alguma coisa dura. Minha cabeça bateu. Meu ouvido apitou. E depois… silêncio. Não um silêncio de paz. Um silêncio pesado. Cheio de poeira. Eu tentei mexer o braço. Doeu. Tentei mexer as pernas. Nada. Nada. A primeira coisa que pensei não foi em mim. Foi nel

