Sabryna atravessou para o outro lado do mundo, para o extremo norte. Ao passar pelo portal, se deparou com uma Fada do Gelo do Norte de gênero masculino, era jovem, e um guardião da Organização da Magia.
— Quem é você? — questionou o guardião ao se levantar abruptamente da cadeira qual estava sentado. — Não recebi notificação da sua travessia...
Sem mais, nem menos, Sabryna atingiu o homem com um feitiço e o homem caiu desmaiado por cima da mesa a derrubar alguns objetos no chão e a fada que estava com ele recuou com medo da garota. Ela, apressadamente, removeu a pulseira do guardião e a jogou para a fada.
— Use-o, depressa, controle as púcas e atravesse o portal com o seu povo para Darayonno para juntar-se com a Rainha Leanarsili.
A fada, que guardava o portal com o Oficial da Magia, sorriu para Sabryna, logo soube que se tratava de uma amiga do Reino das Fadas do Gelo do Sul.
— O poder do Cristal da Aurora foi ativado, eu sinto — disse a fada.
— Sim, e a Rainha Leanarsili espera pelas Fadas do Gelo do Norte — Sabryna também entregou-lhe a espada do guardião que estava na sua mão.
— Obrigado, senhora — agradeceu ele já com a pulseira.
— Não perca tempo, controle as púcas, a sua raça está em guerra agora, e provavelmente precisará usá-las contra mim, e não hesite.
— Contra a senhora? Por quê?
Sabryna sentiu um calafrio, alguém se aproximava do seu quarto então entrou em estado de desdobramento.
— Vá para perto do Cristal e seja rápido, os Anciões não podem intervir...
Depois disso, ela saltou uma dimensão e parou dentro do seu quarto no Castelo dos Magos, no Reino das Fadas do Gelo do Sul. Rapidamente, deitou-se na cama.
Nesse exato momento alguém bateu na porta e ela esperou uns segundos para mandar entrar. O Grão-Mestre dos Magos, Muorabát, entrou no quarto e estava nervoso.
— Allogaj Sabryna, perdoe-me por interromper o seu sono, mas precisamos da sua ajuda imediatamente.
Sabryna se levantou tranquilamente da cama a franzir o cenho.
— O que houve, Grão-Mestre dos Magos?
— As Fadas do Gelo iniciaram uma rebelião contra nós, precisamos de toda a ajuda possível para contê-las. Será que pode nos ajudar com o seu grande poder mágico?
Sabryna andou para o lado da cama e pegou o seu bastão.
— Tudo bem, eu vou ajudar — disse decidida.
— Ótimo. No caminho eu te explico melhor.
No caminho, Muorabát contou um monte de mentiras para Sabryna. Depois disse que pediu, do modo antigo, ajuda aos Anciões, pois, o Portal Intercontinental também estava tomado.
Muorabát queria saber como as Fadas conseguiram realizar tamanha proeza, talvez tenham passado todos esses anos planejando tudo aquilo. Um portal guardado por um Oficial da Magia altamente treinado nunca foi tomado naquela maneira, fora ninguém ter coragem para enfrentar a Organização da Magia e as púcas.
— Somente você teria poder para isso — disse Muorabát a levar Sabryna para o estábulo do Castelo, uns unicórnios foram preparados para eles.
— Insinua que eu tenha ajudado as Fadas?
— Óbvio que não, Allogaj, sabemos que você não saiu do quarto.
— E o que sugere?
— Não sei, talvez outro Allogaj apareceu. O Universo está a ficar desequilibrado, ainda mais agora com o surgimento de uma Allogaj das Cinzas... Tudo pode acontecer. Não se ofenda, por favor.
— Não me ofendi, no auge do meu intelecto, poucas coisas me ofendem. Como vocês sabem que eu não saí do quarto?
— Registramos a sua energia emanando de lá.
— Estão me examinando sem a minha permissão?
— Não se faça de desentendida, Allogaj — Muorabát gargalhou. — Agora você ofende o meu intelecto. Você é uma Sapiensis, a Sabedoria é a sua bênção. Sabe o que estamos fazendo.
