No Palácio de Cristal — que era muito mais bonito que o Castelo qual existia o Congresso dos Magos — na sala do trono de vidro da Rainha Leanarsili, Sabryna foi apresentada ao Sobranceiro.
O Sobranceiro era um velho envergado e sem asas que usava umas vestes com tons bem mais escuros que a maioria das fadas. Vestia um sobretudo de cauda longa que arrastava no chão e usava um chapéu em forma hexagonal, que era arredondada na base para encaixar-se perfeitamente na cabeça. Ele não tinha barba e apoiava-se num cajado branco.
— Sobranceiro Eudajadi — disse a Rainha —, esta é a Allogaj que o senhor previu que viria um dia para este Reino.
Eudajadi olhou para Sabryna com os olhos a brilhar, admirou a garota, depois ele fez uma reverência e em seguida a abraçou.
— Sabryna — continuou a Rainha Leanarsili —, este é o Ancião Fada deste Reino, é o nosso Sobranceiro, o seu nome é Eudajadi, filho de Eudalori. Infelizmente ele não fala mais, sofreu um trauma recentemente.
— Por que me apresentou a ele? Pensei que ele fosse me dizer alguma coisa importante.
— Queria apenas mostrá-lo que ele não estava errado sobre você, foi a sua última Profecia. Desculpe-me pela surpresa.
— Não tem problema.
— Venha comigo — chamou Leanarsili.
Ela levou Sabryna para trás do palácio onde havia um campo gelado cercado até certo limite, qual perambulavam vários iétis. Eram semelhantes a ursos bem peludos. Os seus pelos eram brancos e o seu couro era acinzentado, os seus rostos eram antropomorfizados, aparentavam ser dóceis e os seus braços eram maiores do que as pernas, eram bípedes, mas andavam como quadrúpedes.
Um estribeiro trouxe um dos melhores iétis para elas.
— Sabe montar, Allogaj? — perguntou Leanarsili. — Vou conduzi-la para a nossa fonte de poder. Eu te levaria no voo, mas você é muito pesada.
Sabryna montou no iéti com muita facilidade, ele usava uma sela especial.
— Vamos, Majestade, agora, sem surpresas, conte-me o necessário.
Depois do cercado, havia uma extensa área qual terminava numa gigantesca muralha de gelo, aquelas fadas viviam, praticamente, numa colossal caixa gelada. O iéti passou pelo cercado e correu para a muralha onde havia uma f***a pela qual passariam. Sabryna tinha uma sensação de que subia uma inclinação.
— Sabryna — disse a Rainha das Fadas do Gelo enquanto voava ao lado da garota —, vou contá-la sobre o nosso dilema. Nós, Fadas, somos como as bruxas, ou seja, os nossos ancestrais eram humanos até terem contato com o sangue de uma entidade muito poderosa, a Fênix de Nivis, ou Fênix de Gelo. Ela quem construiu este lugar para nós habitarmos há milênios. A Fênix nos concedeu a sua fonte de poder que é um monólito de cristal trazido por ela de outro mundo, o nosso Cristal da Aurora. Contudo, há alguns séculos, os Magos estabeleceram o seu Império neste continente e lutaram contra a Fênix a aprisionando no Mundo Etéreo e criando a sua hegemonia sobre nós. Além de tudo, impediram o nosso acesso com a nossa fonte de poder e por gerações vivemos oprimidos...
— Espera, vocês querem que eu me oponha contra a Ordem dos Magos? — questionou Sabryna.
A rainha parou com o voo e o iéti parou também de correr.
— Allogaj, as nossas esperanças chegaram ao fim, não sabemos mais o que fazer, apenas ficamos na promessa de que alguém muito poderoso surgiria para acabar com a opressão do Império. Desculpe-me por mais uma surpresa, eu deveria ter dito antes. Eu tinha certeza de que você faria isso por nós, mas ainda dá tempo de desistir...
