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A escolhida do morro do Dendê.

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Sinopse

No alto do Morro do Dendê, uma promessa feita anos atrás está prestes a mudar o destino de duas vidas para sempre. Ainda criança, Ayla foi prometida em casamento ao herdeiro do tráfico do Morro da Coroa, em um acordo criado para selar a paz entre duas comunidades marcadas por guerras, sangue e traições. O que parecia apenas uma decisão dos mais velhos se transformou em uma prisão da qual ela passou a vida inteira tentando escapar.Enquanto Ayla cresceu lutando pela própria liberdade, Kael foi criado para assumir o comando do morro com pulso firme, respeito e medo. Acostumado a ser obedecido por todos, ele nunca imaginou que a única pessoa capaz de enfrentá-lo seria justamente a mulher que carrega seu nome desde a infância.Quando finalmente chega o momento de cumprir a promessa, Ayla é obrigada a entrar em um mundo que sempre rejeitou. Determinada a odiar o homem que roubou seu futuro, ela encontra alguém muito diferente do que imaginava. Kael é perigoso, impulsivo e dono de um olhar capaz de derrubar todas as suas defesas. E quanto mais tentam resistir um ao outro, mais forte se torna a atração que nasce entre eles.Em meio a bailes lotados, disputas por poder, alianças perigosas e segredos que podem destruir tudo, os dois vão descobrir que algumas promessas são impossíveis de quebrar. Mas no Dendê e na Coroa, o amor nunca vem sem consequências. Porque no Morro, uma promessa vale mais do que o amor... e desafiar um traficante pode ser o erro mais perigoso de todos.