Sabryna sorriu.
— Sei. Muito bem, vamos acabar com esta guerra — Sabryna montou num unicórnio qual prepararam para ela.
— Agora você me passou confiança — disse Muorabát a montar em outro.
Em seguida, começaram a galopar e atravessaram o espaço-tempo através de um túnel colorido e reluzente e em um segundo chegaram à área do Cristal da Aurora.
¶
Uma guerra acontecia naquele lugar. Centenas de fadas sobrevoavam o local, principalmente ao redor do Cristal da Aurora que emitia um sinal visível para o alto, e no céu se formava a Aurora Polar.
Era lindo se ver todas aquelas luzes dançando no céu.
De todos os lados se via raios cósmicos, vermelhos e azuis, serem lançados contra as fadas que revidavam com o seu ** mágico que congelava. Era o Gelo Legítimo, o que podia afetar seres humanos e não humanos, nem mesmo o fogo podia repelir, a depender da intensidade.
Agora que o poder do Cristal da Aurora foi liberado, eles tinham poder suficiente para enfrentar o Congresso.
De qualquer modo, os Magos eram muito mais poderosos e ganhariam das fadas se o exército do Norte não tivesse aparecido, eles possuíam espadas e um deles controlava púcas da Organização da Magia e conseguiram m***r um Mago.
Matar um Mago era algo espantoso em Dorbis, um Mago só está abaixo de um Ancião em escala de domínio do poder, está acima até mesmo de Reis e Rainhas, exceto em autoridade.
— n******e ser — falou Muorabát ao ver a Rainha Leanarsili se encontra com o Rei das Fadas do Gelo do Norte. — Sabryna, separe aqueles dois.
— Por quê? — quis saber a garota.
Mesmo sem tempo para explicações, ele explicou:
— Eles juntos vão abrir um portal interplanetário com o poder do Monólito de Cristal.
Sabryna não esperou ouvir mais e correu no meio da batalha para a direção do Rei e da Rainha das Fadas do Gelo. Muorabát declarou aquela guerra ganha, mas como não sabia do combinado, uma das púcas brancas saltou por cima da Allogaj a derrubando no chão.
Ela socou a púca para mostrar resistência, mas outra trespassou o seu peito com a cauda e a puxou para longe, outra montou em cima dela novamente e a garota se deixou ser hipnotizada, a púca enfiou a ponta da cauda no seu crânio e depois ela viu tudo turvo até escurecer.
Sabryna acordou quando o céu estava claro, acabou sendo inútil na guerra. A púca que havia a imobilizado foi morta, na verdade, todas foram. Dez homens foram necessários para enfrentarem cada uma das púcas, e o rapaz que controlava as púcas foi morto também. Vários guardas do Castelo dos Magos foram mortos, além de tudo, três Magos morreram na batalha e centenas de fadas.
Os sobreviventes do Castelo, que foi a maioria, retornavam para a sua base e de pé, Sabryna viu o cemitério que ficou aquele lugar. Até mesmo unicórnios e iétis jaziam no chão congelado e pintado de todo tipo de sangue. O Monólito de Cristal perdeu o seu brilho, a sua magia, e agora não passava de um mineral muito grande, e quem sabe, um dos maiores do mundo.
Muorabát andou em direção à Sabryna, estava irritado.
— O que aconteceu? — questionou Sabryna com a voz mais doce de uma garota inocente que pôde transmitir.
O Grão-Mestre respirou fundo antes de responder.
— As Fadas conseguiram abrir o portal, elas fugiram para o mundo da Fênix de Nivis que se libertou do Mundo Etéreo com o poder do Cristal. Pensei que você era mais poderosa do que me falaram, e as análises mostravam que sim.
— Sinto muito por não ter ajudado, Grão-Mestre. Eu sou poderosa, mas as púcas me imobilizaram.
O Grão-Mestre permaneceu com a sua austeridade, mas se convenceu de que ninguém escaparia das garras de uma púca, três magos morreram graças a elas.