— Quem falou em desistir? — interrompeu Sabryna e Leanarsili sorriu para ela.
— Vai se opor à Ordem dos Magos para nos libertar?
— Óbvio. Eu só queria confirmar a minha ideia inicial, eu já havia imaginado qual era o dilema de vocês.
A Rainha Leanarsili prosseguiu com o percurso e o iéti voltou a correr.
— Muito obrigada, Allogaj. Você será um marco para a nossa raça.
— Agora, Majestade, o que pretende fazer depois que eu ajudar a recuperarem a vossa fonte de poder?
— Vou usá-lo para abrir um portal para outro mundo, o mundo da nossa Fênix de Nivis, e levar todo o meu Reino para lá.
— Por isso os Magos se apossaram do monólito? Este é o seu poder?
— Sim, mas eles não sabem usá-lo, até hoje fazem experimentos, mas não podem. O único que conseguiu usar o cristal muito bem foi Lidarred, usou um fragmento do monólito para fabricar um Medalhão qual tem um poder incrível de parar o tempo.
— Eu conheço-o perfeitamente. Uma coisa ainda não entendi, por que não continuar aqui? Eu posso ajudar a proteger vocês.
— Eu agradeço muito, Allogaj, mas recentemente, recebemos a visita da Suprema Sacerdotisa dos Trealtas, e elas nos aconselhou a irmos embora assim que soube da Profecia do Sobranceiro Eudajadi.
— Por quê?
— Para fugirmos do Grande m*l vindouro.
— O que é este Grande m*l?
— Ela não nos contou, só disse ser inevitável e nós não resistiríamos. Ela me contou que disse o mesmo para a Rainha Metrimna do Reino das Libélulas, a Rainha conseguiu levar embora quase todos os Elfos deste mundo para outro. Por via das dúvidas, prefiro não arriscar.
Sabryna ficou pensativa, ela precisava falar com a Suprema Sacerdotisa. Precisava saber o que acontecia, e que Grande m*l era esse que ela não explicava para ninguém, ou realmente estava enlouquecendo, pois, não houve um Sumo-Sacerdote que não fosse chamado de louco com o tempo, o problema era que Talita era jovem demais.
Assim que chegaram à f***a da gigantesca muralha de gelo, Leanarsili parou bem na frente da passagem e falou:
— Allogaj, saiba que do outro lado da muralha você encontrará cinco iétis que foram modificados para fazerem a segurança do Monólito, além disso, há dois guardiões ali, um é da Ordem dos Magos, para o Monólito, e outro da Organização Mundial da Magia, mas estão bem distantes um do outro.
— O que um Oficial da Magia faz por lá?
— Alguns metros depois do Monólito está o Portal Intercontinental de Darayonno.
Sabryna arfou.
— Eu não sabia. Há mais alguma coisa que eu deva saber, Majestade?
— Não, Allogaj — Leanarsili ficou apreensiva. — Desculpe-me.
— Não... Tudo bem. A Senhora tem algum plano?
— Eu planejo liberar o poder do Cristal da Aurora para liberar a Aurora Polar, este é o sinal para que as Fadas do Gelo do Norte venham para cá, para se juntarem a mim numa resistência à hegemonia dos Magos. Felizmente, eles controlam o Portal Intercontinental de Tawanarde.
— Você quer começar uma guerra em prol da liberdade e independência?
— Começar não, terminar. As Fadas não são tão inteligentes, muito menos guerreiras. Por que você acha que fomos facilmente colonizadas? Somos da paz. Mas a paz precisa vir dos dois lados, e quando eram apenas nós, sofremos por isso. Precisamos lutar, Allogaj, porque eu entendi que a paz não vem de graça, ela é conquistada.
— Muito bem. Mas o que te fez pensar que apenas eu seria capaz de te ajudar?
— Eu tive convicção e fé. Mas se você quiser desistir, eu vou entender...
