RICARDO MARTINELLI
Chego no local do crime, e apesar das horas já adianta, o lugar mais parece um formigueiro.
- Bando de curiosos.
Ando no meio deles os empurrando, até ficar diante da cena do crime.
Em anos servindo em campo no exército, participei de guerras. Presenciei muitas mortes, mais ainda assim a cena a minha frente é chocante.
- Na hora que vi o corpo, com alívio soltei o ar que nem havia percebido, estar prendendo.
- Graças a Deus, não é a minha Diaba.
Mas ainda sim, é lamentável uma vida ser arrancada dessa forma.
- A vítima teve sua cabeça, arrancada e posta ao lado do corpo.
- Corpo este que está todo cortado, além dos hematomas.
- E claramente, ela foi abusada... antes de ser morta.
Me aproximo mais do cadáver, céus como uma pessoa, é capaz de fazer tal atrocidade?
- Está claro, que esse não é o local do crime.
- Aqui é apenas o lugar, da desova do corpo.
Constato assim que vejo o corpo de perto, o monstro que fez isso, certamente queria que o corpo fosse encontrado.
E queria chamar atenção... mas quem em sã consciência, comete um crime, e deseja chamar a atenção para o mesmo?
- Detetive Martinelli?
Sou tirado de meus pensamentos, por alguém me chamando.
- Sou Andrew Mackenzie... Delegado Mackenzie.
- Obrigado por se juntar a nós, apesar do horário.
- Será que podemos nos falar, em particular?
- Tem muita pessoa em volta, e não gostaria que nos escutassem.
Aceno com a cabeça, confirmando e o sigo para longe da multidão.
- Detetive, vou direto ao ponto.
- Esse não é o primeiro corpo, a ser encontrado dessa forma.
- Existe outros dois corpos, que foram encontrados da mesma maneira.
- Ou seja, esse já é o terceiro em menos de um mês. .. porém antes, o assassino era mais cuidadoso.
- Ele deixava os corpos, em locais abandonados.
- Porém dessa vez, ele deixou em um lugar público, mudando sua maneira de agir.
- Nós não divulgamos sobre os outros corpos, para não causar pânico na população.
- Mais agora ele decidiu expor, o seu trabalho para a população.
Escuto todas as informações, que ele vai me passando, já começando a traçar um perfil do assassino.
- Ao que tudo indica, ele decidiu sair das sombras delegado.
- E quis chamar a atenção, mais a pergunta é o que o motiva?
- O que ele quer afinal, chamando atenção desse jeito? Ou de quem, ele quer chamar a atenção?
Conversamos mais um pouco, e tudo que o delegado sabe me afirmar, é que as suas vítimas seguem um perfil.
- Todas estão entre vinte e trinta anos, estatura média e loira.
Porra... preciso descobrir quem é, e pegar esse desgraçado, o mas rápido possível.
- A minha Marrenta, se encaixa perfeitamente no perfil, desse doente.
E se antes, eu já estava disposto a cooperar com o delegado, para colocar esse louco na cadeia.
- Agora eu irei mover céus e terra, para garantir que ele não faça nada contra minha loira, e contra nenhuma outra mulher.
Mais que p***a que estou pensando, ela não é minha loira... aliás, ela não me pertence.
- Ela é só uma possível f**a futura, é.. É isso, apenas isso.
Esse instinto protetor, pode muito bem ser explicado, pelo simples fato de saber, que ela não tem família, que é sozinha.
- Então me claro que me preocupo, como me preocuparia com qualquer outra pessoa.
E constatando isso, me lembro que ainda não tenho notícias, sobre ela. E volto a ficar tenso... ela por aí sozinha, e esse louco ainda solto.
Pego o celular, que já está quase sem bateria de tanto que já liguei, para ela... Ligo novamente, o escutando apenas tocar do outro lado da linha, e quando já estou quase desistindo e desligando.
- Ricardo... você tem noção, da hora que é?
Para o meu alívio, ela me atende com voz rouca de sono, e marrenta como sempre.
- Ricardo... sério que você me acordou, e não vai falar nada?
- Quer saber, vai se ferrar...
Grita do outro lado da linha, desligando o telefone na minha cara.
- Mais ao invés de ficar bravo, como ficaria de costume, apenas sorriso aliviado, pois sei que ela está bem.
- Agora sim, posso focar em buscar pistas.
Esse com toda certeza, é um caso que eu tenho a máxima urgência, em solucionar.