— Não estou te culpando, Allogaj. Também, parece-me que você ainda não tem experiências no campo de batalha.
— Eu não tenho, senhor. E mesmo sendo uma abençoada pelos Primevos, sou limitada a algumas coisas. Talvez, se um Ancião estivesse por perto, teriam vencido a guerra.
— Sim, você tem razão — ele suspirou. — Vamos voltar para o Castelo, queria isentá-la da prova se você conseguisse nos ajudar a vencer a guerra, mas a prova ainda está de pé. Você precisará passar para a consagramos a Maga Real.
— Entendo, senhor.
Ele estendeu a mão para ela.
— Vamos?
Ela segurou na sua mão e com o seu cajado, abriu um portal branco com ** dourado para o Castelo.
¶
Sabryna estava no quarto de Karen a conversar, também, a sua mais nova amiga, Dudah, participava da conversação, confiavam nela.
— Então não vai ser hoje o seu teste de aptidão? — questionou Karen.
— Hoje eles têm muitas coisas para resolverem — respondeu Sabryna. — Um Ancião chegou e vai estudar o caso da guerra, não se conformam que as Fadas do Gelo tenham conseguido se libertar da hegemonia.
— Meninas — disse Dudah —, não que eu esteja do lado dos Magos, afinal, eu nunca concordei com a opressão deles sobre as Fadas do Gelo, mas eu também não me conformo. As Fadas eram muito passivas, pelo menos as do Sul, as do Norte são mais agressivas. Como conseguiram iniciar uma guerra dessas?
Karen e Sabryna encararam a garota.
— O que foi? — indagou Dudah.
— A Sabryna ajudou, garota — respondeu Karen bem baixinho. — Presta atenção.
— Mas... Como?
— Shhh! Fala mais baixo.
— Se os Magos comprovaram que Sabryna não saiu do quarto. Se ela tivesse saído a ausência dela seria detectada, eu sei como funciona aquele quarto.
— Eu fiz com o que a minha energia mágica permanecesse lá, eles registravam a minha presença, mesmo o meu corpo não estando presente — respondeu a Allogaj.
Dudah ficou impressionada, tanto que não conseguiu fechar a boca.
— Isso... Isso é impossível.
— Não para ela — disse Karen.
— Nunca ouvi falar sobre nada igual. Quem é você?
Sabryna respondeu:
— Uma simples garota p***e que se tornou Allogaj. Tornei-me muito mais coisas depois disso.
— E provavelmente tem mais coisas pela frente — disse Karen.
— Minha terra amada! — exclamou Dudah. — Ensina-me a fazer essas coisas?
— Não posso, Dudah, são segredos da Magia do Universo. Fora o seu grau de magia te limitar muito, se você tentar, pode correr o risco de perder a magia ou até mesmo morrer.
Dudah se ajoelhou diante de Sabryna e implorou:
— Por favor, Magnífica Allogaj, quando for embora, leva-me contigo.
Sabryna ficou em silêncio a observar a garota.
— Ai! Sabryna, deixa — pediu Karen.
— Não sei. O seu senhor permitiria?
— Óbvio, eu só sou mais uma despesa para ele.
— Você não tem família?
— Não, só a minha mãe, mas ela me odeia.
— Por quê?
— Eu sou filha de um dos Magos, ele morreu há algum tempo, mas não sei o resto da história, ela nunca me contou.
— Que deprimente — comentou Karen.
Sabryna ficou de pé.
— Muito bem, jovem, se tudo estiver de acordo, você virá comigo amanhã para o Reino de Ic.
Dudaheda ficou de pé também e comemorou com aplausos. Naquele mesmo horário, um Ancião passeava pelo Castelo para apurar os fatos sobre a única guerra que aconteceu entre os colonizadores Magos do Reino das Fadas do Gelo e as colonizadas Fadas do Gelo do Sul.