— De maneira alguma, já estamos aqui, vamos prosseguir. Na verdade, eu queria ter ouvido outra resposta, mas deixa para lá — Sabryna conduziu o iéti para atravessarem a f***a que era mais extensa do que imaginou e a Rainha foi atrás. — Você produz gelo?
— Sim, Allogaj, uma das melhores conjuradoras de gelo do Reino. O que está pensando sobre isto?
— Quero que você mate.
— O quê? Quem? — espantou-se a Rainha.
— Quem, ou o que você puder. Já matou antes?
Leanarsili demorou para responder.
— Não...
— Majestade, ninguém pode escapar, nada pode sair deste lugar e levar qualquer mensagem para os seus superiores, senão, tudo estará perdido e eu não poderei mais ajudar.
— Mas eles podem mandar mensagens com as suas pulseiras mágicas de interlocução.
— Eu vou bloquear o sinal mágico. Nenhuma mensagem será passada.
— Você consegue mesmo?
— Conheça hoje a extensão do meu poder.
Finalmente passaram da f***a. Era hora de agir.
¶
Chegaram a uma área cujo céu não era mais ocultado por um incrível domo de gelo.
O sol da madrugada esbanjava a sua beleza no céu, mas o ambiente qual se encontravam, onde estava o monólito de cristal, era iluminado por bacias de prata flutuantes quais sustentavam uma chama azul.
Sabryna, montada no iéti, caminhou sem pressa para o monólito de cristal que tinha cinco metros de altura e dois metro de comprimento, era retangular simétrico, exceto na parte superior que era fragmentada. Também, estava envolto por correntes que seguravam um grande botão mágico vermelho contornado por metal, tratava-se de uma pedra mágica que controlava o poder do monólito.
Os iétis monstruosos também tinham cinco metros de altura e não pareciam tão dóceis quanto os do Reino das Fadas do Gelo, eles eram muito m*l-encarados, tinham presas maiores, principalmente as inferiores, e as orelhas eram mais pontudas, também possuíam chifres, mas as garras eram tão comuns quanto as dos iétis normais, que também tinham polegares opositores.
Em frente ao monólito havia uma pequena tenda.
— Majestade — disse Sabryna —, eu tenho uma ideia, preste atenção no que eu vou dizer — Sabryna cochichou no ouvido da Fada e ela entendeu o recado.
Assim que se aproximaram, os iétis ficaram irrequietos e o guardião saiu da cabana para ir ter com elas, o objetivo era distraí-lo antes que pudesse suspeitar de alguma coisa e conseguir fugir. Eram bem treinados, porém, confiaram-se demais no próprio poder e segurança.
— Alto — gritou o guardião —, guardem os seus objetos mágicos, senão estas bestas poderão matá-las imediatamente e eu não poderei fazer nada.
Sabryna pendurou o bastão na cintura e a rainha guardou a varinha na roupa.
— Acalme-se, guardião, sou eu, a Rainha Leanarsili, das Fadas do Gelo.
— Rainha Leanarsili — falou o guardião com arrogância —, a Senhora sabe que n******e vir aqui sem permissão.
— Eu sei, guardião — respondeu Leanarsili —, mas eu recebi a visita desta ilustre Maga, vinda de Umnari, e ela queria ver o Cristal da Aurora. Eu não pude negar isto a ela.
Sabryna desceu do iéti e caminhou em direção ao guardião.
— Nossa! — exclamou o guardião ao ver Sabryna naquela roupa justa, ela tinha belos quadris. — Você é uma Maga? Tão jovem e tão bela.
Sabryna sorriu.
— Por que a surpresa?
— As Magas que eu já vi passarem por aqui eram todas velhas e não usavam roupas tão apertadas. Você não sente frio?
— Eu amo o frio.
Encabulado, o guardião estendeu a mão para a Allogaj e pediu que ela não se aproximasse mais, poderia ser perigoso por causa das bestas e ele teria que confirmar com o Congresso que ela era quem dizia ser.
