━━━ • ஜ • BIANCA • ஜ • ━━━
Assim que sai da boate, rodei com meu carro até parar na orla, em frente a praia.
Caminhei descalço na areia... corri de encontro as ondas. Sentindo o vento, batendo em meu rosto e a água me molhando.
- A melhor sensação do mundo...
- Sensação de liberdade.
Mesmo sendo tarde e perigoso por estar sozinha ali. Me permito apreciar um pouco, a paz que esse lugar me trás.
- Me sento na areia, sentindo ainda o vento, batendo em meu corpo.
- Enquanto meus pés ainda, estavam dentro da água.
Me permito me lembrar da minha infância, uma família grande e barulhenta.
Me permito então, sentir pela falta que minha mãe me faz. E sinto, como se o vento em meu rosto, fossem seus toques.
Me imagino sentada ao seu lado, recebendo seus carinhos.
E entre lágrimas, começo a falar imaginando que, seja onde ela estiver, ela pode me escutar.
- Mãe, quanta falta a senhora me faz... se você estivesse viva.
- Talvez as coisas, fossem tão diferentes...
- Eu na certa, não precisaria viver me escondendo e fugindo do passado, para ser livre.
- A senhora não tem noção, de quanto sinto sua falta, nesse momento.
- Já faz um ano que estou sozinha, nesse mundo mamãe.
- E eu não aguento mas mamãe, viver me escondendo.
- Mas não posso, deixar que eles me encontrem mamãe.
- Tenho tanto medo... dele me encontrar...
Já não consigo mais falar e deixo que as lágrimas, escorram soltas. Deixando ali diante dos céus, transparecer a minha verdadeira face.
A de uma pessoa quebrada, que por mas que tente viver, ela apenas sobrevive nesse mundo.
Uma pessoa cheia de marcas, que tem pesadelos constantes... e que não consegue se libertar, da dor.
Mas que se esconde atrás de um sorriso, que finge estar sempre bem.
(...)
Depois de muito chorar e em fim, me sentindo mas leve, decido ir para casa.
Chego no meu carro, tem inúmeras chamadas perdidas de Ricardo.
Só de pensar nele, meu coração já dispara e um sorriso bobo, aparece em meu rosto.
- Isso não pode estar acontecendo, me n**o a sentir algo, que não seja ódio.
- Daquele energúmeno egocêntrico.
- Além do, mas, tudo o que ele quer, é me levar para cama.
- E isso jamais, irá acontecer... não permitirei jamais, que outro homem me use.
Dirijo para casa, com uma única certeza, preciso tirar Ricardo dos meus pensamentos.
(...)
Assim que chego no meu apartamento, o segurança me informa, que Ricardo esteve aqui me procurando.
- Mas o que será, que esse abusado queria?
Já em meu apartamento, me permito tomar um banho relaxante, tirando toda areia da praia, que ainda estava em meu corpo.
Saio do banheiro, enrolada na toalha e me jogo na cama.
Fecho os olhos e a única coisa que eu consigo pensar, é naquele corpo maravilho.
Naquela boca que me fascina, com o sorriso cafajeste que ele tem...
- Eu preciso tirar ele da minha cabeça, só assim terei um pouco de paz.
E pensando nele acabo dormindo...
(...)
Me vejo em um jardim lindo... sei que estou sonhando, pois ao meu lado está um menino, que nunca havia visto antes.
Ele fala comigo, enquanto me puxa...
- Vem mamãe, olha o papai... ele chegou.
Tento perguntar para ele, quem é a mãe dele?, e ele me olha e com o sorriso, mas lindo do mundo responde, que eu sou a mamãe dele.
Então acordo assustada, com o maldito toque do telefone..
Tinha que ser ele, para estragar o meu sonho... que seja algo muito importante, ou eu mato ele.
Atendo o maldito telefone e a única resposta que tenho, é a respiração... sem nenhuma outra resposta.
Desligo o celular e fico pensando, nesse sonho louco.
- Onde aquela linda criança, dizia que eu era a mãe dele...
Só em sonhos mesmo, para isso ser possível.
Começo a me perguntar, será que algum dia isso seria possível? Mas claro que já sei a resposta.
- Não, nunca que isso será possível.
- Que homem que irá me querer, ao lado dele...
Droga... por culpa daquele chato, nunca saberei como terminaria o sonho.
- O sonho mas lindo, da minha vida...
E torcendo para o sonho continuar de onde parou, me deixo ir me envolvendo pelo sono, até enfim voltar a dormir...
...