A Allogaj não queria se encontrar com o Ancião, ela esperava que eles fossem os seus maiores inimigos, que ainda esperavam pelo retorno de Ozáuz, o Ancião que Sabryna matou e não faziam ideia. Também, os Magos não queriam que se encontrassem, não haviam falado sobre a existência dela, agiam por conta própria e não queriam que os Anciões se intrometessem em todos os seus assuntos.
Os rumores de que uma Allogaj das Cinzas surgiu no mundo percorriam, mas faltava muito para que o mundo comprovasse a sua existência, e assim era melhor.
¶
O dia se passou, o amanhã chegou, e o mundo foi surpreendido com mais um bloqueio dos Anciões sobre a magia em Dorbis, já nem sabiam mais do que se tratava. Coisas aconteciam no mundo e os Anciões ainda não sabiam o que era — Sabryna —, desesperavam-se para que não perdessem o controle.
Sabryna estava sozinha numa arena com areia cujo teto era fechado por uma cúpula transparente que era um encantamento poderoso para nada poder fugir dali, acima dela estavam os Magos na arquibancada de cristal e pedra para assistirem ao espetáculo e avaliarem o desfecho.
— Por que o bastão mágico dela é diferente de todos? — questionou Dudah para Karen.
— Eles explicaram, mas, sei lá — Karen deu de ombros —, só sei que tem um poder diferente. Qual vai ser a prova dela? Não me falaram.
— Também não me falaram, mas acho isso muito estranho.
— Por quê?
— Só usam a arena para treinos ou experimentos. As provas dos Magos são literalmente perguntas com respostas objetivas, nada prático.
— Ai, meu Deus. Por que colocaram ela lá?
— Tenho certeza de que ela vai enfrentar alguma coisa. Alguma criatura.
— Será que ela sabe?
— Olha a postura dela, Karen. Ela já espera por algo, provavelmente já lhe contaram o que deverá enfrentar.
— Se ela está tranquila, então eu vou ficar também.
Sabryna estava longe, porém, de frente, para uma passagem, a única, fechada daquela arena.
Os magos haviam perguntado-lhe onde ela encontrou o bastão mágico da madeira da Ilha de Novéanor, ela contou que ganhou da Rainha Rammahdic e que era para perguntarem-na onde ela o conseguiu. Também, questionaram sobre o Traje Planária, e ela lhes contou a história.
Desde que chegou lá, a garota recebia enxurradas de questionamentos, e ela respondia com toda a sabedoria que tinha.
De repente, o som de uma trombeta se ouviu e a porta de pedra se abriu lentamente, dois guardas armados empurraram um homem pálido e cabisbaixo para a arena, ele usava roupas pretas e tinha longos cabelos pretos jogados no rosto.
Assim que o homem levantou o rosto, Sabryna pôde ver os seus olhos que eram verdes-água e pareciam brilhar como neon. Aquele homem era um salteador, chamado Imdievo, filho de Daodievo, do Reino das Libélulas. Roubava pela cidade no exato momento em que o antigo Mago do Reino, que era um Potensis, conseguiu destruir o corpo do Animacae, o Proteus anguinus Zymplorión, da Água, e o seu espírito acabou por possuí-lo.
O Mago Real morreu por não aguentar a pressão mágica e o ladrão se tornou avatar do espírito do Animacae, isso aconteceu há dez anos. Depois do Grande Êxodo dos habitantes do Reino das Libélulas, que na verdade era o Reino dos Elfos Azuis, os Magos encontraram o salteador Imdievo e conseguiram controlar o Animacae dentro dele.
Os Magos disseram que a tarefa de Sabryna era conseguir retirar o Animacae de dentro daquele homem, assim como o Allogaj Cesar conseguiu. Explicaram-lhe toda a história e ela disse que faria o mesmo. Sabryna perguntou o que fariam com ele quando o espírito fosse desarraigado do corpo do hospedeiro, disseram que ele seria estudado, tudo em nome da ciência.
Sabryna não tinha outra escolha a não ser fazer o que lhe mandaram, fizeram um Pacto de Sigilo para não espalharem para o mundo da existência de uma Allogaj das Cinzas, mas não era suficiente para ela confiar neles.