O guardião mexeu no seu bracelete e viu que ele não funcionava, ele falava para uma pedra verde e ela respondia ao brilhar uma luz intensa. Mas estava tão apagada que não parecia ser mais que um objeto de adorno.
— O que há com esta pulseira? — falou o guardião ao tocar o dedo indicador no objeto.
— Algum problema? — questionou Sabryna.
— Não, jovem Maga, só uma falha técnica. Mas vou mandar uma mensagem para o Congresso de qualquer modo, é o procedimento padrão do nosso sistema — ele foi até à cabana e voltou com um passarinho nas mãos, murmurou alguma coisa no seu ouvido e o soltou.
O passarinho voou para o céu, estava prestes a mandar uma mensagem, no entanto, Leanarsili o atingiu com uma bola de poeira reluzente e ele caiu completamente congelado.
Assim que o guardião hesitou, rapidamente, Sabryna usou a telecinesia, o agarrou pelo cinturão, que também tinha uma pedra mágica, e o arrancou. Sabryna lançou o homem para perto de Leanarsili que apontou a sua varinha para o rosto dele, e quebrou o cinturão a fechar o punho bem forte.
Imediatamente, um iéti monstruoso mais próximo, com o seu enorme punho cerrado, atingiu Sabryna com um golpe como se fosse uma martelada. Ela chegou a afundar um pouco no chão gelado, mas segurou o golpe com os braços cruzados sobre a cabeça.
A Allogaj se levantou do chão, agarrou alguns dedos da b***a e com o joelho golpeou o seu pulso que quebrou na hora, o iéti berrou e afastou-se de Sabryna a cair no chão e segurar a mão quebrada. Outro iéti se aproximou e tentou agarrá-la, mas ela se esquivou e correu para o próximo e com um belíssimo salto conseguiu desferir um soco na fronte da criatura com tanta força que ele caiu no chão desacordado.
Enquanto Sabryna brigava com os iétis monstruosos, a Rainha pensava várias vezes antes de usar o seu poder para congelar o guardião, aquilo seria fatal.
— Majestade — implorou o guardião que se rastejava de costas e ela o seguia com feição austera —, não faça isso, você estará comprometendo todo o seu Reino com esta insurgência.
— A opressão do Congresso acabou, guardião.
Num ato de desespero, o guardião sacou o seu bastão e imediatamente Leanarsili o congelou. Ela sentiu a adrenalina por fazer aquilo.
Quando se virou, um iéti daqueles correu na sua direção e ela usou a varinha, mas o gelo não era suficiente, ele pôs a mão na frente e lutou para alcançá-la. O gelo se formava, mas ele conseguia avançar e quebrar mesmo com certa dificuldade.
Leanarsili não tinha mais esperança, estava prestes a fugir, mas Sabryna chegou na hora e com as duas mãos a fecharem o punho, ela saltou e golpeou na cabeça do iéti que cambaleou para o lado e caiu.
Outros dois iétis quais brigavam com Sabryna, pois ela teve que se afastar deles para ir socorrer a Rainha, se aproximaram. Eram grandes e lentos para ela, contudo, não eram fáceis de vencer, ainda mais com pouco recurso.
— Vou ter que apelar — falou Sabryna.
— Como?
— Gastar muita energia a partir do meu cerne.
A Allogaj, fez a sua Pedra de Vírnam brilhar, a sua fonte para fazer magia, depois fez um gesto com os dedos na direção do estômago, como se tivesse a segurar alguma coisa, ela fechou os olhos e subiu a mão até para o meio da fronte a falar:
— Relâmpago Legítimo.
Ela abaixou os braços e abriu os olhos, do meio da sua testa saiu um raio amarelado que atingiu o primeiro iéti bem no peito e causou uma explosão tão grande que abriu um buraco no lugar. O iéti caiu morto e Leanarsili ficou boquiaberta.