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1-AYLA
CAPÍTULO 1 AYLA NARRANDO — Ayla! Tu ainda não desceu? — minha mãe gritou lá de baixo. Revirei os olhos enquanto terminava de passar o gloss na frente do espelho enorme do meu quarto. O ar-condicionado gelava o ambiente, mas mesmo assim eu tava nervosa. Não era um dia comum. Nunca era quando envolvia ele. Peguei minha bolsa em cima da cama king size e saí do quarto ouvindo o barulho do som vindo da área da piscina da mansão. Funk alto, homens rindo, moto acelerando lá fora… A rotina do Morro do Dendê. Desci a escada devagar observando a casa lotada de seguranças armados. Desde pequena eu cresci vendo arma espalhada pelos cantos como se fosse algo normal. Porque pra gente era. Meu pai comandava o Dendê há mais de vinte anos. Todo mundo respeitava. Todo mundo temia e eu era a princesa do morro. A filha protegida do dono. — Finalmente. — minha mãe cruzou os braços na cozinha. — Daqui a pouco teu pai surta. — Ele vive surtado. Ela tentou esconder a risada. Peguei uma fruta na bancada de mármore enquanto observava a movimentação da casa. Os vapores entrando. Os rádios tocando. Os seguranças correndo pra lá e pra cá. Tinha alguma coisa acontecendo. — Vai ter reunião? — perguntei. Minha mãe evitou meu olhar na mesma hora. Pronto. Só aquilo já bastava pra me irritar. — Mãe… Ela suspirou. — O pessoal do Morro da Coroa tá chegando hoje. Meu corpo travou na hora. Claro. Claro que era isso. Engoli seco tentando parecer indiferente. — E daí? — Ayla… — E daí? — repeti mais fria. Ela se aproximou devagar. — Tu sabe que uma hora isso ia acontecer. Ri sem humor. — Engraçado como todo mundo decidiu minha vida menos eu. Peguei minha bolsa e saí da cozinha antes que ela começasse aquele discurso de sempre. “A promessa mantém a paz.” “O acordo protege o morro.” “O futuro do Dendê depende disso.” Eu tava cansada. Cansada de ser tratada como moeda de troca. Atravessei a mansão indo pra área externa. O sol batia forte nas piscinas e nas motos estacionadas no quintal gigante. Lá de cima dava pra ver o morro inteiro. As vielas, os bares. As crianças correndo. Os homens armados nos pontos. Tudo aquilo um dia seria meu também. Meu estômago embrulhou só de pensar. Desci pra rua acompanhada de dois seguranças, porque meu pai simplesmente surtava se eu saísse sozinha. — A princesa vai pra onde hoje? — um dos vapores brincou no portão. — Pra bem longe de homem fofoqueiro. Eles riram. Continuei andando pelas vielas ignorando os olhares em cima de mim. Todo mundo me conhecia ali, não tinha como não conhecer, eu era filha do patrão. Mas além disso… Eu era a prometida. A menina prometida ao herdeiro do Morro da Coroa pra unir duas facções que passaram anos em guerra. Uma promessa feita quando eu ainda brincava de boneca e que agora tava prestes a ser cobrada. Passei em frente ao salão da Neide e ela abriu um sorriso enorme. — Tá linda igual tua mãe quando era nova. — Mentira. Minha mãe é muito mais bonita. — Bajuladora. Ri fraco e continuei andando mexendo no celular. Foi então que ouvi o barulho das motos. Na mesma hora o morro mudou. Os homens ficaram alertas. Os vapores endireitaram postura. As conversas diminuíram. Meu coração disparou sem eu querer. Porque eu sabia quem era. A sequência de motos subiu a rua principal em velocidade. Primeiro os homens armados. Depois as motos maiores. E então a XRE preta e o meu ar falhou. Ele tava sem capacete, corrente grossa no pescoço. Relógio caro brilhando no pulso. Olhar frio e perigoso. Kael. O herdeiro da Coroa. O homem que foi prometido pra mim. Ele diminuiu a velocidade devagar enquanto o morro inteiro observava em silêncio. Todo mundo respeitava Kael. Até quem odiava ele. Porque ele tinha presença. Aquela presença pesada de homem acostumado a mandar. Os olhos dele encontraram os meus e droga, o meu corpo inteiro travou. Kael tirou o óculos escuro lentamente. O olhar dele desceu pelo meu corpo sem vergonha nenhuma. — Então, o princesinha do Dendê… Meu maxilar travou. — E você continua sem educação. Os homens atrás dele prenderam a respiração. Eu sabia que ninguém falava daquele jeito com Kael. Mas eu nunca fui boa em obedecer. Ele inclinou a cabeça de lado me analisando e aquilo me irritava profundamente. Kael desceu da moto devagar. O barulho do coturno batendo no chão fez meu coração acelerar. Ele parou na minha frente, muito perto. O perfume caro misturado com cheiro de pólvora me deixou nervosa sem eu querer. Ódio. Era só ódio. Tinha que ser. — Cresceu, ta bonita. — ele falou rouco. Revirei os olhos. — E você cresceu e ficou metido. O canto da boca dele subiu. Mas não era um sorriso bonito. Era perigoso. — Continua marrenta. — E você continua se achando dono do mundo. Kael aproximou mais um passo. Meu corpo inteiro ficou tenso. — Não do mundo. — ele abaixou o rosto perto do meu. — Só do que é meu. Meu sangue gelou. Afastei o rosto imediatamente. — Eu não sou nada sua. O sorriso dele desapareceu. Os olhos escureceram na mesma hora. Pela primeira vez senti medo de verdade. Kael segurou meu queixo devagar e firme. Dominante. — Cuidado com a forma que fala comigo em público, Ayla. Arrepiei inteira. Não pelo toque. Mas pelo jeito que ele falava como se realmente tivesse algum direito sobre mim. Afastei a mão dele com força. — Vai fazer o quê? Me obrigar? O clima pesou na mesma hora. Os vapores ficaram em silêncio absoluto. Kael me encarou por alguns segundos. Depois soltou uma risada baixa. — Tu ainda não entendeu, princesa? — ele colocou o óculos de volta. — Eu não preciso obrigar ninguém. A promessa já foi feita. Meu peito queimou de raiva. — Eu não queria essa promessa. Ele subiu na moto novamente. — Mas teu pai quis. A frase bateu igual tapa. Porque era verdade. Meu próprio pai tinha decidido meu destino. Kael ligou a moto sem tirar os olhos de mim. — Hoje à noite tu vai subir pra reunião. Franzi a testa. — Não vou. — Vai sim. — Eu não obedeço você. Ele sorriu de lado. — Ainda não. E saiu acelerando enquanto os homens vinham atrás. Fiquei parada no meio da rua tentando controlar minha respiração. Ódio. Era isso que eu sentia. Ódio daquele homem. Ódio daquela promessa. Ódio de todo mundo achar normal decidir minha vida. Continua..... RECADO DA AUTORA: LIvro recomendado para maiores de 18 anos, conteúdo explícito!!! Livro escrito em atualização diária, sendo a obra concluída com a publicação do último capítulo e a sinalização de completo pela plataforma. Avisos importantes: Como o universo é morro, traficantes, a linguagem utilizada não é na maioria das vezes o português escrito no dicionário. Mas sim o português falado no dia a dia com suas abreviações de palavras e gírias. Algumas palavras são censuradas pela plataforma, então aparece a primeira letra e ** mais a última letra, exemplo, s**o, seio, quando a autora lembra, ela pode usar o trema sëio e você terá a palavra escrita com uma acentuação não pertinente. Temos uma janela de publicação curta pois conta o horário dá plataforma em Singapura, para termos nossas metas diárias completas, de forma que fazer uma revisão ortográfica antes de publicar, para mim que escrevo em média 4 livros ao mesmo tempo é impraticável. Caso tenham alguma dúvida, ou não entendam algo escrito, podem sinalizar nos comentários do capítulo que eu terei todo carinho do mundo em esclarecer.

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