— Como você fez isso? — questionou a Rainha.
O outro iéti urrou para as mulheres e avançou. Com apenas uma mão, Sabryna gesticulou e ao usar o seu dom da telecinesia, fez o iéti flutuar rapidamente para o alto, até uma altura consideravelmente fatal. Quando ela chegou no limite, de onde não podia mais alcançá-lo com a telecinesia, o iéti caiu e atingiu o solo com tanta força que fez uma pequena cratera no chão, agora ele estava imóvel.
Sabryna arfou e se prostrou como se estivesse esgotada, não havia dormido para repor as energias nem um momento.
— Allogaj — preocupou-se Leanarsili —, está bem?
— Sim — Sabryna se ergueu —, preocupe-se com aquele dispositivo — ela apontou para o botão acorrentado ao monólito.
— O que eu devo fazer?
— Destrua, concentre-se e conjure o seu gelo mágico, o grau precisa estar abaixo de duzentos para que o metal se quebre.
— Não tenho tanto poder.
Sabryna colocou a mão sobre o ventre da Fada.
— Confie no seu cerne, é de lá que você retira a sua energia para acessar o poder. Eu vou para o Portal Intercontinental de Darayonno, não posso me demorar mais.
— Certo — confirmou a Rainha.
Sabryna chamou o iéti comum qual ela havia montado e ele correu para o seu encontro, ela o montou novamente e partiram para o Portal dorbiano. O que a Rainha não sabia era que Sabryna estava a se esforçar bastante para fazer com que a sua energia mágica permanecesse no seu quarto no Castelo dos Magos.
Ninguém podia suspeitar que ela havia saído, por isso, não poderia haver testemunhas. Mesmo assim, ela conseguiu derrotar as criaturas mágicas, além de ter conjurado um feitiço na sua própria língua.
Após vinte minutos de corrida, Sabryna desmontou do iéti, ela se aproximou de um cercado de cristais que guardava um pequenino mote, em cima dele havia um arco de pedra coberto de neve e uma cabana foi montada nele. Dentro do cercado haviam cinco púcas da neve, eram controladas pela Organização Mundial da Magia e eram consideradas uma das criaturas mais mortais para os feiticeiros.
A Allogaj esperou do lado de fora do cercado de cristais, pois, as púcas se agitaram e saíram de dentro da cabana dois homens, um era o guardião do portal e o outro era o seu moço.
— Quem é você? — perguntou o guardião vestido com a sua farda da Organização, confiante, ele desceu do mote e a empunhar o seu bastão, aproximou-se de Sabryna. — O que você quer aqui, feiticeira? Por um acaso veio para acessar o Portal Intercontinental?
Sabryna sorriu.
— Sim, senhor.
— Preciso ver a sua permissão.
— Aqui está — Sabryna estendeu a mão e de maneira telecinética ela pegou o bastão mágicos dos dois homens, depois os quebrou na coxa.
— Uma feiticeira telecinética? Você não tem amor à sua vida?
— Já me fizeram esta pergunta antes.
— Garanto que será a sua última vez, porque você vai morrer agora — o guardião mexeu na sua pulseira que controlava as púcas e elas grunhiram para Sabryna.
As cinco púcas correram ao redor da Allogaj que ficou em posição de defesa com o seu bastão n***o na mão.
— Não devemos comunicar à Organização? — perguntou o moço ao guardião.
— Acabei de tentar, mas a mensagem não é transmitida — disse o guardião. — Esta garota deve ser alguma louca, ela vai morrer e ninguém precisará ficar sabendo deste episódio.
As púcas, que urravam ao redor de Sabryna começaram a hipnotizá-la por meio dos seus olhos a deixando imóvel, e com as caudas de pontas afiadas chicoteavam-na por toda a parte do seu corpo a marcando com cortes profundos.
O guardião começou a rir, porém, o seu riso sumia por ele perceber que nem a roupa da garota se rasgava e nem os cortes na sua pele ficavam abertas, ela se curava tão rápido que era surreal.
— Pelos Trealtas — clamou o guardião e disse ao seu moço: — Barameias, pegue a capa da levitação e vá para uma Unidade da Organização da Magia mais próxima.
— E o que você vai fazer, senhor?
— Vou guardar o portal. Vá, rápido.
O moço chamado Barameias correu para dentro da cabana para procurar pela capa da levitação, o guardião pegou uma espada e se aproximou da Allogaj que era golpeada sem cessar pelas púcas.
Cansada daquele jogo, Sabryna conseguiu se concentrar, pois, o poder da sua mente era muito mais forte, então, os seus olhos brilharam da maneira de sempre e por um segundo, sentiu o tempo parar, pois, rapidamente, via o movimento das cinco púcas.
Então, com o seu bastão ela dominou o gelo do chão fazendo com que se agrupasse para formar lanças, e assim que fez, cinco lanças de gelo subiram do chão e atravessaram o peito de cada uma das criaturas.
— Não! — gritou o guardião, e sem hesitar ele enfiou a espada até o cabo no lado direito do crânio de Sabryna.
O seu cérebro foi trespassado.
Sabryna caiu inerte no chão, assim como as púcas. No momento conveniente, o moço chamado Barameias se aproximou e examinou a cena. O guardião ofegava como se tivesse feito muito esforço.
— Guardião, quem é ela? — questionou o moço a vestir a capa.
— Não faço a mínima ideia, mas precisaremos saber. De uma coisa eu tenho certeza, ela é uma Saneturis.
— Como assim? Então ela não está morta?
— Não. Eu aprendi que o único modo de parar um Saneturis é enfiando alguma coisa no seu cérebro e deixar lá por tempo indeterminado, nem deixar que o seu próprio organismo expulse o que não faz parte do corpo. Aprenda, moço, atingir o cérebro de um Saneturis é a única forma de você escapar dele.
— Esta garota não é uma Saneturis comum, senhor. Eu nunca ouvi falar de ninguém que viveu para enfrentar cinco púcas aos mesmo tempo e ainda conseguir m***r as cinco tão facilmente.
— Ela deve ser alguma mandada, deve ser um atentado. Vá para a Unidade, eu vou guardar o corpo dela e esperar por reforços...
De repente, ouviram uma explosão e de longe puderam ver uma Aurora subir de um ponto para o céu gelado e no céu formar a Aurora Polar que ocorria em todo Solstício de Verão.
— Quem liberou o poder do Cristal da Aurora? — questionou o guardião. — Rapaz, acho melhor você ir agora...
Ao se distraírem, não viram que Sabryna levantou do chão e quando perceberam, era tarde demais. Sabryna retirou a espada enfincada no seu crânio e rapidamente cortou a cabeça do guardião que não teve tempo nem para hesitar.
O moço arregalou os olhos e flutuou para o céu com a capa da levitação, mas Sabryna estendeu a mão e com telecinesia fez com que o moço pairasse no mesmo lugar.
Ele lutou contra o poder de Sabryna a tentar fugir dali, mas ela era dezenas de vezes mais poderosa. Ele olhou para baixo, para ela, desesperado e ela olhou-o com curiosidade, depois segurou a capa e puxou com tanta força que ela se rasgou do corpo do rapaz que caiu no chão, e virou-se imediatamente para ela.
— Por favor, não me mate — implorou o rapaz.
Sabryna, sem expressa alguma, olhou no fundo dos seus olhos, e sem ele mesmo perceber o seu pescoço havia sido cortado, ela agitou a espada muito rápido. Barameias colocou a mão no pescoço e Sabryna andou para o Portal Intercontinental a dizer:
— Você vai ter uma morte lenta, vai ter tempo para se redimir.
Com magia, ela lançou a cabana para longe e atravessou o portal.